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lunes, 7 de septiembre de 2015

O sangue sírio que carregamos


A História que me contaram era, sem cerimónias, maniqueísta e nada laica: os romanos (subentenda-se cristãos) eram, grosso modo, os bons e os muçulmanos, sarracenos (subentenda-se islamistas) eram os maus!

Isto, apesar de a ocupação muçulmana na Península Ibérica ter permitido/ convivido com a continuação de práticas cristãs, ao contrário do que sucedeu mais tarde, quando se expulsaram os mouros do mesmo território!

A única forma eficiente de combater os efeitos nefastos da religião (qualquer uma) é a educação!

Não falo dessa educação que recebi já após o 25 de Abril, que dividia os povos entre bons e maus! Recordo-me de uma certa professora (que não enxergava mais além) conceder que “apesar de tudo”, a presença mourisca deixou coisas boas, ao nível da matemática, da estética, …, mas a mensagem a bold era a de que se tratavam de povos invasores, com práticas diferentes, logo (e muitas vezes só por isso) indesejáveis.

Espero que não seja esta a versão que agora se escuta nas salas de aula!

Os novos “invasores”, aos olhos de muitos, parecem ser os refugiados sírios! Que ora sacodem o pó da caridade europeia, ora agitam a nacional estupidez (que fala todas as línguas), muito fecunda sempre que se constata que o mal dos outros derruba todas as fronteiras.

Queremos sempre histórias que apontem o dedo aos bons e aos maus, queremos isolá-los, classificá-los, circunscrevê-los a uma nacionalidade e a uma geografia. Mas entender o mundo  obriga a um exercício diferente, mais descomprometido, menos romântico, mais verdadeiro.

Agora pelos sírios... Por tantos outros... Por nós.

Os mesmos sírios que descendem, por ventura, dos marinheiros e comerciantes fenícios, que em tempos andaram por cá. Acreditando que não se limitaram apenas a fazer comércio, é provável que tenhamos sangue sírio nas veias… Seguramente que o temos a pesar na consciência.

viernes, 8 de mayo de 2015

Azul e verde

- Não conheço os países nórdicos (é declaradamente um projeto), porém não posso deixar de ficar fascinada pelo que dos nórdicos se sabe: a riqueza que geram e como a administram, o respeito que parecem prestar à Natureza, a estética que conquista meio mundo (sim, IKEA e H&M também), ...
- Nunca votei em Cavaco Silva, mas reconheço que a ele (certamente através de um assessor mais arejado) muito se deve o impulso dado ao assunto Mar: colocou-o na agenda e nos discursos desde que chegou a Belém, percebendo a tendência e a oportunidade.
Desde aí não há órgão de comunicação que não faça "especiais" sobre a economia ligada ao mar e gente motivada para o pôr a render.


Por tudo isto tenho acompanhado com interesse a visita presidencial à Noruega, país que deve ao mar 45% do seu PIB!
Acresce que ser o terceiro maior exportador de hidrocarbonetos não impediu a Noruega de dar cartas também no campo das renováveis!
A Noruega tem também políticos que dizem colocar a ciência no topo das prioridades, porque sem ela a Natureza rende menos.

Se um norueguês olhar para o mapa de Portugal e reparar no enorme vizinho que temos a Oeste e a Sul deve ter vontade de rir quando escuta portugueses a dizer que Portugal é pobrezinho por falta de recursos naturais!
Ao que parece estamos a mudar: a economia verde já fatura e a azul também está bem encaminhada!

Eu acredito que é justamente o mar que nos poderá impedir de naufragar.
Eu mudava as cores da bandeira portuguesa!
Eu mudava as cores da bandeira portuguesa!


martes, 17 de junio de 2014

Dia da Consciência

"Portugal" perdeu porque jogou mal.
Não há razão para sublimar a vitória da "Alemanha", só porque é a "Alemanha".
Os alemães não nos oprimem, a Senhora Merkel não nos oprime, nem tem culpa de termos tantos políticos incompetentes, há tantos anos, à frente do país.
Os alemães levantam-se (conotativamente e denotativamente) mais depressa e são mais pragmáticos. Obtêm melhores resultados, mais depressa. Não são melhores do que os portugueses, mas sabem fazer render as qualidades que têm e Nós, os portugueses, nem sempre sabemos.
A Alemanha não tem o "melhor do mundo", nem sequer maravilhou, mas ganhou.


Mudando de tema, ou permanecendo, conforme as interpretações, hoje recorda-se a grandiosidade de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que em Bordeaux salvou muita gente da perseguição Nazi. Nazi não é sinónimo de alemão. Chega de pôr tudo no mesmo saco e chega de confundir o poder económico alemão com o nazismo.
Até porque muitos alemães também foram vítimas da perseguição nazi.
Hoje recorda-se a grandiosidade de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que em Bordeaux salvou muita gente da perseguição Nazi. E ainda bem, porque nunca é demais lembrar que "nem sempre o que os outros nos dizem para fazer é o melhor" (como alguém dizia, esta manhã, à TSF). Aristides pensou pela sua cabeça e isso justifica este "dia da Consciência".

lunes, 20 de enero de 2014

"Penso eu de que..."

Não pensei sempre assim e até é provável que mude de opinião, mas, por agora, considero que há dois caminhos para se ser ainda de esquerda: um é utópico e tem todo o meu apreço, mesmo que o considere relativamente inócuo, o outro é o da hipocrisisa. Merece desprezo.

E não é no meio que está a virtude.

viernes, 4 de octubre de 2013

Rio volta a vencer no Porto!

Eu podia alegar que me tornei numa pessoa ponderada que procura analisar as coisas a frio (gelado) e que por isso só agora comento as autárquicas, mas na realidade este post foi mentalmente escrito no domingo, assim que a SIC avançou com o "Rui Moreira vence no Porto!", e ainda está por inventar a tal máquina de transformar o pensamento em escrita...
Parecia que o meu F.C. Porto tinha voltado a vencer a Champions! Não contive um grito de alegria!
Duvidei do bom senso do povo! Afinal, se os juízes não foram capazes de o demonstrar...
Mas os portuenses (e os lisboetas também) fizeram a justiça nas urnas! Orgulho!

Não tenho ainda uma opinião formada sobre o Rui Moreira: há qualquer coisa ali de vira-casacas, não sinto convicção... mas pelo menos as promessas eram as mais sensatas! 
E qualquer coisa era melhor do que Meneses!

Fiquei também bem impressionada com o discurso do candidato socialista: oportuno e astuto este Pizarro! Provavelmente teria chegado mais longe, se tivesse havido uma maior cobertura mediática nestas eleições e debates frente-a-frente!


lunes, 22 de julio de 2013

Então?

Não, Cavaco! Erraste! (Nada a que já não nos tenhas habituado!)
Eu também gosto da poesia inerente ao "é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma!", mas o timing falhou!
Este era o timing certo para convocar eleições! Este era o timing certo para derrubar de uma assentada três maus líderes: Passos (o teimoso obtuso), Seguro (o inseguro indefinido) e Portas (o inteligente perigosíssimo)!
Este era o timing certo para o PSD empossar Rui Rio - alguém com norte, caráter e bom senso!
O melhor seria, Cavaco, que te dedicasses apenas a anilhar cagarras!

Claro que os mercados iriam despencar, a Merkl iria surtar, a troika far-nos-ia um ultimato (coisa que costuma correr-nos mal), mas concluiriam que seria um mal menor, que depois da tempestade viria a bonança...

jueves, 4 de julio de 2013

Rebobinar, desconfiar, ...

Penso vezes sem conta em como gostaria de ditar o que penso para um teclado autónomo o suficiente para dispensar as minhas ou outras mãos... Inviável, por agora.

E agora que tenho tempo para escrever, para intervir neste paleio, vítima de ausência prolongada, não me lembro de quase nenhum dos pensamentos que me pareciam merecedores de registo.

Eterna luta contra o que o tempo nos faz perder...

Ocorre-me que queria ter escrito sobre o Crivelli, o quadro privado que a imprensa portuguesa quis nacionalizar, escusando-se de investigar e contar a história como ela precisava de ser contada, porque a demagogia resulta mais fácil, vende mais, recruta mais simpatizantes... Comigo funciona precisamente ao contrário (para alguma coisa me havia de servir ser tão desconfiada - ofensivamente desconfiada, por vezes): se anda quase tudo a remar para o mesmo lado, desconfio, logo me apetece procurar argumentos para contrariar a tendência. "Por outro lado" é um dos meus pontos de partida preferidos. E, garante-me a experiência, é quase sempre uma viagem que compensa.

Sobre o Governo, quase tudo o que se lê, o que se escreve, o que penso, me parece ridículo!
Parafraseando o meu pai, só me ocorre que precisamos de trocar, em simultâneo, de Governo e de oposição!

Queria ter escrito sobre como me questiono todos os verões (uma vez chega para me desarmar) sobre o mar de pó em que se transformam os "parques de estacionamento" das praias vizinhas da Caparica! (Eleitores da margem sul, oxalá se lembrem disto nas próximas autárquicas!) -
Cada vez os tolero menos, cada vez tolero menos o tapete de toalhas que cobre as praias urbanas!
Viva o vento, que acautela o sossego nortenho!

Sinto-me cada vez menos jornalista e isso, estranhamente, inquieta-me menos: começo a aceitar-me noutra esfera, a de alguém que gosta de conhecer histórias e de as contar. Só.

A coerência dá um trabalho dos diabos e seduz-me menos do que outrora.

viernes, 22 de marzo de 2013

Rafael Bordalo Pinheiro


Como adoro todo o universo bordaliano, não poderia deixar de registar que o Google celebrou, ontem, a data de nascimento desse génio português, com um doodle do Zé Povinho, que infelizmente não perde actualidade.

A propósito, publico aqui um artigo que escrevi há alguns anos para a revista Actualidade - Economia Ibérica:

Bordalo intemporal
Caricatura, cerâmica e decoração de interiores ao serviço da crítica bem humorada e da beleza. Rafael Bordalo Pinheiro responde por tudo isso. No museu que o homenageia em Lisboa vai perceber que as obras deste artista poderiam muito bem reportar-se aos dias de hoje, apesar de ele já ter morrido há mais de um século…

Um ramo de bacalhaus presos pelo rabo enfeitam uma mísula. Mesmo ao lado, um móvel semelhante exibe uma cabeça de perú. São ambas peças de cerâmica aplicadas em madeira e ambas atestam a criatividade e o talento de Rafael Bordalo Pinheiro. Substantivos recorrentes para qualificar o mestre depois de visitar o Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa.
Por aqui é possível conhecer uma parte significativa das obras de cerâmica de Bordalo, fruto do seu interesse pela indústria do sector, das Caldas da Rainha, como recorda Pedro Bebiano Braga, o novo comissário científico e responsável pelo museu: “Em 1884 Bordalo funda a Sociedade Fabril das Caldas da Rainha. Bordalo pega na tradição e eleva-a, inova, actualizando vários moldes da cerâmica caldense. Além da louça que se vende um pouco por todo o mundo, criou várias peças únicas, de uma estética moderníssima.” Bordalo era dado aos revivalismos históricos e como tal homenageou através da cerâmica vários estilos: o mourisco, bastante presente em alguns dos seus azulejos, os anjinhos do barroco, as cordas e outros motivos que evocam o manuelino e a época de glória dos portugueses, a arte nova, as cópias da natureza representada através de reptéis, marisco,musgos, frutos, etc. Não é difícil surprendermo-nos com a riqueza dos detalhes como quando descobrimos que o que parece ser um cesto de verga é uma peça toda em cerâmica. “Bordalo deu-se ao trabalho de entrelaçar tiras de cerâmica para dar o efeito da cestaria”, garante Pedro Bebiano Braga.
Além da cerâmica, outra das facetas conhecidas e reconhecidas de Bordalo é a de caricaturista. Fundou vários jornais, onde publicava os seus desenhos. Ao jeito para desenhar aliava o poder de observação e sentido de humor, tornando-os instrumentos ao serviço da crítica política e social corrosiva e também do elogio, já que “Bordalo tinha um sentido ético notável”, comenta Pedro Bebiano Braga. “É um homem muito atento ao seu tempo e isso é quase diariamente plasmado nos seus desenhos e nas suas peças”, observa, acrescentando que “a partir dos anos 70 Bordalo entra em cena e vai dando notícia das transformações de Lisboa”, tornando impossível estudar o século XIX e início do século XX sem passar por este artista. As histórias das suas caricaturas aludem “à pequena anedota da Baixa, às grandes negociatas políticas”, dão-nos conta dos quiosques que se instalam na cidade, do banco novo da rua. E são histórias de Portugal e do mundo, frisa o historiador: “Bordalo era conhecido também fora de Portugal, já que às suas caricaturas respondiam outros caricaturistas europeus. Trocava farpas a nível internacional, numa altura em que comunicar à distância não era fácil. Chegou a ter caricaturas nas tabernas alemãs. Não se limitava a abordar a sociaedade portuguesa. Caricaturou Bismark, por exemplo.”
A dimensão internacional de Bordalo prende-se também com o facto de ter viajado bastante e ter trabalhado em Espanha, em França e no Brasil. Em Portugal era muito bem relacionado e o seu trabalho tinha tal impacto que muitas pessoas chegaram a pedir-lhe para ser caricaturado.
Bordalo não poupava políticos como o chefe do governo António Maria Fontes Pereira de Melo, através da personagem António Maria, mas o seu “boneco mais popular é o Zé Povinho. Criado a 12 de Junho de 1875, ainda hoje é evocado. Trata-se de “uma personagem ícone, que traduz o que é ser português”, explica Pedro Bebiano Braga. Na altura “iletrado, vítima, o Zé Povinho é muitas vezes representado como burro de carga do poder que o carrega”, recorda o historiador, ressalvando que “este povo resignado e adepto do deixa andar, porque sabe que as negociatas acabam por ser desmascaradas e que as coisas vão mudar, está muitas vezes a fazer o maguito, que é a sua forma de reagir”. À semelhança com os dias de hoje, na altura os tempos também eram de crise, pelo que este Zé Povinho tem algo de intemporal, ainda que já não seja iletrado. Aliás, a iliteracia permite perceber o sucesso das caricaturas: “As pessoas entendiam melhor a mensagem desenhada, já que havia muito analfabetismo. A imagem de um Zé Povinho a dar pontapés a um político, obrigando-o a sair da margem da página e a continuar a sair nas restantes páginas cria uma novela com o leitor. Apesar da mensagem ser facilmente perceptível, as caricaturas estão chegias de detalhes, que é preciso decifrar. Temos que estar atentos ao que desenham as sombras, por exemplo.”
Bordalo caricaturista e ceramista são as duas faces mais conhecidas do artista e preenchem a exposição permanente do museu. Pedro Bebiano Braga, em funções no museu desde Fevereiro quis mostrar uma nova dimensão de Bordalo, a de decorador de interiores, a descobrir na exposição temporária que o museu abriga até o dia 15 de Agosto: “Bordalo foi sempre recordado como exímio caricaturista, bem como pelas suas criações de cerâmica, mas as suas peças de mobiliário e o seu talento para a decoração estavam ainda por destacar. Trata-se de uma abordagem inédita.”
Nesta mostra temporária recorda-se que foi Bordalo que dirigiu a representação portuguesa na grande exposição universal de Paris de 1989. Podemos apreciar os cachos de uva de cerâmica que usou para decorar o espaço, onde havia um bar de provas de vinho português, conservas, artesanato… Pedro Bebiano Bordalo considera que “Bordalo teve a mestria de perceber que por cá havia valor e interessou-se pela cerâmica”, e lembra que “o nacionalismo estava em voga na altura”.
Bordalo teve também intervenções decorativas em espaços lisboetas como a famosa sala de jantar do Beau Séjour, actual gabinete de estudos olissiponenses, a Panificação Lisbonense, a tabacaria Mónaco, bem como um painel de azulejos que representa o ambiente tertuliano da cervejaria Leão de Ouro. Tudo isto é focado na exposição, onde estão várias peças de mobiliário, com aplicações de cerâmica, bem como peças de luminárias (candeiros e castiçais), molduras, caixas para relógios, cestos, etc.
Nascido numa família de artistas – o irmão Columbano era pintor, a irmã era bordadeira, fazia vitrais e empenhou-se no renascimento das rendas em Portugal - muitas vezes Bordalo trabalhava em equipa com os irmãos, cada um na sua arte.
Pedro Bebiano Braga está consciente de que sobre Bordalo ainda há muito o que explorar e pretende não só mostrar novas facetas do artista, como atraiar novos públicos: “As crianças e os séniores são os que mais visitam o museu. Temos oficinas para crianças, onde se trabalha cerâmica inspirada em Bordalo, muito frequentadas e com um enorme sucesso. A faixa etária entre os 17 e os 35 é a mais difícil de atrair, mas quando descobrem a obra de Bordalo ficam fascinados e divertem-se imenso. Também é importante dar a conhecer a dimensão internacional do trabalho de Bordalo, para atrair estrangeiros para o museu.”

Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382 -1700-097 Lisboa
www.museubordalopinheiro.pt


miércoles, 20 de febrero de 2013

A guerra de Tammam Azzam e de Graça Morais

O jovem artista sírio Tammam Azzam resgata Klimt, Warhol, Goya, Matisse, Da Vinci e muitos outros dos seus museus e transfere-os para o cenário que a Síria permite por estes dias, reinterpretando-os...


 A guerra de alertar o mundo para o que o mundo se habituou a ignorar.
Por ventura, a mesma guerra de Graça Morais, através da mostra "Os Desastres da Guerra, pintura e desenho de Graça Morais", patente na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.
E talvez a das vozes que cantam o Grândola Vila Morena...
Inócuos?
Mas inconformados.

jueves, 11 de octubre de 2012

Joana de Portugal

Consta-se que todas as princesas e rainhas Joanas da cristandade homenageavam Joana D'Arc. No entanto, quantas foram guerreiras?
Pelo menos uma, Joana de Portugal, casada com Enrique IV, de Espanha. Trocava os brocados e as rendas (importados da, na época, mais luxuosa e moderna corte portuguesa) com que limitava, generosamente, o decote, que paralisava os gulosos olhares castelhanos, pela armadura para lutar ao lado do rei contra os mouros que ainda sobravam na península.
À cobiçada rainha, linda, segundo as escrituras, a História não terá feito justiça, mas Marsílio Cassotti, autor de "A Rainha Adúltera. Joana de Portugal e o enigma da Excelente Senhora", reescreveu-a, com esse objectivo.
A mulher que criou a mais influente rainha espanhola - Isabel, a Católica, cuja vida, retratada em série, está a deixar, semanalmente, três milhões de espanhóis colados à televisão - por opção, já que a queria perto de si, de modo a evitar que casasse com Fernando de Aragão (com quem casou mesmo), comprometendo os planos portugueses (do mano Afonso V) de anexar Castela. Isabel muito terá aprendido com a culta, astuta e sedutora Joana de Portugal...
O mais singular legado de Joana terá sido, como tenta provar Marsílio, o facto de ter sido a primeira mulher do mundo inseminada artificialmente. A filha, Joana (a Excelente Senhora), que a História apelidou de bastarda e de Beltraneja (atribuída a uma relação adúltera com Beltrán de la Cueva), era, de acordo com as provas apresentadas por Marsilio, do rei Enrique, que se declarou impotente, mas não era estéril.
A ginecologia estava já bastante avançada porque assim convinha aos interesses de sucessão da realeza. E, no caso, serviu os de Castela, garantindo por inseminação artificial sucessora a Enrique. Como o que estava em jogo era o poder: difamaram a rainha para impedir que a princesa (também Joana) herdasse a coroa do pai.
Tudo seria inevitavelmente diferente se Isabel não chegasse a rainha, se Afonso V casasse com a sobrinha, para anexar Castela.Talvez não nos tivéssemos virado para o mar...

Ah! Sim, a rainha foi adúltera (por amor), mas bem depois de ter tido Joana. Nos sete primeiros anos de casamento não engravidou, nem do marido impotente, nem de nenhum outro: na época, não havia contraceptivos! Logo...
Joana tinha os traços germânicos de Enrique, contrastando com os latinos da mãe.
Isto parece fofoca histórica, mas é bem mais do que isso: é a ciência e o jogo político ao serviço do poder, na mesma família, a ibérica (casavam uns com os outros, para consumar a desejada união ibérica).

PS: Reapaixonei-me pela História!

martes, 2 de octubre de 2012

Anonimato nas luzes da ribalta

No Abrupto, o que mais gosto é do nome. Ainda assim, de vez em quando, visito-o.

Cito o que escreve Pacheco Pereira  sobre a manipulação política, com a cumplicidade do que alguns chamam de jornalismo:

"ÍNDICE DO SITUACIONISMO: "RECADOS" ANÓNIMOS

A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

Há vários problemas no nosso jornalismo político que são endémicos e contribuem para a sua má qualidade, entre eles a fusão de "recados" com fontes anónimas. Os "recados" são uma pura manipulação da opinião pública, transmitindo um discurso sem edição, que diz o que quer, que antecipa o que quer e que não precisa de ser confrontado com a realidade, nem com o contraditório. É um tipo de discurso político "limpo", sem mediação jornalística, que agrada aos políticos e manipula o jornalismo e a opinião.

O Expresso publica um por semana, tendo como origem o governo, e os gabinetes do Primeiro-ministro e do ministro Relvas, mais a sua multidão de assessores. Têm para quem os emite a vantagem de fornecer uma versão das coisas que é favorável ao poder, que ocupa normalmente uma primeira página e o seu título principal de forma vantajosa. Evita outra primeira página eventualmente mais hostil e pretende condicionar a opinião, fazer uma ameaça velada, ou testar a reacção a uma determinada medida. Muitas vezes pouco mais é do que a descrição de um "estado de alma" qualquer do primeiro-ministro (PM), destinado a sugerir que ele "sente" as mesmas indignações que o "povo", mesmo que não faça nada em consequência.
Os "recados" de hoje são mais do que isso:
"É preciso dar uma pedrada no charco e neste momento ele está claramente a pensar nisso e tem tudo em aberto: pode ser antes, durante ou após a apresentação do OE em 15 de Outubro" ("fonte próxima do PM").
"Se o PM recuou na TSU, também tem a agilidade, sem tabus, de rever o que está mal no governo." ("fonte oficial") .
Não tenho dúvidas sobre a fonte, foi o PM, ou alguém por "ele", como é identificado, que disse isto ao Expresso, usando o anonimato para exprimir não apenas opiniões, mas pressupostas intenções pessoais do PM. Num país em que houvesse um mínimo de vergonha, o Ministro da Economia apresentava a demissão de imediato, e se o ministro Relvas não estivesse envolvido na combinação, faria o mesmo. Para contentar a opinião pública, o PM ataca o seu próprio governo, debaixo da cobertura do anonimato, para transmitir uma "imagem" de determinação e firmeza em dia de manifestações. Não há uma linha destes "recados", que atravessam toda a "notícia", que não seja pura manipulação. No fundo é mais um sinal alarmante do grau de decomposição e desorientação do governo e do PM."

miércoles, 19 de septiembre de 2012

Pois.

Merecem reflexão estas frases:

"A contradição entre o mundo rico e o mundo pobre marcará o século XXI e pode engendrar uma III Guerra Mundial."
Já não será a religião nem a posse territorial .

"Se daqui a 30 anos (a contar de 1994), não tivermos dois jovens a trabalhar para manter um reformado, terá ocorrido uma catástrofe ou estarão os robôs a desempenhar essa tarefa".

Quem o disse foi o Santigo Carrillo, dirigente comunista histórico espanhol, falecido ontem e hoje tema da crónica do Fernando Alves, que terminava com o alerta: "Resta uma década para evitarmos, pelo avanço tecnológico, o lado catastrófico da previsão de um homem cujos vaticínios foram quase sempre certeiros."

lunes, 17 de septiembre de 2012

Um rufo da multidão calará a arrogância?

Na Argentina, fizeram do bater em tachos, a banda sonora da manifestação, na semana passada. A maior, dizem, durante a "dinastia" Kirchner.
Quando lia sobre isso, pensava no embriagante que é sentir que estamos todos ou quase todos a torcer para o mesmo lado. Que o mundo está farto.
E que em Portugal, pela primeira vez (enquanto só se ia ao bolso de reformados e funcionários públicos era uma coisa, mas agora a ameaça paira sobre TODOS), o povo está todo a dizer NÃO. Por isso foi a maior maifestação de sempre.
Fico contente que tenha sido pacífica.
Não fui. Tinha um excelente álibi, mas não sei se teria ido,... de qualquer forma.
Espero, no entanto, que tenha servido para acordar quem de direito.

Mas parece que ainda não...

O meu Pai dizia-me, ontem, indignado, sobre o "Não tenho pressa para ser Governo (ou coisa assim)" de Seguro: Como tem o Seguro a lata de pôr a coisa desta maneira? Quem disse a esta alminha que ser eleito é uma inevitabilidade, caso houvesse eleições? Estamos mesmo entalados entre um PS que não deixa saudades e um PSD a quem queremos dizer basta!?

Quando é que se deixa de pensar nos partidos com a mesma parte do cérebro que sustenta o clubismo?


viernes, 14 de septiembre de 2012

Maquiavélica, Eu.

Ontem escrevi isto no meu mural do Facebook: "Desconto de tempo: fosse eu editora/directora de um jornal (um qualquer) e fazia uma edição AVESTRUZ, sem qualquer referência ao estado do Estado, à classe política, às maleitas várias... só de coisas boas, bons exemplos, boa vida!
Contratem-me, vá, que a OPV não dura para sempre!"


Estava consciente dos riscos que corria, sendo jornalista (sempre achei que testar o limite dos que me conhecem é a única forma honesta de os conhecer), mas a minha proposta de alienação era e é perfeitamente consciente porque não há quem escute no meio de tanto barulho, nauseante e potencialmente inócuo. 
Acho que entrei numa espécie de greve pessoal, quando toda a gente decidiu acordar e desabafar.

(Há quem rejubile porque o PS já está à frente das intenções de voto: mas houve uma debandada geral do PS e entrou sangue novo e esclarecido sobre o que o socialismo significa e ninguém me avisou? Ou são os suspeitos do costume que alicerçam estas intenções de voto? Mas ainda há quem creia nesta alternância partidária?)

Estamos à beira da mudança, estamos a mudar já porque pensar nela é já um passo dela (perdoem-me, mas não estou a conseguir filosofar melhor do que isto)...
E eu acho, por não conceber outra posição que não a do optimismo (as discussões que Saramago teria comigo...), que mudaremos para melhor, para uma vida mais responsável e mais responsabilizante, em que progressivamente contaremos menos, cada vez menos com o Estado e mais connosco...
Eu não tenho lido o suficiente sobre o caso belga, sem governo durante meses, mas merece ser estudado. Inquieta-me.

E agora uma projeção absolutamente maquiavélica, que vai afastar a meia dúzia de leitores que ainda lêem este paleio (mas lá está, eu gosto de vos testar!), e que assenta no lado bom de Passos Coelho falhar:
1- Alguns iluminados do PSD vão contestar a actual liderança.
2- Cai o Governo e volta a haver eleições.
3- Novo congresso PSD empoleira Rui Rio (ainda estão a ler ou já estão a ligar para o 112???).
4- Rui Rio ganha as eleições.
5- Portugal recomeça!

Só Rui Rio mudaria a minha profunda convicção no voto em branco.

jueves, 13 de septiembre de 2012

Como dizer "Não"?

Juro que estou a tentar ver "the big picture", mas a câmara afunila e foca apenas pessoas. É das pessoas que se esquecem os governantes, que preferem venerar os números. Não vislumbro estratégia, mas soluções que tapam os buracos imediatos de um lado, enquanto escavam covas fundas do outro.
Juro que estou a tentar pensar que nem todos são maus rapazes, os que lá vão parar, mas não me ocorrem exemplos ilustrativos.

Juro que não sou por manifestações (pelo maniqueísmo que as orienta, traindo mesmo os mais bem intencionados), mas não tenho, de momento melhor ideia.

miércoles, 8 de agosto de 2012

Aleppo, mais uma cidade perdida

Triunfa a estupidez na Síria.
Sírios contra sírios, como se não percebessem (e muitos não percebem) como são manipulados. Nada de novo.
20 mil mortos e uma cidade em escombros. Nada de novo.
E Aleppo não é uma cidade qualquer! Foi com o Cairo e com Constantinopla palco maior da política, economia e cultura do império otomano! Se eu for à Síria quero ir a Allepo, mais do que a Damasco.
Continua a ser determinante e por isso desputada. A arquitectura e a cultura são, impunemente, danos colaterais de todas as guerras.
Perde a História. Nada de novo.

Em que medida é que se reflecte sobre isto nas escolas? Nas famílias?
Quando dei aulas de história ao sexto ano, fiquei surprendida com a dificuldade de muitos dos alunos em perceber os malefícios da ditadura salazarista, talvez ofuscados com alguns inegáveis méritos do regime, como a construção de escolas, pontes... Das vidas perdidas, da liberdade acorrentada, da fome, dos "danos colateriais" reza pouco e mal a História. E, consequentemente, os programas curriculares da discilplina.

jueves, 31 de mayo de 2012

É contra a maré que se rema!*



Já se sabe: são difíceis estes tempos, mas também não conhecemos, nem conheceremos outros. Estes são difíceis. Há sempre alguém que não nos deixa esquecer disso, todos os dias. E também já se sabe, que tempos dificéis são o álibi mais que perfeito para espantar a ousadia, esquiva que é na natureza dos que se acham mais sensatos.

Haverá alguma coisa mais castrante do que a lucidez?

É tramado arrumar as asas, em vez de alar os sonhos. E quando digo tramado, quero dizer "tramante"!

*Assim aconselham os que ensinam a navegar! De proa feita para as ondas! Para alguma coisa ainda tem que servir, sermos um país de marinheiros!

martes, 8 de mayo de 2012

Isto vai acabar à paulada!

Não conheço suficientemente monsieur Hollande, mas parece-me bem correr com o timidamente (com pezinhos de lã) xenófobo monsieur Sarkosy!

Ainda assim, teme-se o pior, com os extremos a engrossarem fileiras, quer em França, quer na Grécia! E a culpa é da mediocridade dos representantes políticos do "centro".

Em França, estavam a ser expulsos cidadãos estrangeiros, sem registo criminal e com contrato de trabalho.
Mas que merda é esta do peso das nacionalidades!? Quando a nacionalidade restringe direitos de cidadania, em qualquer lugar do mundo, está, na realidade, a impôr o nacionalismo e a xenofobia!
Não pode ser por aí!
Se alguma coisa quero ensinar à minha filha é que o lugar onde nascemos é culturalmente importante, mas não corresponde a um valor hierárquico, não define o valor de um ser humano.
Mas quando gente que estudou na casa grande (para usar uma expressão do meu pai) não percebe o elementar que isto é, está o caldo entornado!

miércoles, 2 de mayo de 2012

Mercedes, Leica e biberões

No biberão da minha filha diz ao lado do desenho de um bebé: "Quality made in Germany".!
Não diz apenas "made in Germany"!

Há muitos anos que o meu pai ambiciona comprar um Mercedes porque vê a marca como a melhor garantia de qualidade num automóvel!

Hoje li aqui, o que por cá já se sabia: as carismáticas máquinas fotográficas Leica são feitas em Famalicão.
Nós já sabíamos, mas o resto do mundo não sabe porque a máquina exibe o "made in Germany" ou "quality made in Germany"! O artigo frisa isso mesmo, começando por citar um funcionário que diz: "aqui tudo funciona de maneira diferente do que no resto de Portugal". Mais à frente o director assinala: "A máquina é feita em Portugal, mas vivemos a mentalidade alemã"!

Por isso é que eu concordo com o primeiro-ministro, quando sugeriu aos jovens que emigrassem: para abrir horizontes e ver como fazem os outros, quando fazem melhor!
É outra forma de contornar a injustiça que lamentava Martin Schulz, o alemão que preside ao Parlamento Europeu. Numa visita a Espanha, reuniu-se com um grupo de jovens espanhóis. Um artigo escrito por uma dessas jovens puxava para título:"Schulz envergonhou-se de que os seus filhos tenham mais possibilidades do que eu". Aqui

Foi disto que tratou Fernando Alves hoje.

miércoles, 8 de febrero de 2012

Não, Sr. Ministro!

O que fazer com o feriado português que provavelmente mais receitas gera, conseguindo, em simultâneo, que muito boa gente descarregue a bilis usando o humor como disfarce para criticar o Governo?

É elminá-lo já.




Ora, eliminar o "feriado" do Carnaval não é um tiro no pé, é dar o peito às balas!




O que não vai faltar é gente a desautorizar legitimamente esta ordem!




A ideia de aumentar o horário de trabalho para insuflar a produtivdade é má e não vou bater mais no ceguinho!
Eliminar feriados com o mesmo objectivo também é mau e, quanto a mim, revelar-se-á ineficaz!

Passos, bem sei que andas todo "troikado", mas não vás por aí! (Alguém se dispõe a dar um workshop sobre como aumentar a produtividade a este senhor: os contribuintes pagá-lo-iam de bom grado!)

Como sugere o meu pai (que deveria candidatar-se a Primeiro-ministro) seria mais digno dizer: "Portugueses gozem bem o Carnaval e regressem ao trabalho com mais genica e prontos a produzir melhor, mais e mais depressa!"




Deste Governo, só absolvo a Assunção!