Mostrando entradas con la etiqueta jornalismo. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta jornalismo. Mostrar todas las entradas

lunes, 29 de febrero de 2016

À sombra do "Spotlight"

Tendo em conta que o único filme nomeado para melhor filme nos Óscares 2016 que eu vi foi o "Spotlight", pouco posso dizer da justiça ou injustiça da escolha da Academia.

O que eu posso dizer é que o filme tem um elevado poder de moralização (a Academia não resiste a colar-se a esse poder): não estou a referir-me ao crime que a igreja católica cometeu ao autorizar a impunidade e a persistência da prática de crimes sexuais (a esse respeito, o filme limita-se ao que já se sabia), mas sim ao mérito da investigação no jornalismo. Essa é a tecla em que vale a pena insistir.


Eu gostava de saber quantos editores, chefes de redação, diretores de órgãos de informação coraram de vergonha ao verem o filme?


A denúncia óbvia do filme é menos importante do que o que ele denuncia indiretamente: a falta que fazem "Rezendes" nas redações.
E um filme que obriga a classe jornalística e a igreja a olhar-se ao espelho desta forma é capaz de merecer um óscar, mesmo sem ser um grande filme.


martes, 19 de mayo de 2015

Imunidade jornalística

No âmbito da justiça, a possibilidade da existência de imunidade é por si só injusta...
Ela existe para os políticos! Aberração!
Ela existe de forma bem mais perigosa (mais dissimulada) para os jornalistas!


Resumindo: um polícia excedeu-se e irá pagar por isso! Acredito sinceramente que vai pagar por isso!
Um adepto poderá ter sido incorreto (provavelmente nunca saberemos), mas já temos a certeza de que não vai responder por isso! Caía o Carmo e a Trindade dos "justiceiros de trazer por casa"!
Um canal de TV explorou a dor e o medo de uma criança (cujo rosto não foi bem protegido) e nunca, mas nunca pagará por isso! E não conheço ninguém de direito que manifeste qualquer tipo de preocupação com esse tema! Bem pelo contrário, li até coisas como: o câmara da CM TV foi inteligente ao filmar a criança!
Já eu, só posso classificar o editor que autorizou a divulgação dessas imagens, sem proteger a criança (que é facilmente reconhecida), de cretino!
É nesta altura que só me valem os palavrões!

Nem vou falar da atitude oportunista do presidente do Benfica ao convidar a criança para erguer a taça!

miércoles, 28 de enero de 2015

Miep Gies-Santrouschitz, Jo Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl*

A Anabela Mota Ribeiro faz o tipo de jornalismo que aprecio: boas histórias, nem sempre óbvias, bem escritas e ligeiramente egotistas. (Se o ego do jornalista for omitido, perde-se a alma da escrita, pelo menos nos géneros reportagem e entrevista. É controverso, eu sei, e está longe do que se ensina nas escolas, mas é assim que eu gosto).


Esta visita à Anne Frank Huis é disso um bom exemplo, sem nunca trair o essencial: a consciência do que foi o Holocausto. Voltarei a esta casa, que conheci pela leitura do diário, na adolescência, que reconheci e estranhei, quando a pisei, já adulta, e onde quero voltar com a minha filha.


*Os nomes dos que ajudaram a família de Anne enquanto "mergulharam" no esconderijo. Desses  também reza a História.

martes, 18 de febrero de 2014

jueves, 30 de enero de 2014

Moralizar no século XXI

Se eu escrevesse as minhas memórias (que é mais ou menos o que estou a fazer), poderia recorrer à lamentável expressão "no meu tempo" e lembrar que, surpreendentemente, "no meu tempo":

- Versalles recusou "A Noiva" (candelabro gigante feito com tampões, que pode ser agora apreciado no Museu de Arte Contemporânea de Elvas) de Joana Vasconcelos na mega exposição que lhe dedicou!

- o parlamento sueco retirou da sua sala de jantar uma pintura barroca, do século XVII, onde figuravam seios!

- a imprensa portuguesa questionou o tamanho da saia da assessora de Cavaco!

- advogados "invejosos" fizeram queixas à Ordem dos Advogados de um vídeo feito por uma firma de advogadas, que não escondiam serem giras e eficientes ao ponto de ganhar para se vestirem com peças caras e de bom gosto (o que é discutível, mas não condenável)!
(E ao que consta, são mesmo eficientes! Também consta que o vídeo chamou a atenção de magnatas angolanos! Oh, que chatice! Vão roubar potenciais clientes chorudos às firmas mais "cinzentonas"! Go girls!)

- a sociedade lembrou-se agora de transformar os estudantes universitários em monstros, capazes de humilhar os seus semelhantes, sacudindo a culpa que realmente tem ao não preparar em casa, que é onde a Educação deve legislar, as crianças e os jovens para dizer NÂO, sem medo de retaliações sociais, para defender os que são mais fracos e que por isso não conseguem vocalizar esse Não, e, sobretudo, para distinguir o que é certo do que é errado.
Se a "praxe" está ao serviço da estupidez (como parece estar em vários casos), acabar com a praxe acaba com a estupidez? Que fácil seria a solução...
Pela minha experiência, que foi positiva, argumento a favor da praxe, que se ela serve de alibi para a estupidez, também serve de alibi para vencer a timidez, para o engate, para a paródia de todos os envolvidos... Tudo isto (estupidez incluída) pode acontecer com ou sem praxe.

Ainda não se sabe ao certo o que sucedeu no Meco (até pode ter sido só um lamentável acidente do mesmo calibre dos que vitimizam os curiosos "aventureiros" que gostam de ver as ondas mais de perto, sentir na cara a lama dos carros de rali e afins), mas a sapiente opinião pública já encontrou culpados, a mesma que não duvida da culpa dos pais da Maddie e dos pais do menino da Madeira!
Para quê Justiça, quando temos civis com tão elevadas capacidades, eivados de espírito de cruzada, prontinhos a moralizar os menos atentos, ingénuos, que como eu admitem a inocência destes "óbvios culpados"? Como ousamos relegar para a PJ a tarefa de investigar a verdade?

E COERÊNCIA? Essa virtude raríssima (inantingível, arrisco-me a rotular), já que muitos/alguns dos que não hesitam em "fazer justiça" na praça pública são os mesmos que optam pelo adjetivo "paneleiro" ou "preto", em vez do nome próprio, quando se referem, respetivamente, a um determinado homossexual, ou pessoa de raça negra, entre outras façanhas de equiparável potencial humilhatório, seja com a capa humorística ou não!

miércoles, 3 de abril de 2013

Falta de visão

Volta e meia recebo no mail histórias suspeitas e já aconteceu descobrir que se tratam de embustes depois de as googlar: artigos de opinião assinados por especialistas que não existem, a "descoberta da pólvora", nas suas mais diversas versões...

A aldeia global está cheia de minas, sobretudo para os que querem fazer jornalismo, e acreditar tornou-se ato* mais trabalhoso. Por outro lado, confirmar as fontes nunca foi tão fácil (salvo raras exceções)...

Na semana passada, a Visão tropeçou numa mina: publicou o que se revelou ser uma fotomontagem de Ronaldo a segurar um cartaz com uma mensagem a favor da Palestina.
É grave. Eu acho grave, sobretudo porque se tornou banal cometer este tipo de erros e as redações não investem tempo no contraditório.

Quando o jornalismo perde a obrigação (que o define) de contar a verdade, de a procurar, da obrigação decisiva para se distinguir da variedade de informação que circula online ao abrigo de outras capas, deixa de ser jornalismo.

*Passei a adotar o acordo ortográfico e passei a concordar com ele porque tenho uma filha que vai aprender a escrever com este português e porque o acordo ortográfico é também favorável ao jornalismo: há muito que nos circunscrevemos a um mercado de 10 milhões e desprezamos os milhões de leitores que falam, escrevem e lêem português. O acordo ortográfico impõe o português como uma ferramenta de trabalho mais inclusiva. Está na hora de os jornais e revistas portuguesas aproveitarem a oportunidade gerada pelo acordo e investirem a sério em delegações em África (no Brasil será mais difícil, dado o número de concorrentes...),  para ganharmos publicações com uma cobertura expressiva (digna) do mundo lusófono. Faz sentido também do ponto de vista comercial, já que muitas empresas estão (finalmente) a levar as suas marcas para os países lusófonos e através de um só suporte poderiam chegar a estes mercados.
Enfim, contratem-me!

jueves, 13 de diciembre de 2012

A transportar para 2013

Há ideias potencialmente luminosas e simultaneamente imprecisas, como raios de luz desenhados em parceria pela poeira e pelo Sol.

A que tenho para o futuro deste blogue (ou talvez de outro) parece-me assim...

PS: Achei que o devia escrever, como que a comprometer-me. Preciso de me comprometer com ideias para as concretizar, porque é-me tão mais fácil magicar outras...

miércoles, 3 de octubre de 2012

Publicidade goleia jornalismo

No caso da campanha da Cacharel, a minha leitura é a seguinte: fait divers 0 - campanha da Cacharel 10!

O "espírito benfiquista" (leia-se: a culpa é sempre de terceiros) contamina o caso: em vez de se reflectir sobre a razão pela qual "um rapaz alegadamente apaixonado e à procura da moça" mereceu tanta cobertura jornalística, é mais fácil crucificar a Cacharel!

Houve, no entanto, algum entusiamo desmedido e por isso ingénuo da Cacharel, ao permitir que o tal "Ricardo" fosse entrevistado pela TVI, sem antecipar que a opinião pública não paparia de bom grado o logro.

martes, 2 de octubre de 2012

Anonimato nas luzes da ribalta

No Abrupto, o que mais gosto é do nome. Ainda assim, de vez em quando, visito-o.

Cito o que escreve Pacheco Pereira  sobre a manipulação política, com a cumplicidade do que alguns chamam de jornalismo:

"ÍNDICE DO SITUACIONISMO: "RECADOS" ANÓNIMOS

A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

Há vários problemas no nosso jornalismo político que são endémicos e contribuem para a sua má qualidade, entre eles a fusão de "recados" com fontes anónimas. Os "recados" são uma pura manipulação da opinião pública, transmitindo um discurso sem edição, que diz o que quer, que antecipa o que quer e que não precisa de ser confrontado com a realidade, nem com o contraditório. É um tipo de discurso político "limpo", sem mediação jornalística, que agrada aos políticos e manipula o jornalismo e a opinião.

O Expresso publica um por semana, tendo como origem o governo, e os gabinetes do Primeiro-ministro e do ministro Relvas, mais a sua multidão de assessores. Têm para quem os emite a vantagem de fornecer uma versão das coisas que é favorável ao poder, que ocupa normalmente uma primeira página e o seu título principal de forma vantajosa. Evita outra primeira página eventualmente mais hostil e pretende condicionar a opinião, fazer uma ameaça velada, ou testar a reacção a uma determinada medida. Muitas vezes pouco mais é do que a descrição de um "estado de alma" qualquer do primeiro-ministro (PM), destinado a sugerir que ele "sente" as mesmas indignações que o "povo", mesmo que não faça nada em consequência.
Os "recados" de hoje são mais do que isso:
"É preciso dar uma pedrada no charco e neste momento ele está claramente a pensar nisso e tem tudo em aberto: pode ser antes, durante ou após a apresentação do OE em 15 de Outubro" ("fonte próxima do PM").
"Se o PM recuou na TSU, também tem a agilidade, sem tabus, de rever o que está mal no governo." ("fonte oficial") .
Não tenho dúvidas sobre a fonte, foi o PM, ou alguém por "ele", como é identificado, que disse isto ao Expresso, usando o anonimato para exprimir não apenas opiniões, mas pressupostas intenções pessoais do PM. Num país em que houvesse um mínimo de vergonha, o Ministro da Economia apresentava a demissão de imediato, e se o ministro Relvas não estivesse envolvido na combinação, faria o mesmo. Para contentar a opinião pública, o PM ataca o seu próprio governo, debaixo da cobertura do anonimato, para transmitir uma "imagem" de determinação e firmeza em dia de manifestações. Não há uma linha destes "recados", que atravessam toda a "notícia", que não seja pura manipulação. No fundo é mais um sinal alarmante do grau de decomposição e desorientação do governo e do PM."

lunes, 24 de septiembre de 2012

Bom senso

Ando a levar-me demasiado a sério e este paleio está a ficar uma grande seca...

... mas apetece-me registar que aprecio o bom senso com que a revista  The Economist aconselha o mundo:

Nesta edição, uma tartaruga faz o papel de editor ao responder "Sadly, yes" à pergunta da capa. No artigo ficamos a saber que a Ásia anda a brigar por uma pequena ilha (intencionalmente fotografada para ficar pequena na capa e assim ridicularizar a disputa), por uma questão de soberania. Oportunidade (escreve o jornalista) para a China mostrar que está mais empenhada em manter a paz, beneficiando do crescimento que protagoniza.

No site da revista, escreve-se sobre o eventual novo país europeu: o crescente apetite de alguns catalães (cada vez mais, aparentemente) pela independência, para que os impostos dos catalães permaneçam na Catalunha.
No fim do artigo, conclui-se: "The direct causes of Catalonia’s economic woes are recession and ruinous administration by previous regional governments. Independence does not change that."

Se a independência catalã se concretizar, fica dado pontapé de partida para o fim do Euro. Se isso é bom ou mau, não sei responder.

P.S. Também me pergunto quantos deputados e governantes deste país lerão esta revista?

miércoles, 19 de septiembre de 2012

Ser ou não ser Jornalismo?

Lê-se na Monocolumn de ontem da fantástica Monocle: "Referring to a story the paper had recently run about allegations of voter fraud, national editor Sam Sifton said, “It’s not our job to litigate it in the paper. We need to state what each side says.” Fine, do that. But don’t call it journalism – that’s stenography.

O que acontece diariamente no jornais é mera estenografia: pouco se prova, pouco se questiona, apenas se denuncia - alegadamente, e a suspeita passou a protagonista de uma boa parte das histórias.

O desejável remata o mesmo artigo: “The more news organisations can state established truths and stand by them, the better off the readership – and the democracy – will be.”

jueves, 7 de julio de 2011

O anjo da guarda...

Eu creio também neste anjo, que por vezes nos planta à frente dos olhos e dos ouvidos exactamente o que precisamos, a pista gostosa para acrescentar valor a um texto, a dica para um novo artigo, o momento em que o destino nos parece um amigo: Ele existe Fernando Alves.

lunes, 30 de mayo de 2011

A teoria do oito

Justamente quando me preparo para fazer um trabalho sobre pedra, apanho um documentário na RTP 2 sobre o escultor português Carlos Bunga, mais concretamente sobre a sua passagem pela Bienal de Carrara, que é a Vila Viçosa/Estremoz de Itália e foi de onde o Miguel Ângelo sacou o bloco de mármore, que transformou no gigante David (sim, imagine-se como seria Golias!), a única estátua por quem eu aceitei estar numa longa fila! (Mas depois valeu a pena e a melhor forma de explicar que valeu a pena é dizer que não sei como fazê-lo: fica-se ali, a babar, embasbacadamente, a pensar que o divino é aquilo que se está a sentir!)

Isto tudo porque "visitar" Carrara antes de fazer o trabalho sobre pedra é daqueles "ovos Kinder" do acaso, que me deixam sentir que a vida volta e meia me pisca o olho!

lunes, 28 de febrero de 2011

A entrevista de Oriana Fallaci a Khaddafi

Há uns anos emprestaram-me o "Carta a um menino que não chegou a nascer", um livro que na altura gostei muito de ler. É da Oriana Fallaci, uma jornalista e escritora conotada com a esquerda italiana, no início da sua carreira, crítica de muitos aspectos (os criticáveis, digo eu) do mundo islâmico.

Gostei tanto do livro que comprei outro da mesma autora, durante a viagem de interrail pela Itália. Comprei-o na língua original, ainda não o li...

Vou lendo mais sobre ela do que coisas dela. Hoje esbarrei com esta entrevista da jornalista a Khaddafi. Uma republicação de parte de uma entrevista feita em 1979, altura em que o provável futuro ex-líder líbio fazia esta comparação:

"You do not understand the difference that exists between me and them, between Khomeini and them. Hitler and Mussolini exploited the support of the masses to rule the people. We revolutionaries enjoy the support of the masses to help the people become capable of ruling themselves on their own. I myself am constantly appealing to the masses to govern on their own. I say to my people: ‘If you love me, listen to me. And govern yourselves on your own’. That’s why they love me because, unlike Hitler, who said ‘I’ll do it all for you’, I say ‘Do it on your own’”.

And now, what?

martes, 22 de febrero de 2011

O menino que sobreviveu ao abutre e o fotógrafo que não sobreviveu à indiferença (a sua)

O medidor da nossa indiferença não é indiferente à frequência com que a realidade nos testa. E decidir em situação nem sempre é o mesmo que decidir em consciência.

Kevin Carter decidiu carregar no botão para contar a história do bebé desnutrido e do abutre espectante. A foto de 1993 (Sudão) foi publicada pelo The New York Times e ganhou o Pulitzer no ano a seguir. O fotógrafo suicidou-se.
O El Mundo foi resgatar esta história: o menino não chegou a servir de refeição ao abutre. Morreu quatro anos depois de febre.
Não pretendo defender o fotógrafo, que estas questões não me despertam julgamentos fáceis. O fotógrafo não salvou o menino, nem nenhum dos outros meninos que morrem à fome no Sudão e no resto do mundo, mas esteve lá e ter estado lá ajudou a combater a indiferença: a nossa. Ou talvez não... Porque dentro de segundos seguimos com a vida, a nossa vida a quilómetros do Sudão. E na mesma circunstância, o que faríamos?

martes, 15 de febrero de 2011

A foto

Na altura eu questionava-me sobre a ética desta capa da Time.

A foto da fotógrafa sul-africana Jodi Bieber venceu o World Press Photo 2010 e vai correr mundo em exposições. A história da jovem afegã Bibi Aisha, que agora está fisicamente recuperada, após várias cirurgias plásticas, vai correr mundo. E isso pode ser bom para todas as outras jovens.

martes, 8 de febrero de 2011

Orgulho e preconceito!

"Acontece que os crimes de violência doméstica são o resultado desta pureza de sangue; casamentos que não se discutem, filhos a quem se permite tudo, mulheres trucidadas por famílias funcionais e por ideias disfuncionais, álcool a rodos (ai, a Direcção-Geral de Saúde!), falta de dinheiro, desemprego, emprego a mais, telenovelas, sangue na estrada, miséria no lar, mau sexo e maus hábitos, machismo mariola, machismo filho da puta transmitido de pais para filhos e de mães para filhos."

Francisco José Viegas, numa reflexão que merece ser acompanhada aqui.

Não sou leitora do Correio da Manhã e julgo-o sem verdadeiramente o ler, mas concordo que o dito "jornalismo de referência" há muito que não merece esse título porque se demite de cobrir muito do Portugal real. Se o Correio da Manhã o faz bem ou mal, isso é outra conversa, mas pelo menos, ao que consta, não deixa de o fazer.

miércoles, 29 de diciembre de 2010

Dulcineia

História da Arte é o curso que irei fazer mais tarde ou mais cedo...Como sou hedonista e não me custa nada ler mais sobre, bisbilhotar sobre, visitar museus, exposições... é um curso que vou fazendo. Os pseudo testes psico-técnicos do nono ano apontavam para aí... Já se sabe que não é difícil condicionar as respostas no sentido dos resultados desejados... Mas, embora gostasse de ser conotada com essa área (devo ter lido demasiado sobre aquarianos), do alto da maturidade dos meus 14/15 anos não me via a trabalhar directamente em Artes e decidi que haveria de seguir saúde. Afinal quisera ser pediatra durante a minha infância (e bailarina), não tinha que fugir à Matemática, a "medicina" parecia ser um bom plano, aplaudido pela família chegada, e a maioria dos meus amigos também ia seguir saúde (esse foi, percebi mais tarde, o fiel da balança, que é como quem diz, o hedonismo e o curto prazo a pesarem mais).

O problema é que me engano muito mal e não foi preciso muito para enfrentar o que já sabia: estava no curso errado. Não queria ser médica coisa nenhuma (a Grey's Anatomy não passava na época!). As minhas disciplinas preferidas eram Português, Inglês e Filosofia (já não tinha Educação Visual) e as notas saíam em conformidade. Uma péssima professora de Matemática e um desajeitado professor de Física e Química, que tornavam obrigatório o fastidioso estudo por conta própria (sempre adorei aulas, mas em casa encontrava sempre melhor maneira de passar o tempo do que a estudar), contribuíram para o meu desinteresse crescente sobre essas matérias. Em contrapartida, rejubilava com a professora de Português (acho que já escrevi sobre a Angélica aqui e se não o fiz, deveria tê-lo feito, já que a Senhora foi determinante no meu percurso), que me incentivava a "mudar de vida". Foi o que fiz e não me arrependo.
Escrever continua a dar-me prazer. Fazê-lo no papel de jornalista permite-me conhecer pessoas, lugares e histórias interessantes (também acho que já escrevi isto algures por aqui, mas eu autorizo-me a ser repetitiva). E mais importante do que tudo o resto: ainda não me lembrei de nada de que gostasse de fazer mais.
Quando surge alguma ameaça nesse sentido vem precisamente do lado das Artes (ia, sem pestanejar, dirigir o gabinete de comunicação de Serralves)...
Poderia ter optado por recordar "The Fallen Madonna With the Big Boobies", que andou de mãos em mãos na saga do "Allo, Allo", mas não resisti à introspecção como prefácio à única notícia que li na totalidade durante a minha ronda pelo mundo de papel digital...
(para quem não partilhar do meu entusiasmo, abrevio: a notícia versa sobre os quadros roubados que mais infrutífero trabalho têm dado à polícia espanhola)
E nunca se sabe, se um dia tropeçaremos num destes...
A polícia espanhola, talvez pouco crente na sua recuperação, colocou-os numa base de dados a que chama Dulcineia!



Adenda: Claro que tenho esperança que alguém em Serralves chegue a este post e decida testar o meu potencial!
E se não chegarem até mim assim, é porque alguém no gabinete de comunicação não está a fazer o trabalho como deveria ;-)
E não, não estou armada em D. Quixote!

miércoles, 1 de diciembre de 2010

Declaração de independência! A minha.

A coerência é um desafio que dá um trabalho danado e valentes dores na consciência! Quando me dá para deslizar para a moralização, também acontece tropeçar nos estilhaços dos meus telhados de vidro!
Às vezes a coisa corre muito bem, como quando decidi comprar casa. Depois de sujeitar o meu “sócio” a uma argumentação quilométrica sobre como chega a ser quase indecente comprar casa nova nesta Lisboa de centro histórico moribundo… Pelo contrário, comprar em segunda ou décima quinta mão é contribuir para a preservação do edificado, desperdiçando menos recursos, porque não podemos estar sempre a criticar os prédios devolutos, as fachadas seculares em decadência e depois, na hora de intervir, preferimos uma casa num prédio novinho em folha, quase sempre encavalitado noutros velhos ou novos, sem comércio e sem jardins à volta, sem espaço para circular, sem espaço para estacionar, que é assim que se constroem a maioria dos novos prédios (acessíveis a bolsas como a minha) na Lisboa onde ainda há espaço… E acautelei também que ir para os arredores de Lisboa é acentuar o “efeito dormitório” e a desertificação do coração da cidade… Que não queria passar boa parte da minha vida em transportes públicos e que já sou deslocada da família, pelo que não era justo que também me sentisse deslocada dos amigos e da vida de que usufruo por estar em Lisboa. Que Lisboa só para trabalhar não tem graça nenhuma…
Não sei bem se foi mérito da minha choradeira, capaz de derreter o bronze ao Oscar, se da providencial clarividência do meu pai, que nos alertou para os potenciais problemas que prédios com dezenas de condóminos prometem, mas lá acabamos por eleger um apartamento usado no pitoresco (leia-se caótico) bairro dos Anjos, a dois passos da linha do afamado 28, que volta e meia suspende a marcha, momento, quase sempre longo, patrocinado por um incauto condutor que estaciona na esquina de que o eléctrico precisa para fazer a curva.
Sim, que as juntas e a CML pouco têm feito para travar a vontade de fugir dos moradores que ainda resistem em Lisboa… E isto da consciência é um luxo que nem sempre podemos autorizar…
No domínio casa, a minha consciência e a minha coerência passaram com distinção, mas não é bem assim noutros parâmetros…
Eu embirro com a maioria da nova construção em Lisboa quase tanto como me envergonho do modelo de centros comerciais à la Belmiro, que se multiplicam por este Portugal soalheiro, e no entanto passo a vida a prevaricar. Em Lisboa nem por isso, já que opto pela Baixa, para a qual consigo ir a pé, mas no Porto custa-me mais evitá-los, ou porque determinada loja não existe noutro sítio, ou porque me desafiam, ou porque eu desafio, ou porque faz frio, ou porque faz calor, ou porque o IKEA é uma âncora de peso…
E ontem, em conversa com outra portuguesa e com uma galega, a certa altura, comentávamos que no quarteirão Saldanha/Picoas há a maior concentração de centros comerciais do mundo (cinco) e esse deverá provavelmente ser um título vitalício (duvido que se repita tamanha estupidez), do qual não devemos orgulhar-nos. E toca a defender que o único conceito de centro comercial que considero tolerável é o do Fórum de Aveiro, onde as lojas têm direito a rua, mas esta não dispensa um generoso passeio coberto, que intercede contra a chuva e contra o sol…
Daqui à conversa sobre a necessidade da imparcialidade no jornalismo foi um passinho, porque às tantas digo que me apeteceria perguntar a quem de direito se têm consciência de que autorizam sem freio sucessivos caixotes de consumo, se não pensam nas consequências… Bem sei que o mercado ainda lhes dá razão e que edifícios monstruosos como o Colombo já ganharam prémios internacionais… E que as batatas fritas também fazem mal e não vamos por isso crucificar quem as produz…
Por outro lado, não é por comer batatas fritas que me vou esquecer de que fazem mal. Como também não será por ter imensa dificuldade em ser coerente, que me vou demitir de ter opinião. E, em última análise, não será por ser jornalista que o farei. E é aqui que se instala a confusão: venderam-me a imparcialidade quase como uma negação da capacidade crítica e frequentemente a confundem com ética.
A imparcialidade, da forma como eu a entendo, não existe, a não ser no formato notícia de agência, o tal que apenas responde ao “quem, quando, onde e o quê” e aflora factualmente o “como e o porquê”. Num artigo mais alargado e com alguma análise a coisa complica-se porque uma coisa é tentar ouvir todas as partes implicadas, pesquisar exaustivamente o tema, o dever de relatar a verdade, outra coisa é prescindir de sentido crítico e deixar de perguntar, de questionar, por temer denunciar que se tem esta ou aquela opinião…
O jornalismo em que eu acredito deve ter causas. Os jornais, as revistas e os demais órgãos, não prescindindo das obrigações éticas, nem do compromisso com a verdade e com a justiça, devem deixar claro o que defendem, e não estou a falar de cores políticas, estou a falar de princípios políticos, de opções editoriais claras. Se a aposta é a sustentabilidade, por exemplo, todos os artigos devem sempre que possível dar resposta às preocupações do leitor nesse domínio. Ou seja, não se trata de não noticiar mais um campo de golfe, mas sim de o fazer com o cuidado de analisar que consequências terá para a comunidade e para o país numa perspectiva de sustentabilidade, ou seja, de longo prazo. Acredito mais neste jornalismo do que noutro qualquer. Acredito mais neste tipo de fidelização de leitores (por identificação com determinados valores, por coerência) do que noutro qualquer.
E enfim, se a imparcialidade fosse um valor no jornalismo, “A Bola” não seria um obituário (do Benfica) com tantos leitores em Portugal.
E por falar em obituários, no meu gostaria que constasse o seguinte: “Foi jornalista, esforçou-se por não ser imparcial e conseguiu ser justa, bem como eticamente correcta”. Seria um final feliz.

PS: Fosse eu o Sr. Belmiro e zelaria para que alguém, no departamento de comunicação, googlasse regularmente a expressão “centro comercial” e afins, para ver o que se diz sobre o sector, o que inclui a menos filtrada blogosfera… Pode ser que assim perceba que os consumidores estão a mudar e que tem tudo a ganhar se optar por um novo paradigma! Sr. Belmiro, reinvente-se! Revolucione!