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lunes, 11 de mayo de 2015

Sem vir à tona

A mesma dose de opressão e de serenidade que nos oferece a água quando estamos totalmente imersos. Sentimos qualquer coisa assim com a morte dos que queremos: oprimidos e serenos com a certeza de nada podermos fazer.


Still the water atreve-se a abordar o que possivelmente mais tememos: dizer adeus aos que mais gostamos. Totalmente incómodo, mas absolutamente belo.


Antes de o realizar, Naomi Kawase perdeu a mãe adoptiva.


Vi este filme há duas semanas e foi nele que pensei quando li este poema, num dos meus blogues preferidos:  O Fio de Prumo


Mãe
Fui vê-la.
Sorriu.
O seu olhar
dis­tin­guia melhor
o invi­sí­vel de mim.
Peguei-lhe na mão,
vol­tou a sorrir.
A ela disse
o meu nome,
a idade
e apertei-lhe
de novo
as duas mãos.
Com os olhos vagos
sem me ver
can­tou bai­xi­nho
uma canção
e espe­rei.
Espe­rei
que os seus olhos
se qui­ses­sem cru­zar
com os meus.
O tempo pas­sou
e ao pas­sar
vi um anjo
entrar na sala
devagar.
As nos­sas mãos
fei­tas de raí­zes
leva­ram tempo
a despegar.
O anjo pousou.
Sem se apres­sar,
pegou-lhe na mão
para a levar.

   Rita Roquette de Vasconcellos





miércoles, 22 de enero de 2014

O direito ao Amor incondicional

Acodem-me vários palavrões, mas não me sossegam a raiva que sinto perante a leviandade com que se sugere e agora se impõe um referendo sobre a co-adopção por casais formados por pessoas do mesmo sexo.

No fim da década de 90, visitei, em reportagem para um trabalho universitário, a Casa do Gaiato, em Paços de Sousa, onde, na altura, só havia rapazes e padres. Os rapazes conviviam com outros rapazes e eram cuidados por homens.
Acreditei na dignidade e no empenho, talvez até no amor, que os padres dedicavam àqueles rapazes, mas pareceu-me que lhes faltava conviver mais com raparigas e com mulheres, apenas porque elas fazem parte da sociedade. Que eu saiba ninguém sugeriu uma lei que proíbisse orfanatos formados apenas por crianças do mesmo sexo!?

Que eu saiba os casais homosexuais não vivem isolados. Convivem com homens e mulheres.

Nunca consegui aceitar os argumentos dos que recriminam a adopção por duas pessoas do mesmo sexo, simplesmente porque jamais batem os argumentos de uma criança confinada a um orfanato, sem sentir o amor incondicional de alguém.

Pressão social? Bulling? Sim, lamentavelmente, existe. São esses os comportamentos que devemos ferozmente combater. Mas acredito que ninguém melhor do que um homossexual, habituado a lidar com eles, para ensinar a criança a defender-se e a crescer mais justa e receptiva à diferença.
Serão a pressão social e o bulling comparáveis à violência da ausência do amor incondicional, de que só os bons pais, verdadeiros ou adoptivos, são capazes?
Acodem-me novamente vários palavrões e a vontade de distribuir chapadas.

lunes, 7 de enero de 2013

"Então, não me dás um beijo?"*

Tenho os melhores pais do mundo! (Tenho a certeza de que partilham o pódio com muitos outros melhores pais do mundo:))

A minha mãe: imbatível na capacidade de se dar, de assim demonstrar amor, tornando difícil pagar-lhe na mesma moeda; uma inspiração pela coerência, pela honestidade natural, pela fidelidade à verdade, pela capacidade de não deixar nada a meio.

O meu pai: a melhor forma de o justificar é recordar a que considero ter sido a maior lição que algum dia recebi e que partilho como forma de abrir este 2013, que nos pisca o olho em desafio...

Numa noite em que o gin tónico (para lá da conta) tomou conta do meu discernimento, pus um carro a voar. Pilotado pela sorte, aterrou sem grandes mazelas físicas para mim e para os dois passageiros que me acompanhavam.
Liguei de imediato ao meu pai, que chegou antes da polícia e dos socorristas. A primeira coisa que me disse:
- Então, não me dás um beijo?
Não me passou a mão pela cabeça, mas tratou de mostrar que estava ali por mim e para mim, para me ajudar. O ajuste de contas inevitável para a consciência de pai (que ele sabia ser desnecessário, porque eu retirara dali o que era preciso) ficou para mais tarde, depois dos exames médicos, depois do soninho atenuante.
Eu não sei se já o sabia, mas foi fundamental consciencializar-me, naquele dia, que mais importante do que não errar, era a humildade de admitir que erramos e a atitude para peitar a tarefa de consertar o que estragamos; que mais importante do que apontar o dedo é saber como podemos facilitar e contribuir para este processo de redenção daquele que erra e, acima de tudo, ajudar a salvar o que é possível salvar. A prioridade do meu pai foi dizer-me que estava ali para construir comigo esse processo porque acreditava que eu estava à altura dele. Saber que ele não tinha dúvidas disso é altamente responsabilizante.

*Para Ti, Joana; Para Ti, Florinda; Para Ti, António.

miércoles, 18 de julio de 2012

Praia de Matosinhos*

O vapor do café da garrafinha térmica misturado com o nevoeiro madrugador!
O pão ainda crocante untado de manteiga!
A ansiedade acelerada pela molenguice dos ponteiros do relógio que tardavam em chegar à desejável HORA DO BANHO!
Os mil e um jogos que inventávamos para driblar a tal ansiedade. Táctica muitas vezes bem sucedida, coroada de gargalhadas, ao ritmo de quedas na areia, de baloiços improvisados com as tolhas de praia entre postes humanos... As mesmas tolhas que trilhavam caminhos com o peso do nosso corpo, puxadas pela boa vontade de serviço, as mesmas toalhas que nos transformavam em sheiks árabes, semi-enroladas na nossa cabeça, as mesmas toalhas que dispunhamos em cruz para jogar ao "queime-se" (ou seja lá como se escreve)!
A corrida pelo imenso areal molhado (não há outro tão longo assim), na enfim chegada HORA DO BANHO, num mar quase sempre "pacífico", cúmplice de mergulhos mais ou menos criativos!
A areia mais fina, cristalizada na pele. O cheiro, também agarrado à pele (deveria ser a iodo), que carregávamos para casa!
A nossa barraquinha (toda a gente tinha uma)! O Todos, o estarmos Todos, ou pelo menos muitos e muitos dias seguidos, que pouca coisa nos demovia.
Os chinelos de solas fatiadas com as cores do arco íris e que eram tal e qual as havainas, mas que ainda não se chamavam assim (!!!!)!
O arroz branco da Brisa, o enorme aquário da Brisa!
A infância!
A Bola de Nívea! E a própria Nívea!

*Como uma foto postada inocentemente no Facebook se transforma em máquina do tempo. Obrigada :)

viernes, 7 de octubre de 2011

JOANA

Impossível não escrever aqui o teu nome.
Impossível escrever mais do que o teu nome, sem que me pareçam banalidades, desajustadas relativamente ao que és e ao que significas para mim...

martes, 21 de junio de 2011

Gosto de galos de Barcelos

... e gosto da olaria de Barcelos, em geral. E gosto dos galos com a pintura tradicional, como o que comprei na feira de Caminha no mesmo dia em que comprei mais alguns em bruto, prontinhos a decorar a gosto. Foi o que fiz, muitos meses depois de os comprar, para os transformar em presentes de Natal para pessoas especiais.

jueves, 19 de mayo de 2011

TU

A elasticidade da dignidade de cada um determina a quantidade de sapos que consegue engolir.
Admiro-te por não desceres a fasquia da tua. Admiro-te por não te acomodares, por não te resignares e por acreditares em ti a esse ponto.
Poderia só te amar, mas também te admiro.

lunes, 14 de febrero de 2011

Junquilhos senhores! Junquilhos!

Não me lembro em que aniversário me ofereceu a minha mãe pela primeira vez junquilhos! Mas o junquilho tornou-se a partir daí a minha flor preferida e foi provavelmente a primeira que alguma vez me ofereceram.

Agora é já uma tradição a que se aliou também a minha tia Alice! Recebo quase sempre junquilhos em dose dupla pelos anos!

Diz-se que é a primeira flor que desabrocha, a anunciar a proximidade da Primavera! Diz-se que lhe chamam também narciso, o símbolo da vaidade!




Nisto dos junquilhos, há uma sequência obrigatória: esta, que inclui a cena que começa no minuto 3, 30!

jueves, 3 de febrero de 2011

Por enquanto é sem título

António Fernandes Pereira Marques e Adelaide de Oliveira Rocha. Fixaste?
É o que de mais antigo conheço genuinamente de ti.
Criaram-me. (Gosto do duplo sentido do verbo criar!)
Um bocadinho de ti vem deles e garanto-te desde já, que te podes orgulhar da Adelaide, que vendia peixe na Ribeira com a mãe e depois criou meninos e meninas como eu, e do António, que trabalhou quase toda a vida nos STCP. Depois de se reformar, dedicou-se à pastorícia: era o Sr. António das Ovelhas, que fazia parar o trânsito com o rebanho, pelas ruas de Leça do Balio. Por consequência nós, os familiares, não tínhamos direito a nome, éramos qualquer coisa como "a neta do Sr. António das Ovelhas"!

jueves, 16 de septiembre de 2010

FADO

Na sala ainda se falava quando principiavam a sussurar a guitarra e a viola... Percebemos a ideia e passámos a sussurar também até nos calarmos de vez. Ela pega no xaile negro de franjas longas e coloca-o sobre um ombro apenas, deixando-o descair no outro até à linha da cintura. Volta-se para os seus músicos e segreda-lhes... o nome da música, julgo.

Não nos olha nunca, mas dá a volta à sala com os olhos antes de os fechar e começar a cantar, a contar-nos uma história que nos fala da saudade, da dor do desamor e da ausência...
Compreendo ao ouvi-la que é obrigatório ter sofrido por amor algum dia. É obrigatório para entender boa parte da poesia, boa parte da arte, boa parte da verdade que há quando um artista se dá.
E lembrei-me das palavras que um dia um amigo, amante de Fado, me disse: "É fadista aquele que sente o Fado e não apenas quem o canta e nem sempre quem o canta."

martes, 7 de septiembre de 2010

Como?

Um filme sobre o que mais importa:
Amizade
Ética
Dignidade
Justiça (acima da verdade)
Amor
Humor


Um filme que eu já não esperava ver no cinema porque adiei muito a ida. Surpreendentemente persiste no king e ontem ainda a sala estava bem composta, numa sessão de fim de tarde.

miércoles, 4 de agosto de 2010

Ausência

Orgulho-me de Ti quando ganhas e quando perdes.
Sobretudo quando perdes.
Sabes que é maior a vitória dos que sabem perder. E Tu sabes, porque logo Te prontificas para reiniciar a luta, ou mudar de luta. Sim. É sempre de vitória essa Tua atitude.

Tenho fingido que não me atormenta que estejas longe.
Não sei se finjo por mim, se finjo para mim,
se o faço por Ela, para Ela,
ou por Ti, para Ti.
Quando ouço o nome desse país que Te alugou,
quando leio sobre ele,
instala-se em mim um certo mal-estar,
não sei se é na barriga, se é no peito ou na garganta.
Doi-me assim a Tua ausência.
Claro que não quero falar sobre isso.
Não é do Teu feitio,
nem do meu,
o que herdei de Ti.

lunes, 2 de agosto de 2010

O amor é:

"No Japão não dizemos amo-te em voz alta, mas... se me dissessem que teria que morrer pela minha mulher e pelos meus filhos, fá-lo-ia. Acho que é isso o amor."

Seis realizadores partiram pelo mundo e perguntaram "o que é o amor?"
Esta é uma das cinco mil respostas que registaram num documentário, que conclui o óbvio, tantas vezes esquecido: somos seis milhões de seres iguais quando as borboletas nos tomam de assalto a barriga... e mesmo depois delas pousarem, quando o amor é dos que sobrevive e amadurece...

A RTP2 passa algumas das respostas de tempos a tempos.

martes, 27 de julio de 2010

Sinais de fogo

Cinzas. Era a isso que cheirava com e mesmo sem a janela aberta. As cinzas que pareciam mirar-se ao espelho, tal era a cor do céu. E era também de cinzas que falavam os noticiários de meia em meia hora: 12 incêndios activos e 600 bombeiros a tentar travá-los.
The same old story.
Há muitos anos, na saudosa Grande Reportagem, já se denunciava o como e o porquê. Fazia-se o diagnóstico e prescrevia-se a receita de cura. Diagnóstico várias vezes repetido. Receita parcialmente adoptada. Como os antibióticos que não se tomam até ao fim...
A reflorestação continua a primar pela desorganização. Aquela imagem das florestas alinhadas quase geometricamente, de solos arejados, não nos pertence ainda, o que facilita a vida dos que as querem ver a arder.

Remoía isto tudo enquanto seguíamos o caminho que apelidámos de "o caminho das cegonhas". E lá estavam elas, empoleiradas nos ninhos que montaram nas "pontes" metálicas que sustêm as tabuletas azuis de sinalização das estradas, como estão sempre, aparentemente indiferentes ao tráfego, que, diga-se, é reduzido. Ainda não se paga neste troço de auto-estrata que compete com a A1, mas que quase toda a gente, generosamente, faz questão de ignorar, contribuindo para o sossego dos que por lá passam... Na volta foi construída em abono do aumento da taxa de natalidade das cegonhas!?

De repente anoitecia e detrás de um arvoredo ainda esquecido, mostra-se-nos a Lua Cheia. Mais alaranjada do que dourada, atrevida, num céu cinzento...
A máquina fotográfica estava na mala do carro e fingi que não sabia que fotografar a Lua Cheia, mesmo com uma boa objectiva, é quase sempre registar uma bolinha minúscula, infiel à original. Saquei do telemóvel e Tu, mesmo sem eu te pedir, cúmplice da minha ilusão, chegas-nos para a faixa da esquerda, favorecendo o meu ângulo, como que a dizer-me "agora, dispara agora!"

Destes sinais eu gosto.

lunes, 12 de julio de 2010

Coração 1 - Razão 0


Com um beijo, quase todos nos rendemos a Casillas... Falta de profissionalismo? Nada disso, que não era hora para isso... O descontrolo, assim, também é prova de grandeza, na mesma medida em que o controlo, nesta situação, também o seria, por muito paradoxal que possa soar esta argumentação.
Quem nunca cedeu ao coração, que atire a primeira pedra... Ou ampute a que no peito responde em lugar do coração.
Um beijo assim não quer saber da razão para nada, porque a paixão não lhe obedece.
O vídeo correu os jornais de todo o mundo, os blogues, as redes sociais... e até sofrerá com toda essa erosão, mas para alguns (para mim, seguramente) é o que fica deste Mundial, juntamente com as palavras (ditadas pelo mesmo órgão vital) do treinador do Uruguay, depois de derrotar a Argentina: "Não jogámos bem, mas parece que há qualquer coisa que nos está a empurrar. Não sei o que será, deve ser a força destes rapazes."

Que força é essa?

martes, 15 de junio de 2010

Descontrolo e sonho

Apostei na Argentina e em Portugal. De acordo com as regras do meu clube (portugueses e espanhóis com quem trabalho) de apostas posso mudar de ideias, mas só até amanhã. Não mudarei.

Maradona está no pólo oposto ao do Mourinho, de quem sou fã sem reticências e sem "mas".
Maradona está de pé, contra as estatísticas, contra quase todas as apostas, contra a moral, contra o bom senso e contra muitas coisas de que eu sou a favor, mas ainda assim torço por ele, torço pelo seu poder de contrariar, pela capacidade de sonhar que ele inspira...

A menos de uma hora de entrarem no covil das vuvuzelas, os que vestem a nossa camisola estão a latejar, imagino...
Não somos todos iguais, mas para mim são esses os momentos que valem mais, como quando via e escutava os músicos da EPABI a afinarem os instrumentos mesmo antes de iniciar o concerto. Adorava aqueles sons, os gestos nervosos, o brilhozinho nos olhos... O mesmo brilho e os mesmos nervos que nos mantinham em frenesim antes de se abrir a cortina para a plateia negra e expectante...
Vale tudo mais quando nos sentimos assim: prestes a entrar em "campo" e a dar tudo por tudo para "pontuar"!

Agora mesmo, no meu cérebro, é como se ressoassem vuvuzelas!

PS: o melhor calendário do mundial

miércoles, 26 de mayo de 2010

"Reviver o passado... na Covilhã" com "os amigos de... João"


"Um funeral à chuva" não é um filme brilhante, mas soube-me bem a sessão (a ante-estreia no São Jorge) pelo sentimento fácil de identificação. De alguma forma é um filme em que paira um bocadinho de mim e de alguns dos meus, num lugar que associo a muitas gargalhadas e a algumas dores de crescimento: a Covilhã, onde é bom voltar também desta forma.

O curso de cinema da UBI está a dar frutos: uma produtora criada na Covilhã por ex-ubianos a filmar a cidade e a ubilândia. A isso e à campanha de promoção que está a ser feita, sobretudo online, bato palmas.
Um filme para rever, talvez daqui a muitos anos...

martes, 30 de marzo de 2010

Os cinco

A Maria quis pôr-nos a falar de livros, dos livros de que mais gostámos, dos que mexeram connosco... A Anita começou por ser para mim "o livro do sapo"... Conheci-o em casa da minha Tia Alice, que frequentava quase todos os sábados, muito antes de saber que sons desenhavam as letras. Tanto a minha madrinha como a minha prima Paula tinham vários "sapos"... De cada vez que assaltava a estante da sala de estar e abria um desses livros encontrava o meu amigo sapo e outros animais que forravam o papelão duro interior da capa e da contracapa dos livros da Anita antigos... São os primeiros livros de que tenho memória e provavelmente por eles comecei a gostar da ideia de ler. A minha madrinha tratou de me saciar esse apetite pela leitura, ao ritmo de um livro por mês, assim que eu comecei a ler e que ela começou a trabalhar. Foi sem qualquer dúvida a pessoa que mais livros me ofereceu na vida: os livros da Anita, da Patrícia...
Destaco o "Anita no Ballet" por ter sido lido vezes sem conta, por ver repetidamente aquelas posições, por treinar a partir delas, por ter decidido que queria aprender ballet também por elas, por depois ter percebido o tanto que gostava de dança e por ser a dançar que passo dos melhores momentos da minha vida!
Voltas a ser tu a culpada deste madrinha ;) Foste tu que me emprestaste "O Diário de Annne Frank". Eu teria talvez uns 12, 13 anos... e era com esta capa velhinha das Edições Brasil... Adorei na altura. Acho que me marcou como nenhum outro livro me viria a marcar: porque era a história da descoberta da adolescência de uma menina mulher numa altura em que eu também estranhava essa passagem, que tanto me questionava sobre ela; porque foi um contacto tão real com a História, o meu primeiro relatado na primeira pessoa. Uma História tão recente, tão vergonhosa e tão elucidativa e desmitificadora do bom senso e da bondade humana. Fiz questão, quando estive em Amesterdão, de conhecer os cantos e contornos do espaço que serviu de esconderijo e casa a Anne, à sua família e ao amiguinho Peter, antes de ser apanhada pela polícia e acabar num campo de concentração. E faço questão de lá levar os filhos que eventualmente venha a ter. E isso é uma promessa, como prometo motivá-los para a leitura deste diário.
Uma vez escrevi que este era o livro que gostaria de ter escrito, de tal maneira a poesia se encontra com a prosa nesta história, mas é mentira! Na verdade não quereria tê-lo escrito. Não mais. Sobre a história de amor, esta, nem sou capaz de escrever. Seria sempre pouco e desajustado.
Por que nã0? A proposta deste livro faz-nos pensar até que ponto somos capazes de amar apenas uma pessoa de cada vez, se sentimos desejo por tantas outras ao longo da vida e muitas vezes em simultâneo. Somos todos capazes de ser sacanas se formos devidamente postos à prova? Estamos apenas presos por um código de conduta, que não discutimos, não aprovámos, nem reprovámos? Aceitámo-lo tacitamente, quase só porque sim.
Penso num livro português de que tivesse gostado particularmente e este sai quase sempre entre os primeiros na minha cabeça. Coloca problemas semelhantes aos colocados em "Três Sereias". Defende o amor. Atiça-se contra os preconceitos. Um grande livro é também aquele que nos coloca a torcer pelo que habitualmente não torceríamos. Troca-nos as voltas, rasga caminhos novos. Fechada a última página, somos mais pessoa.

jueves, 21 de enero de 2010

Si

"Corre deprisa que el mundo se amarga, que el amor se muere, que el amor se acaba..."

Acabadinha de roubar a um amigo que a postou no Facebook, a quem pedi satisfações sobre a autoria: É a letra de um tema antigo de Flamenco cantado pelo Camaron de la Isla e que o Potito recuperou. "Rosa del amor"