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martes, 7 de abril de 2015

"Dame la mano y danzaremos"

Dame la mano y danzaremos...*

«Dame la mano y danzaremos, 
dame la mano y me amarás. 
Como una sola flor seremos, 
como una flor, y nada más. . .
El mismo verso cantaremos, 
al mismo paso bailarás. 
Como una espiga ondularemos,
como una espiga, y nada más.
Te llamas Rosa y yo Esperanza, 
pero tu nombre olvidarás, 
porque seremos una danza 
en la colina y nada más...»

*De Gabriela Mistral, a quem fui ter através do doodle do Google de hoje.

martes, 10 de febrero de 2015

Requiem pela Parnaso

As distinções atribuídas em Lausanne a dois estudantes da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa guiaram-me até uma informação menos feliz...
A minha escola de ballet, a Parnaso, já não existe.
Vai resistir na memória dos alunos que a frequentaram: as aulas teatralmente austeras, mas quase sempre bem humoradas do César, que de vez em quando despia a personagem, distração fatal perante uma turma de potenciais indisciplinados!
Deve ter sido nas aulas do César que vi pela primeira vez um piano a três dimensões. Era o som do piano que, por vezes, nos ditava o ritmo do "plié", do "frappé", do "battement", do "jeté", do "adagio"... Outras vezes, quando faltava o pianista, era mesmo a toque de cassete que dançavamos!
Também foi na Parnaso que tive as primeiras aulas de música, dadas por Fernando Corrêa de Oliveira, o senhor de poucas palavras, com um ar levemente sinistro, de cuja genialidade só me apercebi muito mais tarde!
Foi dele o sonho "Parnaso": a escola de música, ballet e teatro fundada em 1957. Na altura em que a frequentei, penso que já não havia teatro e a música era apenas complementar ao ballet.

lunes, 3 de febrero de 2014

BordARTE

Inesgotáveis as combinações de que somos capazes...
Adorei a do Jose Romussi, um artista chileno que borda sobre fotografias.
As minhas preferidas são as da série DANCE.
Mas há mais: http://cargocollective.com/joseromussi e http://theprojectroompb.com/tagged/artists


martes, 17 de septiembre de 2013

Josefinas!






Suspeito que há qualquer coisa de passado mal resolvido em quase todas as ex-bailarinas. Ali, algures, ficaram suspensas pelas pontas a que aspiraram ou que efectivamente um dia as elevaram.

A Saint Laurent compreendeu isso muito bem e vende-nos a sabrina como esse perpetuar do sonho de bailarina.

Poderia ser paradoxal, mas não é: o mais raso dos sapatos, transporta potencialmente a mais feminina elegância, como que a evidenciar que a elegância autêntica dispensa moletas ou efeitos visuais!

Há uns tempos, a vaguear pelo site da Repetto, questionava-me como não havia ainda uma marca portuguesa de sabrinas. Fiquei muito feliz ao perceber que alguém se chegou à frente. Adorei o conceito, o nome, ...

martes, 12 de abril de 2011

La Farruca, em Lisboa, sábado

Aqui há uns anos fui a Sevilha e em Sevilha fui a Triana e em Triana descobri um bar, onde se anunciava para a mesma noite um espectáculo de flamenco. Um bar de barra longa, bem povoada, e com um canto que se tranformaria em palco, onde uma cigana e um cigano dançaram com a alma, com os olhos em fogo, à frente dos músicos e dos cantantes, à nossa frente. Foi nessa noite que entendi o flamenco. Na vida de ninguém há acasos. Deixam de o ser assim que os autorizamos como vectores. Foi o que fiz com o flamenco.

miércoles, 16 de febrero de 2011

Sobreviver ao sonho

Demorei tempo a perceber, mais até do que a aceitar, que não se pode viver intensamente sempre. Aborreciam-me os intervalos, até aprender a apreciá-los. Sei que serei para sempre hedonista e que isso nem sequer é uma opção, mas tive a sorte (não se trata de talento) de saber procurar sempre novos prazeres, mesmo que seja em coisas que são de sempre.
Não gostaria de escrever sobre economia se me resignasse com o desalento de não poder escrever sempre sobre cultura. E essa foi a grande lição (há sempre uma que é maior que todas as outras) que já aprendi: não desistir nunca de descobrir prazeres, novos, renovados...
E não se pode viver sempre intensamente porque "de tanto bater o coração pára", tem que parar!
O "Black swan" recambiou-me para o processo que me permitiu ir entendendo que não duram mais que minutos aqueles momentos em que o coração dispara, e que há que apaziaguá-lo também.
Não que o filme trate realmente disso, mas desistir da dança foi a minha primeira ferida, a primeira derrota que enfrentei, a primeira vez que percebi que acreditar na reencarnação me daria muito jeito, porque nesta vida eu já tinha um sonho a que dizer adeus. E dizer adeus a um sonho é o contrário de viver intensamente.

O filme roda precisamente sobre o duro que é viver o sonho. Aceitar o desafio de o concretizar é na realidade bem mais difícil do que ter que prescindir dele, porque é mais fácil o prazer dos intervalos ainda que menos intenso.

E na verdade, este filme do Darren Aronofsky poderia chamar-se outra vez "Requiem for a dream". E foi do trabalho do realizador e do argumento que eu mais gostei.

viernes, 7 de enero de 2011

Horror meets dance


O género terror não costuma cativar-me ao ponto de pagar bilhete, mas neste caso o tema é suficiente para fazer um desvio de conduta... O realizador, Darren Aronofsky, tem antecedentes promissores (realizou o "Requiem for a Dream") e a crítica aguça o apetite...

viernes, 1 de octubre de 2010

Na Tutulândia

Há abelhas profissionais que fazem mel nas colmeias do telhado cinzento da Ópera de Paris. Do outro lado do telhado, mais ou menos no centro, está um tecto de cores mágicas pintadas por Marc Chagal, que nos deixa hipnotizados e à beira de um torcicolo. E por aquela escadaria palaciana e por aqueles corredores passeiam-se sabrinas e pés nervosos a caminho do linóleo das salas de ensaios, onde o piano lhes ditará: plié, degagé, arabesque...
E há uma teia gigante com dezenas de projectores e cordas longas que enrolaram e desenrolaram centenas de espectáculos. E há gente que zela para que os tectos, os soalhos, as paredes, as cadeiras de contornos dourados, forradas de veludo vermelho, mantenham o esplendor do Palais Garnier.

Não fui eu que escolhi, mas uma "fada-madrinha" tratou de me colocar nesse quarteirão na semana em que vivi em Paris... Num pequeno hotel, que terá sido atelier de Henri de Toulouse-Lautrec, que também pintou bailarinas clássicas (estava tão perto delas), ainda que tenha ficado conhecido por retratar sobretudo as de cabaret...
No penúltimo dia sentámo-nos a almoçar nas escadas exteriores do palácio, a sentir o reboliço, a corrente eléctrica da zona... Talvez tivessem por nós passado alguns dos protagonistas de "La Danse", o documentário que entra na vida do Ballet de L' Opera de Paris, uma das melhores companhias de dança do mundo...

Claro que fui ver e adorei. E vinguei-me de não me terem permitido entrar no grand salon, depois de pagar oito euros para conhecer o palais. Na altura confirmei pelos postigos das portas de acesso à plateia que se ensaiava no palco...

Imperdoável não me ter sentado também nas cadeiras de veludo vermelho.

viernes, 7 de mayo de 2010

... em puzzle


Sou fã do Google e fã da forma como o Google cola efemérides ao próprio logo... Este que assinala o nascimento d0 Tchaikovsky é fantástico...
Por coincidência comprei hoje os meus primeiros sapatos de flamenco! Olé!
Isto das coincidências intriga-me...
Acontece-me estar a investigar um tema e me aparecer quase acidentalmente um artigo, ou alguém, ou algum acontecimento que me aponta um caminho...
Sem cálculos agendei uma entrevista com o dono da livraria Lello (a tal que o The Guardian considerou a terceira mais bonita do mundo) no Dia Mundial do Livro. Só me dei conta no próprio dia e acho que o entrevistado também...
Não sei se quero nem se vale a pena perceber por que razão acontecem estas conspirações do acaso, mas mesmo não entendendo o sentido, tudo passa a fazer mais sentido.

martes, 30 de marzo de 2010

Os cinco

A Maria quis pôr-nos a falar de livros, dos livros de que mais gostámos, dos que mexeram connosco... A Anita começou por ser para mim "o livro do sapo"... Conheci-o em casa da minha Tia Alice, que frequentava quase todos os sábados, muito antes de saber que sons desenhavam as letras. Tanto a minha madrinha como a minha prima Paula tinham vários "sapos"... De cada vez que assaltava a estante da sala de estar e abria um desses livros encontrava o meu amigo sapo e outros animais que forravam o papelão duro interior da capa e da contracapa dos livros da Anita antigos... São os primeiros livros de que tenho memória e provavelmente por eles comecei a gostar da ideia de ler. A minha madrinha tratou de me saciar esse apetite pela leitura, ao ritmo de um livro por mês, assim que eu comecei a ler e que ela começou a trabalhar. Foi sem qualquer dúvida a pessoa que mais livros me ofereceu na vida: os livros da Anita, da Patrícia...
Destaco o "Anita no Ballet" por ter sido lido vezes sem conta, por ver repetidamente aquelas posições, por treinar a partir delas, por ter decidido que queria aprender ballet também por elas, por depois ter percebido o tanto que gostava de dança e por ser a dançar que passo dos melhores momentos da minha vida!
Voltas a ser tu a culpada deste madrinha ;) Foste tu que me emprestaste "O Diário de Annne Frank". Eu teria talvez uns 12, 13 anos... e era com esta capa velhinha das Edições Brasil... Adorei na altura. Acho que me marcou como nenhum outro livro me viria a marcar: porque era a história da descoberta da adolescência de uma menina mulher numa altura em que eu também estranhava essa passagem, que tanto me questionava sobre ela; porque foi um contacto tão real com a História, o meu primeiro relatado na primeira pessoa. Uma História tão recente, tão vergonhosa e tão elucidativa e desmitificadora do bom senso e da bondade humana. Fiz questão, quando estive em Amesterdão, de conhecer os cantos e contornos do espaço que serviu de esconderijo e casa a Anne, à sua família e ao amiguinho Peter, antes de ser apanhada pela polícia e acabar num campo de concentração. E faço questão de lá levar os filhos que eventualmente venha a ter. E isso é uma promessa, como prometo motivá-los para a leitura deste diário.
Uma vez escrevi que este era o livro que gostaria de ter escrito, de tal maneira a poesia se encontra com a prosa nesta história, mas é mentira! Na verdade não quereria tê-lo escrito. Não mais. Sobre a história de amor, esta, nem sou capaz de escrever. Seria sempre pouco e desajustado.
Por que nã0? A proposta deste livro faz-nos pensar até que ponto somos capazes de amar apenas uma pessoa de cada vez, se sentimos desejo por tantas outras ao longo da vida e muitas vezes em simultâneo. Somos todos capazes de ser sacanas se formos devidamente postos à prova? Estamos apenas presos por um código de conduta, que não discutimos, não aprovámos, nem reprovámos? Aceitámo-lo tacitamente, quase só porque sim.
Penso num livro português de que tivesse gostado particularmente e este sai quase sempre entre os primeiros na minha cabeça. Coloca problemas semelhantes aos colocados em "Três Sereias". Defende o amor. Atiça-se contra os preconceitos. Um grande livro é também aquele que nos coloca a torcer pelo que habitualmente não torceríamos. Troca-nos as voltas, rasga caminhos novos. Fechada a última página, somos mais pessoa.

jueves, 21 de enero de 2010

jueves, 16 de julio de 2009

Dance with me!

Não vi o "Bande à Part" de Jean Luc Godard, mas este vídeo, com música dos Nouvelle Vague, deixa-me com água na boca para descobrir o filme...
E a fantástica saia às pregas presa com um alfinete?!! Era um "must" na minha infância!

Estive a pensar no assunto e conclui que "Dança comigo!" é a melhor frase de engate de sempre. Porquê? Porque denuncia o interesse por e a vontade de e ainda poupa o embaraço, e às vezes mau jeito, das primeiras palavras... E tanto o corpo pode dizer...

No fundo é uma fórmula intemporal... já nos serões medievais era assim que os cavalheiros abordavam as damas, na versão mais vassala de "Conceda-me o prazer desta dança?"

E depois, dançar é claramente o meu exercício físico preferido...

martes, 30 de junio de 2009

dance me to the end of...


Há duas sequências do "Habla con ella" que dificultam qualquer tentativa de indiferença perante o trabalho de Pina Bauch. No ano passado assisti à dança final do filme no CCB. Esgotados todos os bilhetes, como esgotaram sempre em todos os espectáculos da Pina Bauch em Portugal, consegui o lugar mais rasca, nas galerias, o correspondente ao terceiro anel.

Eu sabia que ia gostar, mas não sabia que era tão fácil gostar de todo o espectáculo. E era fácil para qualquer pessoa, habitual apreciadora de dança contemporânea ou não.
Tudo atraía no espectáculo: a música (fado também), o mise en scène, a história, o humor, os movimentos!

Para educar novos públicos para a dança, o legado de Pina Bauch é um dos caminhos.

miércoles, 29 de abril de 2009

Em pontas

Curioso como o tempo nos faz esquecer ao ponto de já nem percebermos o que antes nos fazia sofrer.
Ainda estremeço, mas agora com um sorriso, quando ouço a Marcha Radeski de Strauss.

Durante algum tempo tive pesadelos. Mais do que uma vez sonhei com sabrinas de fitas de cetim, com saltos e piruetas... Às tantas gritava, acordava, percebia que já nada disso fazia parte de mim e duvidava se algum dia voltaria a fazer. E não sei se gritava antes ou depois de o perceber.

Só fiz ballet durante um ano e foi um capricho, ou um gosto que começou a nascer nas páginas do livro da Anita, ou numa telenovela brasileira. Não me recordo bem... Carina de Limeira Brandão chamava-se a personagem: uma bailarina que deixara de o ser porque sofrera um acidente. Mas várias vezes dançou nessa novela. E já não sei se foi a magia das pontas, se a graça do tutu, ou o porte de princesa, ou os desenhos no ar quase em câmara lenta, mas essas imagens transformaram-se em desejo.
A minha primeira professora foi a Anita: imitava-a nas cinco posições ilustradas no meu livro preferido na altura. A palhaçada deve ter sido o suficiente para convencer os meus pais a matricularem-me na Parnaso (a arte pela arte!). Procurei com os meus dedos (foi mesmo através das páginas amarelas) o local onde queria aprender a suster-me na ponta dos pés.
Durante um ano vivi esse sonho cor-de-rosa (as meias e as sabrinas) e branco (fato de ballet). E nem a voz algo militar do Professor César, nem a exigência constante de disciplina e rigor ensombravam as tardes de terça, quinta e sábado. Sentia-me na ponta dos pés, mesmo sem nunca ter chegado a fazer pontas perfeitas!
Começávamos com exercícios de aquecimento na barra. Umas 30 meninas a ensaiar movimentos de cisne. Sim, naquela altura, já todas ambicionávamos ser cisnes! O cisne do lago!
Percebi que as cinco posições básicas não eram estanques como no livro. Deslizávamos da primeira para a segunda e depois para a terceira... A Anita não conseguiu ensinar-me isso! Nem os galopes do cavalo, nem as variantes em plié, nem o "parte e pouca" (deve ser outra coisa, mas recordo-me de ouvir o César chamar-lhe assim), que se treinava individualmente, primeiro, e depois com o par...
E recordo-me do êxtase dos ensaios da coreografia da Marcha Radeski, que apresentámos depois na festa de final de ano lectivo, no Auditório Carlos Alberto. A minha primeira vez em palco! Tinha nove anos e achava que o ballet era coisa séria, coisa para continuar...
Mas não foi porque no ano seguinte entrei para a escola Preparatória e o horário já não me permitia ir às aulas na Parnaso. Ir para outra escola era andar de cavalo para burro. Ficou combinado que adiaria o sonho até que fosse possível... Adiei para sempre...
Nas fotografias dos anos que se seguiram às aulas na Parnaso, os meus pés ainda posavam em primeira posição. Lembro-me das outras também sempre que escuto a marcha Radeski de Strauss. E acho que ainda conseguiria reproduzir os primeiros passos da coreografia...

PS: Imagino 40 anos na ponta dos pés da Maximova, a antiga prima-bailarina do teatro Bolshoi que morreu ontem...

martes, 31 de marzo de 2009

Tango

"O tango é o primeiro sorriso depois de atravessar um mar de lágrimas"
Escutei esta frase numa entrevista da TSF a Horácio Ferrer, poeta argentino e presidente da Academia do Tango de Buenos Aires, e escrevia-a no meu caderninho da época... entretanto o caderninho teve que ser substituído várias vezes, mas todos eles abrem com esta frase...
Também li ou ouvi algures que o tango é uma discussão de apaixonados sem palavras, ou talvez tenha sido eu a achar isso...

Gosto de tango porque sim.

Este tango ganhou um prémio no festival STOP Motion

miércoles, 11 de marzo de 2009

Eu hei-de ir a Buenos Aires

Gostava de saber onde guardei a crónica que li do Miguel Sousa Tavares sobre Buenos Aires. Sei que a li há uns 15 anos, que me emocionou, que a recortei e guardei como a tantas outras, mas não a encontro. Acho que foi esse artigo que me fez substituir a obsessão por Praga pela obsessão por Buenos Aires! E uma obsessão não é lá coisa que se explique!

De todas as cidades que conheço e não conheço, elejo Buenos Aires. O Fervor de Buenos Aires de Jorge Luís Borges, o (meu) tango de Gardel e de Piazzola, a Buenos Aires de Júlio Cortázar (autor da obra que inspirou o Blow-up) e de outros que eu desconheço vem ter comigo ao CCB