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lunes, 29 de febrero de 2016

À sombra do "Spotlight"

Tendo em conta que o único filme nomeado para melhor filme nos Óscares 2016 que eu vi foi o "Spotlight", pouco posso dizer da justiça ou injustiça da escolha da Academia.

O que eu posso dizer é que o filme tem um elevado poder de moralização (a Academia não resiste a colar-se a esse poder): não estou a referir-me ao crime que a igreja católica cometeu ao autorizar a impunidade e a persistência da prática de crimes sexuais (a esse respeito, o filme limita-se ao que já se sabia), mas sim ao mérito da investigação no jornalismo. Essa é a tecla em que vale a pena insistir.


Eu gostava de saber quantos editores, chefes de redação, diretores de órgãos de informação coraram de vergonha ao verem o filme?


A denúncia óbvia do filme é menos importante do que o que ele denuncia indiretamente: a falta que fazem "Rezendes" nas redações.
E um filme que obriga a classe jornalística e a igreja a olhar-se ao espelho desta forma é capaz de merecer um óscar, mesmo sem ser um grande filme.


lunes, 11 de mayo de 2015

Sem vir à tona

A mesma dose de opressão e de serenidade que nos oferece a água quando estamos totalmente imersos. Sentimos qualquer coisa assim com a morte dos que queremos: oprimidos e serenos com a certeza de nada podermos fazer.


Still the water atreve-se a abordar o que possivelmente mais tememos: dizer adeus aos que mais gostamos. Totalmente incómodo, mas absolutamente belo.


Antes de o realizar, Naomi Kawase perdeu a mãe adoptiva.


Vi este filme há duas semanas e foi nele que pensei quando li este poema, num dos meus blogues preferidos:  O Fio de Prumo


Mãe
Fui vê-la.
Sorriu.
O seu olhar
dis­tin­guia melhor
o invi­sí­vel de mim.
Peguei-lhe na mão,
vol­tou a sorrir.
A ela disse
o meu nome,
a idade
e apertei-lhe
de novo
as duas mãos.
Com os olhos vagos
sem me ver
can­tou bai­xi­nho
uma canção
e espe­rei.
Espe­rei
que os seus olhos
se qui­ses­sem cru­zar
com os meus.
O tempo pas­sou
e ao pas­sar
vi um anjo
entrar na sala
devagar.
As nos­sas mãos
fei­tas de raí­zes
leva­ram tempo
a despegar.
O anjo pousou.
Sem se apres­sar,
pegou-lhe na mão
para a levar.

   Rita Roquette de Vasconcellos





viernes, 9 de enero de 2015

Um conselho grego

"Não olhes para trás!
Numa estação de comboios, olhar para trás é como fazer uma promessa."


Há filmes que são um convite à viagem, neste caso a Istambul... Estou a falar de viagem e não de turismo...
É o caso do fantástico Politiki_Kouzina (distribuído em Portugal com o nome "Um toque de canela"), onde até os efeitos especiais são poéticos...

martes, 12 de noviembre de 2013

Sobre o Tempo

Sobre o "About Time", a primeira coisa que me ocorre é que deveria ter o alto patrocínio da Renova!
O tal do Richard Curtis já tinha provado antes que sabia como impulsionar o consumo de lenços!
No registo comédias românticas, eu prefiro a pronúncia britânica! Esta cumpriu.

Se mudaria alguma coisa no meu passado? (A pergunta existencialista que o filme coloca)
Claro. Tantas.
A boa notícia é que o futuro me interessa mais ainda que o passado.


martes, 17 de septiembre de 2013

Subversivo, à maneira de Gandhi ou Luther King

O mérito é do Rodrigo Leão. Foi por saber que ia ler o nome dele na tela e envaidecer-me com a música dele, que escolhi ver "O Mordomo".
Orgulho Luso!
Não sabia sobre o que tratava o filme, mas passa a estar na lista de filmes que um dia quero rever com a minha filha como mote para conversar sobre ser humano, sobre o descabido que é o racismo.
A vergonha tem memória fraca e este filme refresca-a.

martes, 23 de julio de 2013

Ficção demasiado fictícia

Gostar de cinema, ter saudades de cinema e ficar circunscrita ao cartaz do Almada Fórum (o mais próximo da baby sitter) obriga a eleger o WWZ, quando o que se queria ver era o "Antes da Meia Noite".

Filme mais ou menos. O mais é o Brad Pitt, que segura o filme, e a sequência inicial, uma espécie de volta ao mundo apocalíptica, que nos dá pistas para uma provável terceira guerra mundial. O mau é quase tudo o resto: o realizador permite-nos ser detectives e facilita-nos demasiado a tarefa de chegar à conclusão a que chegou o Brad Pitt, mas antes dele; acresce que a metáfora doz zombies está gasta.

Tendo a dar razão ao Pedro Mexia quando diz que a ficção para TV está a evoluir melhor do que a ficção para cinema.

lunes, 11 de marzo de 2013

Aos 104 anos!

Às vezes sentimos vergonha pelo que não se faz, pela falta de reconhecimento do país aos que elevam o seu nome. Como também acontece (muitas vezes) o contrário: "Momento marcante foi a sessão especial dedicada aos 70 anos de estreia do mítico “Aniki Bóbó” que serviu de pretexto para uma homenagem ao decano dos realizadores mundiais – Manoel de Oliveira – e da protagonista feminina, Fernanda Matos  (a Teresinha) . Na altura (no passado dia 6) Manoel de Oliveira confessou: “Esta noite, para mim, foi como um sonho. É pena ter chegado um bocado tarde. Isto nem em Cannes”. Uma apoteótica recepção de um público muito jovem e uma impressionante cobertura mediática foram o merecido e sentido reconhecimento de um génio, pela sua cidade natal."
Fico feliz de saber que assim foi e gostava de ter estado!

jueves, 31 de enero de 2013

A suspirar por Paris e pelo Hemingway de Corey Stoll

"Meia-noite em Paris", do Woody Allen.
Vi-o no passado fim-de-semana e encantei-me! Surprendentemente, porque embirro com o Owen Wilson (actor principal).
No entanto, adorei a mistura da viagem às duas épocas em que Paris foi a cidade mais criativa do mundo com as anotações sobre o dilema de quem sente que nasceu tarde demais.
Sentimento de identificação - inevitável.

"Let's do it, let's fall in love"

E agora ando a consumir Cole Porter em doses jeitosas!

lunes, 1 de octubre de 2012

Woody Allen, o caricaturista! Mi piace!


"Porca miséria!", diz o polícia romano, em jeito de auto-apresentação. Todo o filme é uma caricatura a Roma, no que tem de bom, e aos romanos, no que têm de... caricato! E claro, a habitual caricatura à relação do casal e dos candidatos a casal, no que têm de mais rotineiro... E à desalmada hipocondria/angústia das personagens interpretadas por Allen. E aos costumes: hilariante a ascenção e queda do "novo famoso, sem nada ter feito por isso", na mesma linha da sátira do Bruno Nogueira em "O último a sair".
Nada de novo, mas agradável. É como rever um filme de Woody Allen, sem que seja bem o mesmo filme.
O que anda a mudar é a cenografia e isso agrada-me, porque gosto de viajar pelas cidades, também através do cinema, como gosto de o fazer através de um livro.
E não vejo problema algum no facto de Allen ser pago para promover uma cidade, ao mesmo tempo que faz o que sempre fez: caricaturar. Viaja mais, conhece mais, com o aliciante desafio de ter que inventar uma história para a cidade. Ele já fazia o mesmo antes com Paris, Veneza e Manhatan e tinha que arranjar dinheiro à mesma para pagar o filme.
Paguem-me a mim para fazer o mesmo! António Costa e Rui Rio estou à Vossa inteira disposição... A desculpa de que eu não sou tão popular quanto o Allen torna o cachet bem mais negociável!

E apeteceu-me voltar a Roma: esperemos que a moedinha que atirei à Fontana coopere!
(Woody, prueba superada!)

miércoles, 27 de julio de 2011

martes, 3 de mayo de 2011

Contra o cinema empipocado marchar, marchar!

Já aqui escrevi (ou devo ter escrito) que foi no Cinecentro da Covilhã que vi mais cinema. "Cinema de autor", graças à programação do Cineclube da Covilhã.
Agora, em Lisboa, sou menos assídua, mas ainda assim frequentadora do king, do Monumental, do Nimas, do City de Alvalade e do Saldanha Residence.
Além da programação ser melhor, o ambiente também é mais apetecível, pelo sossego, pela ausência de pipocas (à excepção do City)...
Precisamente o sossego, o demasiado sossego, ditou o encerramento das salas do Residence, ou melhor o fim com a assinatura da Medeia. Menos um espaço a lutar contra a corrente. Mais uma vitória do cinema empipocado!


No Facebook, a Medeia justificava assim: "A obrigatoriedade de investimento na digitalização, somada aos contratempos inerentes à concorrência dos grandes grupos de exibição, com a oferta desmedida de bilhetes de cinema, encaminhou-nos para esta decisão. Este desequilíbrio é pautado ainda pela falta de actuação da Autoridade da Concorrência bem como do próprio Instituto do Cinema e do Audiovisual."

lunes, 18 de abril de 2011

Muitos funerais e vários casamentos

"Fica a cinco minutos do centro do Cairo e é perfeitamente visitável por quem quiser", garantiu-me o assitente egípcio de Sérgio Tréfaut, numa conversa informal com o público no final da apresentação de "Cidade dos Mortos" e "Waiting for paradise", respectivamente, um documentário sobre o mega cemitério do Cairo, que se transformou em morada para muitos dos cairenses, com o êxodo rural iniciado na década de 60, e uma curta-metragem sobre os casamentos que os novos moradores vão fazendo, "quase semanalmente".
Ao Sérgio, o que o motivou a realizar o documentário foi "a relação leve que estes cidadãos do Cairo têm com a morte", com quem vivem. Vivem nas casas funerárias, visitadas pelas famílias dos mortos à sexta-feira, o mesmo dia em que se faz nas ruas do cemitério a maior feira da cidade...

Eu não achava, até ir a Paris, que os cemitérios pudessem valer uma visita. Vi algumas esculturas belíssimas nos cemitérios de Paris. Acho que vou seguir o conselho do jovem assitente de realização egipcio, cujo nome gostava de me recordar, e quando for ao Cairo, não falharei este cemitério tão vivo.

viernes, 11 de marzo de 2011

Parvos, ma non troppo...

aqui escrevi sobre o barulho em torno da música dos Deolinda e do que chamam de "geração à rasca"... e a minha crença inicial era a de que se estava a fazer "tanto barulho para nada"...
Mas eu sou dada a mudar de ideias (não raras vezes) e hoje já me parece que talvez não seja bem assim... é que bem vistas as coisas, quão conscientes e informados estavam os manifestantes, os críticos, de cada vez que no passado se abanou o sistema?
É verdade que eu fiquei traumatizada com muitos dos protagonistas do "não pagamos" propinas (com quem convivia nas tascas onde jamais se recusavam a pagar as facturas das bebedeiras voluntárias, alibi para reprovações em várias cadeiras que escusavam de repetir e pagar segunda/terceira vez), já que defendo que os que as podem pagar, devem pagá-las (e defendia o mesmo na altura e os meus pais pagavam-nas) e talvez por isso tenda a ser demasiado exigente com a argumentação nisto das causas...
Note-se que não me privava das tascas, nem das borgas bem regadas, mas só paguei uma propina duas vezes, a da cadeira de estatística e porque optei por ver o ciclo "Azul, Branco e Vermelho" do Kieslowski, que o Cineclube passava na mesma semana do exame, no extinto Cinecentro da Covilhã (desculpa esfarrapada, já que se não deixsse o estudo para a véspera, o exame não seria incompatível com o cinema)! Não me livrei do sermão (justificadíssimo) porque os mesmos pais que me pagaram as propinas me ensinaram que a responsabilidade não era uma opção, era a única via, se queria continuar a ser patrocinada!

Por outro lado, é bem certo que bem nos podemos queixar dos político e da política e da falta de justiça nestas medidas que pedem sacrifícios a uns para pagar a crise e atribuem privilégios a outros (muitos dos responsáveis pelo fosso em que estamos)...

Quem sabe, talvez se desperte a consciência política dos jovens assim, mesmo que de forma tosca...
Quem sabe, talvez a estrutura trema mesmo e isso ajude a separar o trigo do joio...

lunes, 28 de febrero de 2011

(Elogio a Colin I)


Agora apetece-me ir cozinhar, porque me relaxa! Acho que foi mais ou menos esta bisnagada de charme que mandou o Colin Firth, no momento em que recebeu o Oscar.
Como um sonsinho pode ser encantandor... Assim é Colin I, o comedido, que fez de Jorge VI, o gago!(Não resisti ao trocadilho piroso!) Como se lê no El País: "Aunque Firth sea de esos hombres que hace de los defectos virtud."
Não vi o filme e na verdade o Colin I é a única razão pela qual iria ou irei vê-lo...

miércoles, 16 de febrero de 2011

Sobreviver ao sonho

Demorei tempo a perceber, mais até do que a aceitar, que não se pode viver intensamente sempre. Aborreciam-me os intervalos, até aprender a apreciá-los. Sei que serei para sempre hedonista e que isso nem sequer é uma opção, mas tive a sorte (não se trata de talento) de saber procurar sempre novos prazeres, mesmo que seja em coisas que são de sempre.
Não gostaria de escrever sobre economia se me resignasse com o desalento de não poder escrever sempre sobre cultura. E essa foi a grande lição (há sempre uma que é maior que todas as outras) que já aprendi: não desistir nunca de descobrir prazeres, novos, renovados...
E não se pode viver sempre intensamente porque "de tanto bater o coração pára", tem que parar!
O "Black swan" recambiou-me para o processo que me permitiu ir entendendo que não duram mais que minutos aqueles momentos em que o coração dispara, e que há que apaziaguá-lo também.
Não que o filme trate realmente disso, mas desistir da dança foi a minha primeira ferida, a primeira derrota que enfrentei, a primeira vez que percebi que acreditar na reencarnação me daria muito jeito, porque nesta vida eu já tinha um sonho a que dizer adeus. E dizer adeus a um sonho é o contrário de viver intensamente.

O filme roda precisamente sobre o duro que é viver o sonho. Aceitar o desafio de o concretizar é na realidade bem mais difícil do que ter que prescindir dele, porque é mais fácil o prazer dos intervalos ainda que menos intenso.

E na verdade, este filme do Darren Aronofsky poderia chamar-se outra vez "Requiem for a dream". E foi do trabalho do realizador e do argumento que eu mais gostei.

lunes, 14 de febrero de 2011

Junquilhos senhores! Junquilhos!

Não me lembro em que aniversário me ofereceu a minha mãe pela primeira vez junquilhos! Mas o junquilho tornou-se a partir daí a minha flor preferida e foi provavelmente a primeira que alguma vez me ofereceram.

Agora é já uma tradição a que se aliou também a minha tia Alice! Recebo quase sempre junquilhos em dose dupla pelos anos!

Diz-se que é a primeira flor que desabrocha, a anunciar a proximidade da Primavera! Diz-se que lhe chamam também narciso, o símbolo da vaidade!




Nisto dos junquilhos, há uma sequência obrigatória: esta, que inclui a cena que começa no minuto 3, 30!

jueves, 3 de febrero de 2011

Eu e o Johnny Depp sozinhos na mesma sala

Moral da história nº 1: ir ver um filme com o Johnny Depp nunca é perda de tempo.

Moral da história nº 2: revisitar Paris e Veneza, mesmo que seja só a duas dimensões, nunca é perda de tempo.

Assim sendo, "O turista" cumpriu muito bem a função de me entreter: o casting masculino rivaliza com o dos mais saudosos anúncios da Gillette, se excluirmos os "maus da fita", que também eram os feios da fita; os vestidos da Elisa eram todos muito ao meu gosto.

Não serei eu a dizer que o filme é mau, embora agradeça a todos os que o fizeram, já que contribuíram para o meu momento a sós com o Johnny.

viernes, 7 de enero de 2011

Horror meets dance


O género terror não costuma cativar-me ao ponto de pagar bilhete, mas neste caso o tema é suficiente para fazer um desvio de conduta... O realizador, Darren Aronofsky, tem antecedentes promissores (realizou o "Requiem for a Dream") e a crítica aguça o apetite...

martes, 4 de enero de 2011

A lei do Oeste


"Quando o lume deixa de arder, o que sobra são apenas cinzas."

Dizia ontem à noite a Vienna para o Johnny Guitar (que afinal era Logan, como o Whisky)