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jueves, 30 de octubre de 2014

Desci o Elevador da Glória

Eles olhavam encantados para o casario, para as galerias de arte urbana instaladas à frente dos muros que amparam o jardim do miradouro de São Pedro de Alcântara.
Eu, provavelmente a única portuguesa a bordo,  encantei-me com o olhar deles.
Saímos, seduzidos pelo cheiro a castanhas assadas, estrategicamente ali estacionadas!
Sucumbi-lhes, indiferente aos vinte e tal graus que o termómetro acusaria!


(Quase compensou a desilusão de ter entrado numa das mais bonitas padarias de Lisboa, a Panificação de São Roque, no Príncipe Real, e ver um expositor contemporâneo e sem graça a tapar os centenários painéis de azulejos! Salva-se o pão de centeio, que estava bom!)



lunes, 22 de julio de 2013

Luxo!

Maia - Palácio da Bolsa (centro do Porto): menos de 20 minutos de carro, às 9 da manhã, de um dia de semana!
Bem sei que estamos no verão, mas ainda assim, é de aplaudir! E com obras na Baixa!

Almoço razoável num restaurante na Ribeira, numa esplanada com vista, sem filtros, para o Douro, a escutar as conversas das gaivotas: 9€!
Compreende-se por que razão visitar o Porto (Lisboa também) seja conselho recorrente em jornais e revistas de todo o mundo! E comece a ser muito falada como excelente cidade para instalar novos negócios!

Temos tanto para dar certo, Portugal!

miércoles, 10 de abril de 2013

Gonçalo Ribeiro Teles

Há anos que Gonçalo Ribeiro Teles alerta para o problema de petrificar a Lisboa pombalina, a cidade erguida sobre estacas de madeira e que precisa de água para as manter molhadas (de modo a não quebrarem). Há anos que alerta para a importância dos espaços verdes, das hortinhas na cidade, já que além da sua função de pulmão, concorrem para a saúde da água que anda muito abaixo dos nossos pés...
Há anos que defende um ordenamento racional do território e a preservação da variedade de espécies autóctones. Há anos que luta contra a tirania do eucalipto...
Foi das entrevistas mais aprazíveis que fiz e o tempo todo só me apetecia fazer-lhe vénias por concordar com tudo o que disse.

Hoje ao receber o prémio Sir Geoffrey Jellicoe, atribuído pela Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA), comentou que se tratava de uma “couraça", que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, mas com reconhecimento internacional.

Entre muitos outros testemunhos, devemos-lhe o magnífico jardim da Gulbenkian, cenários de muitos dos meus piqueniques evasivos à hora de almoço, quando o sol assim ordena.

Hoje, por coincidência, almocei com uma amiga espanhola e ex-colega que tinha acabado de revisitar o dito, para matar saudades dos piqueniques de outrora. Falou-me do abandono que sentiu por lá.
Já lá não vou desde o verão, pelo que não posso confirmar esta leitura. Será que o petróleo da Partex não consegue patrocinar a manutenção adequada do jardim?


lunes, 23 de enero de 2012

Orgulho sem preconceito

Eu gosto de me precipitar e concluir antes do lavar dos cestos: vai daí que para mim Guimarães 2012 já é uma aposta ganha!
Porque os vimaranenses mais uma vez demostraram que se orgulham da sua terra! E eu orgulho-me do orgulho deles, e muito me apraz saber que não se limita ao contexto futebuleiro!
Porque a autarquia soube pôr toda a gente a mexer: a universidade a coordenar intervenções urbanísticas, os arquitectos locais a projectar, os cidadãos a participar na festa... e ainda convidou outsiders a produzir in loco - e isto é charme e marketing do melhor!
Porque vai sobrar mais do que dívidas desta iniciativa: sobram espaços públicos mais arejados e racionais, sobram antigas fábricas reabilitadas e reanimadas com outras funcionalidades, sobra o nome de Guimarães pelo mundo e a imagem de terra pensada a multiplicar por todos os que a visitarem!
É de coisas assim que renascerá Portugal

viernes, 18 de noviembre de 2011

O fado do nosso património

Nesta porta mora talvez a casa onde o fado acontece de forma mais autêntica. (Obrigada Jaume por me falares da Mesa de Frades).




Diz-se que o restaurante, onde agora se escutam os poetas, as guitarras, as violas e os brindes a tudo isso, terá (quem sabe) escutado outrora as preces de uma certa Dona Rosa, alegada amante de D. José I. É que a porta que hoje se abre para o fado, abria antes para uma capela... E esta é a única porta que abre deste edifício quinhentista, o palácio da Dona Rosa... Decadente, esventrado (o gradeamento foi insuficiente para deter os caçadores de azulejos históricos)... Triste fado, o do património, em Lisboa.



Alfama é isto: FADO, Santos Populares e um património urbanistico fantástico, lamentavelmente, em decadência.


Para nossa sorte o FADO é imaterial e deverá a UNESCO considerá-lo, em breve, Património da Humanidade.

martes, 21 de junio de 2011

Alegria

Paralela a Santa Catarina, fica a Rua da Alegria. E é mesmo uma alegria reencontrar estes prédios e ver que entretanto foram renovados e que estão habitados.

A Rua que desce e depois sobe

... a rua de Santa Catarina, no Porto.

A capela das Almas, do século XVIII, revestida com azulejos, que representam cenas da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina e que foram feitos na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, já no século XX.
O velho, quando tem o tratamento que merece.

Detalhes como este, que se permitem, porque a aquitectura não tem culpa da simbolgia clubística :)




O tal Majestic, onde o café é servido em chávenas de porcelana e tem direito a dois pires... o café onde todas as paredes são espelhos e onde a ferrugem fica bem aos espelhos, medalhando o tempo...


E o eléctrico castanho, que voltou à rua, cruzando-a pela Passos Manuel.


Que rua, esta!

Almirante Reis, a tal que foi despromovida do "Monopólio"

Há um mundo de histórias na Avenida Almirante Reis, em Lisboa! Como esta, que me fez lembrar de um slogan fantástico, que li à porta de um cabeleireiro em Luanda: "Entra feio, sai bonito"!
Na altura, falhou o facto de não ter câmara fotográfica comigo, mas não me esquecerei nunca! Mais directo, impossível!

miércoles, 8 de junio de 2011

Centenários

Há uns tempos, fiz de cicerone de uns amigos alemães de passagem por Lisboa: levei-os a pé pelo meu vizinho bairro do Intendente, passei no largo, onde babaram com os azulejos do prédio da Viúva Lamego, com os detalhes caprichados na pedra a debruar portas e janelas e com os desenhos do ferro de algumas varandas... E na verdade tudo aquilo é lindo... Porém, sujo e degradado, muitas vezes abandonado... Mas eles acham muito charmoso o ar dantesco da cidade à noite, as ruínas, apreciavam mesmo o facto de a cidade não estar lá muito organizada e cuidada, sentiam uma certa "alma" naquilo tudo! Na semana passada, na aula de alemão, a coisa repetiu-se... Tínhamos que acabar a frase "Lisboa é uma cidade encantadora, apesar de..." e eu conclui: "apesar de estar muito degradada!"
A coisa passou a tema de conversa e uma vez mais escutei a minha professora alemã, a elogiar o ar antigo e negligenciado da cidade!
Acho que os entendo, ou que entendo o que querem dizer! Quando olho para a Ribeira do Porto, vista de Gaia, tudo aquilo me parece um cenário de encantar, assim, à distância que o Douro, no meio, nos permite, filtrando o que se vê quando nos aproximamos de muitos dos edifícios que constroem aquela cascata, o que se cheira (e, no caso da Ribeira, a coisa melhorou bastante nos últimos tempos).

Em Lisboa, alguém se lembrou de chamar a atenção para o prédios centenários, potencialmente majestosos, abandonados, através de grafites!

Quase nunca considero os grafites que por aí andam arte, mas no caso, aplaudo! Mantêm o desejável sentido do efémero (se desaparecerem é porque o prédio será recuperado!) e sinalizam o que de outra forma parece passar completamente despercebido à maioria dos lisboetas!



Aqui, na minha rotunda preferida de Lisboa, Neptuno volta as costas à demolição de um prédio que durante meses namorei, com o sonho de o reabilitar! No dia da demolição, escutei na TSF, que por lá habitou Pessoa! Não apenas por isso, mas pela beleza da fachada arredondada, pelo menos ela merecia ter sido preservada! Agora está a nu um mosaico em tons pastel... E até lhe acho graça e especulo sobre qual seria a cor que conhecera Pessoa, se é que é do seu tempo a pintura que agora vemos... A mesma graça que acharão os alemães à Lisboa enrugada, envelhecida...

martes, 1 de marzo de 2011

E que tal o Palácio de Cristal?

Já só imaginamos como podem ter sido os jardins Suspensos da Babilónia, o Farol de Alexandria ou o Colosso de Rodes!

Juan Garaizabal projecta o que poderiam ser os fantasmas de edifícios carismáticos que já não existem. Chama-lhe Memórias Urbanas. É isso que vai fazer este ano, por exemplo, em Madrid, projectando a silhueta de um antigo mercado...

Ao ler a notícia, lembrei-me logo do Palácio de Cristal, que nunca conheci além desta imagem a preto e branco, e cuja demolição nunca percebi...

Sugeri-lhe que o resuscitasse!

miércoles, 9 de febrero de 2011

Gonçalo!

Chama-se assim esta cadeira. Mas eu já gostava dela antes de conhecer o nome com que a batizaram.
O meu pai resgatou-a algures (talvez no lixo de obras). Na verdade, resgatou duas. Estavam bastante enferrujadas, até que a minha mãe as pôs como novas.
Andava há que tempos para a fotografar, depois de a ter redescoberto no blogue do Luís Royal, por onde costumo andar a bisbilhotar sobre design. Fiquei a saber que a cadeira que costumamos ver em tantas esplanadas deste país foi criada em 1954 por Gonçalo Rodrigues dos Santos.
É linda e confortável, no contexto esplanada.

miércoles, 5 de enero de 2011

Comércio tradicional

As antigas padarias, forradas de mármore verdadeiro, de bom gosto e higiénico, foram quase todas transformadas em meras revendedoras.
Era assim a da minha antiga rua, um luxo imediatamente à esquerda da porta do meu prédio, que permitia ir ao pão em pijama. Passei lá há pouco tempo e o bom gosto de outrora foi substituído pelas lastimáveis opções de um demasiado "criativo" empreendedor: o espaço passou a ser também café, o que me parece excelente, já que rende mais e mais horas por dia, mas o mármore cedeu lugar a azulejos que mesmo para quarto de banho já seriam feios e o balcão de madeira com tampo de mármore negro foi preterido a favor de uma horrenda arca congeladora balcão.
A da minha actual rua continua intacta, ainda que reduzida nas suas funções. A senhora do pão usa o grande salão vazio onde antes era feito o pão para esconder o aquecedor e o rádio com que se consola durante os muitos minutos de tédio.
Raramente a encontro ao balcão, mas aparece assim que entro. Diz que vê o reflexo no mármore. Hoje perguntei-lhe a que horas abria: "7h15, mas a essa hora quase não aparece ninguém. Também nesta rua quase já só há velhos e casas fechadas."
Entristeceu-me e decidi impingir-lhe aquilo em que acredito: "Olhe que já começam a restaurar muitos desses prédios e começam a vir para cá muitos jovens. Eu estou cá há quatro anos e noto que está a melhorar."
Na verdade está, mas tão, tão lentamente, que dá dó. Como também dá dó ver um espaço como aquela padaria tão vazio e desaproveitado. Poderia ser muito bem o café charmoso da rua! Mantendo o mármore no chão, nas paredes e no balcão.

E para aliviar, também hoje, no restaurante, daqueles criados para almoçar em pouco tempo e com pouco dinheiro e que exibem a ementa do dia na porta, escrita à mão e não raramente com erros ortográficos, num pedaço de papel igual ao que usam como toalha:

Chega uma senhora, na casa dos 50, sozinha, e pede uma mesa. O empregado aponta-lhe a que estava junto à janela e justifica: "As meninas bonitas ficam na montra!"
Conquistou-me!

miércoles, 1 de diciembre de 2010

Declaração de independência! A minha.

A coerência é um desafio que dá um trabalho danado e valentes dores na consciência! Quando me dá para deslizar para a moralização, também acontece tropeçar nos estilhaços dos meus telhados de vidro!
Às vezes a coisa corre muito bem, como quando decidi comprar casa. Depois de sujeitar o meu “sócio” a uma argumentação quilométrica sobre como chega a ser quase indecente comprar casa nova nesta Lisboa de centro histórico moribundo… Pelo contrário, comprar em segunda ou décima quinta mão é contribuir para a preservação do edificado, desperdiçando menos recursos, porque não podemos estar sempre a criticar os prédios devolutos, as fachadas seculares em decadência e depois, na hora de intervir, preferimos uma casa num prédio novinho em folha, quase sempre encavalitado noutros velhos ou novos, sem comércio e sem jardins à volta, sem espaço para circular, sem espaço para estacionar, que é assim que se constroem a maioria dos novos prédios (acessíveis a bolsas como a minha) na Lisboa onde ainda há espaço… E acautelei também que ir para os arredores de Lisboa é acentuar o “efeito dormitório” e a desertificação do coração da cidade… Que não queria passar boa parte da minha vida em transportes públicos e que já sou deslocada da família, pelo que não era justo que também me sentisse deslocada dos amigos e da vida de que usufruo por estar em Lisboa. Que Lisboa só para trabalhar não tem graça nenhuma…
Não sei bem se foi mérito da minha choradeira, capaz de derreter o bronze ao Oscar, se da providencial clarividência do meu pai, que nos alertou para os potenciais problemas que prédios com dezenas de condóminos prometem, mas lá acabamos por eleger um apartamento usado no pitoresco (leia-se caótico) bairro dos Anjos, a dois passos da linha do afamado 28, que volta e meia suspende a marcha, momento, quase sempre longo, patrocinado por um incauto condutor que estaciona na esquina de que o eléctrico precisa para fazer a curva.
Sim, que as juntas e a CML pouco têm feito para travar a vontade de fugir dos moradores que ainda resistem em Lisboa… E isto da consciência é um luxo que nem sempre podemos autorizar…
No domínio casa, a minha consciência e a minha coerência passaram com distinção, mas não é bem assim noutros parâmetros…
Eu embirro com a maioria da nova construção em Lisboa quase tanto como me envergonho do modelo de centros comerciais à la Belmiro, que se multiplicam por este Portugal soalheiro, e no entanto passo a vida a prevaricar. Em Lisboa nem por isso, já que opto pela Baixa, para a qual consigo ir a pé, mas no Porto custa-me mais evitá-los, ou porque determinada loja não existe noutro sítio, ou porque me desafiam, ou porque eu desafio, ou porque faz frio, ou porque faz calor, ou porque o IKEA é uma âncora de peso…
E ontem, em conversa com outra portuguesa e com uma galega, a certa altura, comentávamos que no quarteirão Saldanha/Picoas há a maior concentração de centros comerciais do mundo (cinco) e esse deverá provavelmente ser um título vitalício (duvido que se repita tamanha estupidez), do qual não devemos orgulhar-nos. E toca a defender que o único conceito de centro comercial que considero tolerável é o do Fórum de Aveiro, onde as lojas têm direito a rua, mas esta não dispensa um generoso passeio coberto, que intercede contra a chuva e contra o sol…
Daqui à conversa sobre a necessidade da imparcialidade no jornalismo foi um passinho, porque às tantas digo que me apeteceria perguntar a quem de direito se têm consciência de que autorizam sem freio sucessivos caixotes de consumo, se não pensam nas consequências… Bem sei que o mercado ainda lhes dá razão e que edifícios monstruosos como o Colombo já ganharam prémios internacionais… E que as batatas fritas também fazem mal e não vamos por isso crucificar quem as produz…
Por outro lado, não é por comer batatas fritas que me vou esquecer de que fazem mal. Como também não será por ter imensa dificuldade em ser coerente, que me vou demitir de ter opinião. E, em última análise, não será por ser jornalista que o farei. E é aqui que se instala a confusão: venderam-me a imparcialidade quase como uma negação da capacidade crítica e frequentemente a confundem com ética.
A imparcialidade, da forma como eu a entendo, não existe, a não ser no formato notícia de agência, o tal que apenas responde ao “quem, quando, onde e o quê” e aflora factualmente o “como e o porquê”. Num artigo mais alargado e com alguma análise a coisa complica-se porque uma coisa é tentar ouvir todas as partes implicadas, pesquisar exaustivamente o tema, o dever de relatar a verdade, outra coisa é prescindir de sentido crítico e deixar de perguntar, de questionar, por temer denunciar que se tem esta ou aquela opinião…
O jornalismo em que eu acredito deve ter causas. Os jornais, as revistas e os demais órgãos, não prescindindo das obrigações éticas, nem do compromisso com a verdade e com a justiça, devem deixar claro o que defendem, e não estou a falar de cores políticas, estou a falar de princípios políticos, de opções editoriais claras. Se a aposta é a sustentabilidade, por exemplo, todos os artigos devem sempre que possível dar resposta às preocupações do leitor nesse domínio. Ou seja, não se trata de não noticiar mais um campo de golfe, mas sim de o fazer com o cuidado de analisar que consequências terá para a comunidade e para o país numa perspectiva de sustentabilidade, ou seja, de longo prazo. Acredito mais neste jornalismo do que noutro qualquer. Acredito mais neste tipo de fidelização de leitores (por identificação com determinados valores, por coerência) do que noutro qualquer.
E enfim, se a imparcialidade fosse um valor no jornalismo, “A Bola” não seria um obituário (do Benfica) com tantos leitores em Portugal.
E por falar em obituários, no meu gostaria que constasse o seguinte: “Foi jornalista, esforçou-se por não ser imparcial e conseguiu ser justa, bem como eticamente correcta”. Seria um final feliz.

PS: Fosse eu o Sr. Belmiro e zelaria para que alguém, no departamento de comunicação, googlasse regularmente a expressão “centro comercial” e afins, para ver o que se diz sobre o sector, o que inclui a menos filtrada blogosfera… Pode ser que assim perceba que os consumidores estão a mudar e que tem tudo a ganhar se optar por um novo paradigma! Sr. Belmiro, reinvente-se! Revolucione!

lunes, 20 de septiembre de 2010

Tiros no pé

“O modelo cubano nem para nós já funciona”, terá dito Fidel Castro e até admite que o disse, mas logo veio alertar que foi mal interpretado, pois queria significar justamente o contrário. Na verdade custa-me a crer que o Senhor tenha tido um momento de clarividência e se teve, está provado, foi mesmo um momento apenas.
Entretanto o mesmo Fidel anuncia que o Governo vai despedir um milhão de funcionários públicos! E metade é já nos próximos seis meses. Se isto não é dizer por outras palavras, as mais claras, que o modelo cubano não funciona, é o quê então?

Mas tudo isto é perigosamente relativo, como é relativo o sucesso do socialismo sueco, posto em xeque pelo feito dos Democratas (o partido de extrema direita sueco), que conseguiu entrar no Parlamento e eleger 20 deputados. Estamos a falar do partido que terá manifestado intenção de acabar com a forte imigração (mais de 100.000 pessoas ao ano) no país...

O conceito de imigração parece-me obsoleto... Somos todos cidadãos do mundo desde que capazes de respeitar o próximo. Quem vier por bem (leia-se disposto a aceitar as regras de cidadania) deve ser bem recebido. Caso contrário, percebo muito bem que deva ser sancionado, da mesma forma que os nativos... E que eu saiba não exportamos nativos quando eles se portam mal?
Convém é não pegar no assunto da forma trôpega como o está a fazer Sarkozy, arriscando-se a ser ele o sancionado, tal é a sua falta de tacto...
E estamos ou não estamos com problemas de natalidade na Europa? Não seria melhor pensar a sério numa política inclusiva para estes imigrantes em prole do equilíbrio demográfico? O desafio é converter os fora-da-lei em gente de bem? Esse dá muito mais trabalho, pelo que toca a contornar o problema e contornar o problema é o mesmo que ampliá-lo.

E antes que avancem os extremismos, convinha também repensar a educação política e a forma como se ensina História nas escolas.

lunes, 6 de septiembre de 2010

Amor/Ódio ao mar

De tal forma estavam fartos do mar que construíram as casas de costas para ele. Talvez não seja caso isolado, este, dos pescadores da Corunha, mas foi o primeiro de que tive conhecimento. Foi "a dica" de que mais gostei, a que mais me intrigou, da lista de obrigatório ver e saber que me passaram as minhas colegas galegas, sabendo que eu planeava uma visita à cidade delas.
Logo me lembrei dos meus amigos mais atlânticos, que na serrana Covilhã penavam e faziam questão de anunciar o quanto penavam por ficarem semanas sem pôr a vista no"seu" mar.

Eu, insensível, nasci em Matosinhos e não renego o pedaço de mar a que tenho direito, mas não sou muito dada à saudade com cheiro de maresia. Pelo contrário, senti-me logo cúmplice destes pescadores, fartos do mar com quem contracenavam muito mais do que o contemplavam. Talvez por ter passado loooooooongas tardes de domingo enfiada no banco traseiro do carro, com os meus pais, a ouvir o relato de futebol e a olhar para o mar... Como me pesava ser filha única nesse tempo. As casinhas dos pescadores lá estavam, encantadoras. Se tinham mau aspecto as tais traseiras, os galegos tratararam de as cobrir com umas charmosas vidraças brancas quadriculadas, todas iguais (nada que possa ser confundido com o mau gosto português de tapar varandas, seja nas frentes, seja nas traseiras, cada uma com um material mais feio que a outra... No mesmo prédio podem ser vistos alumínios e vidraças de meia dúzia de cores diferentes! Assim, como se fosse um catálogo), que reflectem a luz da marina. Anoitecer por ali amortiza um ano de tardes no banco traseiro do Renault 16, a olhar o mar de Matosinhos... Quem pousa em A Coruña não vislumbra qualquer ressentimento em relação ao mar (é mais fácil encontrá-lo na costa portuguesa). Reconciliaram-se e tiram partido dele da melhor maneira, seja através do circuito de eléctrico (azul) que acompanha a linha de água, seja pelos canhões, que assinalam o estratégico que era/é o posicionamento da Corunha em tempo de guerra, integrados agora no parque de lazer do Monte de São Pedro, pavimentado de erva verdinha e dada ao rebolanço... Seja ainda, no extremo oposto da cidade, pela obrigatória cruzada ao mais antigo farol romano em actividade. Há quanto tempo já se "contemplava" o mar! Voltarei a A Coruña para melhor lhe conhecer as entranhas.

miércoles, 1 de septiembre de 2010

Cegos na cidade da luz

À falta de vontade para teclar em causa própria, toca a citar a vizinhança... O alfaiate costurou um interessante artigo sobre a ligação paradoxal que os lisboetas têm com a sua cidade e aproveitou para divulgar o festival Out Jazz...

Os dados que evoca (e tem o cuidado de explicar que são especulações suas) dizem respeito sobretudo a Lisboa, mas o registo comportamental (especulo eu também) é válido para o resto do país, um país de sol, muito sol. Estas considerações, que não devem afastar-se muito da realidade, deveriam fazer pensar autarcas, comerciantes, agentes culturais e, claro, os cidadãos!

E sinto-me com legitimidade para o sermão porque tento remar contra esta maré, fartando-me de ouvir negas! com desculpas tão esfarrapadas como "cansaço laboral", a mais frequente apesar de ser a que menos justifica legitimamente a vontade de ficar em casa... Já dizia uma antiga professora minha "descansar é mudar de actividade e não forçosamente fazer nada"...

De outra forma, como prega o alfaiate:

"Um londrino passa o dobro do tempo que um lisboeta nos parques da sua cidade.

Só no centro histórico de Tallin há mais 23 esplanadas que em Lisboa e toda a sua área metropolitana.

A percentagem de executivos suecos que usa fatos de linho é o dobro da dos executivos portugueses.

Os habitantes de Dublin sorriem, em média, mais 2,43 vezes por dia que os lisboetas.

Em média, um guarda-roupa duma madrilena tem mais 4 mini-saias que o de uma lisboeta

Em pleno Dezembro, há cerca de mais 5.000 ciclistas nas ruas de Riga que nas nossas avenidas.

Entre 21 de Dezembro 21 de Março um milanês, em média, junta-se 7 vezes mais com os seus amigos depois do trabalho que um lisboeta (essa mesma relação, entre 22 de Março e 20 de Junho, dispara para 11 para 1)

A probabilidade de um lisboeta experimentar, a partir das 17h de Domingo, um sensação de apatia aguda ou leve depressão por não conseguir tirar da cabeça a ideia de que terá que trabalhar no dia seguinte é 9 vezes superior à dum berlinense.

Por ano, realizam-se 3 vezes mais concertos ao ar livre em Bruxelas que em Lisboa.

Um adolescente moscovita tem 3,5 vezes mais lata para abordar a miúda que mora na rua da frente com quem se cruza diariamente enquanto ambos passeiam seus cães que um adolescente lisboeta (sabendo-se que este último, apesar de ter a jogar a seu favor uma probabilidade 7 vezes inferior de estar a chover e 23 de estar um frio de rachar, prefere tentar encontrá-la no Facebook)"

martes, 10 de agosto de 2010

Mesmo sem coreto...

Não me certifiquei, mas os ponteiros do relógio da recentemente restaurada Torre, que nos abre a porta para a folia nocturna das noites de Verão na Rua Direita, deveriam andar perto das 4 horas... e também não me certifiquei, mas qualquer termómetro que por ali andasse deveria marcar um valor não muito longe dos 40 graus, mesmo à sombra de todos os guarda-sóis de serviço na praça de Caminha. Estavam quase todas as mesas ocupadas, o que é frequente nas tardes soalheiras. Menos normal era que todas as cadeiras se voltassem para o mesmo lado, o do palco onde tocava a Sociedade Musical Banda Lanhelense.
E que bem nos soube escutar o que se esperava de uma banda quando chegámos... Desse repertório, mais convencional, já não tivemos tempo de ouvir muito... Logo fizeram um pequeno intervalo para trocar a folha de pauta, descolar a camisa das costas e sossegar a garganta, que a sede só poderia ser muita... E começa um novo bloco: um medley de Xutos e Pontapés que põe muitos a bater o pezinho e outros, mais aventureiros, a tentar cantarolar os temas. Terminou da melhor maneira, com a minha preferida dos Xutos: Contentores...
Reportório inteligente para seduzir novos fãs e provavelmente novos músicos, como que a dizer que as bandas já não são o que eram porque "o passado foi lá trás"!

PS: O concerto integra a programação das Festas de Caminha! Mais uma bela ideia esta de pôr a banda a tocar, assim, ao ar livre, na praça, como se lá houvesse um coreto...