Penso vezes sem conta em como gostaria de ditar o que penso para um teclado autónomo o suficiente para dispensar as minhas ou outras mãos... Inviável, por agora.
E agora que tenho tempo para escrever, para intervir neste paleio, vítima de ausência prolongada, não me lembro de quase nenhum dos pensamentos que me pareciam merecedores de registo.
Eterna luta contra o que o tempo nos faz perder...
Ocorre-me que queria ter escrito sobre o Crivelli, o quadro privado que a imprensa portuguesa quis nacionalizar, escusando-se de investigar e contar a história como ela precisava de ser contada, porque a demagogia resulta mais fácil, vende mais, recruta mais simpatizantes... Comigo funciona precisamente ao contrário (para alguma coisa me havia de servir ser tão desconfiada - ofensivamente desconfiada, por vezes): se anda quase tudo a remar para o mesmo lado, desconfio, logo me apetece procurar argumentos para contrariar a tendência. "Por outro lado" é um dos meus pontos de partida preferidos. E, garante-me a experiência, é quase sempre uma viagem que compensa.
Sobre o Governo, quase tudo o que se lê, o que se escreve, o que penso, me parece ridículo!
Parafraseando o meu pai, só me ocorre que precisamos de trocar, em simultâneo, de Governo e de oposição!
Queria ter escrito sobre como me questiono todos os verões (uma vez chega para me desarmar) sobre o mar de pó em que se transformam os "parques de estacionamento" das praias vizinhas da Caparica! (Eleitores da margem sul, oxalá se lembrem disto nas próximas autárquicas!) -
Cada vez os tolero menos, cada vez tolero menos o tapete de toalhas que cobre as praias urbanas!
Viva o vento, que acautela o sossego nortenho!
Sinto-me cada vez menos jornalista e isso, estranhamente, inquieta-me menos: começo a aceitar-me noutra esfera, a de alguém que gosta de conhecer histórias e de as contar. Só.
A coerência dá um trabalho dos diabos e seduz-me menos do que outrora.
jueves, 4 de julio de 2013
lunes, 6 de mayo de 2013
Agradecimento
... ao senhor do staf benfiquista que sublinhou o feito da defesa portista: uma época sem grandes penalidades contra o FCP!
Eu, por exemplo, não me tinha dado conta do mérito.
Quanto ao resto, a "vindima" ainda decorre...
Eu, por exemplo, não me tinha dado conta do mérito.
Quanto ao resto, a "vindima" ainda decorre...
miércoles, 10 de abril de 2013
Gonçalo Ribeiro Teles
Há anos que Gonçalo Ribeiro Teles alerta para o problema de petrificar a Lisboa pombalina, a cidade erguida sobre estacas de madeira e que precisa de água para as manter molhadas (de modo a não quebrarem). Há anos que alerta para a importância dos espaços verdes, das hortinhas na cidade, já que além da sua função de pulmão, concorrem para a saúde da água que anda muito abaixo dos nossos pés...
Há anos que defende um ordenamento racional do território e a preservação da variedade de espécies autóctones. Há anos que luta contra a tirania do eucalipto...
Foi das entrevistas mais aprazíveis que fiz e o tempo todo só me apetecia fazer-lhe vénias por concordar com tudo o que disse.
Hoje ao receber o prémio Sir Geoffrey Jellicoe, atribuído pela Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA), comentou que se tratava de uma “couraça", que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, mas com reconhecimento internacional.
Entre muitos outros testemunhos, devemos-lhe o magnífico jardim da Gulbenkian, cenários de muitos dos meus piqueniques evasivos à hora de almoço, quando o sol assim ordena.
Hoje, por coincidência, almocei com uma amiga espanhola e ex-colega que tinha acabado de revisitar o dito, para matar saudades dos piqueniques de outrora. Falou-me do abandono que sentiu por lá.
Já lá não vou desde o verão, pelo que não posso confirmar esta leitura. Será que o petróleo da Partex não consegue patrocinar a manutenção adequada do jardim?
Há anos que defende um ordenamento racional do território e a preservação da variedade de espécies autóctones. Há anos que luta contra a tirania do eucalipto...
Foi das entrevistas mais aprazíveis que fiz e o tempo todo só me apetecia fazer-lhe vénias por concordar com tudo o que disse.
Hoje ao receber o prémio Sir Geoffrey Jellicoe, atribuído pela Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA), comentou que se tratava de uma “couraça", que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, mas com reconhecimento internacional.
Entre muitos outros testemunhos, devemos-lhe o magnífico jardim da Gulbenkian, cenários de muitos dos meus piqueniques evasivos à hora de almoço, quando o sol assim ordena.
Hoje, por coincidência, almocei com uma amiga espanhola e ex-colega que tinha acabado de revisitar o dito, para matar saudades dos piqueniques de outrora. Falou-me do abandono que sentiu por lá.
Já lá não vou desde o verão, pelo que não posso confirmar esta leitura. Será que o petróleo da Partex não consegue patrocinar a manutenção adequada do jardim?
martes, 9 de abril de 2013
Verdades sobre a mentira
A mentira é potencialmente mais literária do que a verdade. Inegavelmente, é criativa.
Subjetiva, serve melhor a intenção e o coração.
Desdenho de quem taxativamente a repugna, desconsiderando os seus bons propósitos.
Subjetiva, serve melhor a intenção e o coração.
Desdenho de quem taxativamente a repugna, desconsiderando os seus bons propósitos.
miércoles, 3 de abril de 2013
Falta de visão
Volta e meia recebo no mail histórias suspeitas e já aconteceu descobrir que se tratam de embustes depois de as googlar: artigos de opinião assinados por especialistas que não existem, a "descoberta da pólvora", nas suas mais diversas versões...
A aldeia global está cheia de minas, sobretudo para os que querem fazer jornalismo, e acreditar tornou-se ato* mais trabalhoso. Por outro lado, confirmar as fontes nunca foi tão fácil (salvo raras exceções)...
Na semana passada, a Visão tropeçou numa mina: publicou o que se revelou ser uma fotomontagem de Ronaldo a segurar um cartaz com uma mensagem a favor da Palestina.
É grave. Eu acho grave, sobretudo porque se tornou banal cometer este tipo de erros e as redações não investem tempo no contraditório.
Quando o jornalismo perde a obrigação (que o define) de contar a verdade, de a procurar, da obrigação decisiva para se distinguir da variedade de informação que circula online ao abrigo de outras capas, deixa de ser jornalismo.
*Passei a adotar o acordo ortográfico e passei a concordar com ele porque tenho uma filha que vai aprender a escrever com este português e porque o acordo ortográfico é também favorável ao jornalismo: há muito que nos circunscrevemos a um mercado de 10 milhões e desprezamos os milhões de leitores que falam, escrevem e lêem português. O acordo ortográfico impõe o português como uma ferramenta de trabalho mais inclusiva. Está na hora de os jornais e revistas portuguesas aproveitarem a oportunidade gerada pelo acordo e investirem a sério em delegações em África (no Brasil será mais difícil, dado o número de concorrentes...), para ganharmos publicações com uma cobertura expressiva (digna) do mundo lusófono. Faz sentido também do ponto de vista comercial, já que muitas empresas estão (finalmente) a levar as suas marcas para os países lusófonos e através de um só suporte poderiam chegar a estes mercados.
Enfim, contratem-me!
A aldeia global está cheia de minas, sobretudo para os que querem fazer jornalismo, e acreditar tornou-se ato* mais trabalhoso. Por outro lado, confirmar as fontes nunca foi tão fácil (salvo raras exceções)...
Na semana passada, a Visão tropeçou numa mina: publicou o que se revelou ser uma fotomontagem de Ronaldo a segurar um cartaz com uma mensagem a favor da Palestina.
É grave. Eu acho grave, sobretudo porque se tornou banal cometer este tipo de erros e as redações não investem tempo no contraditório.
Quando o jornalismo perde a obrigação (que o define) de contar a verdade, de a procurar, da obrigação decisiva para se distinguir da variedade de informação que circula online ao abrigo de outras capas, deixa de ser jornalismo.
*Passei a adotar o acordo ortográfico e passei a concordar com ele porque tenho uma filha que vai aprender a escrever com este português e porque o acordo ortográfico é também favorável ao jornalismo: há muito que nos circunscrevemos a um mercado de 10 milhões e desprezamos os milhões de leitores que falam, escrevem e lêem português. O acordo ortográfico impõe o português como uma ferramenta de trabalho mais inclusiva. Está na hora de os jornais e revistas portuguesas aproveitarem a oportunidade gerada pelo acordo e investirem a sério em delegações em África (no Brasil será mais difícil, dado o número de concorrentes...), para ganharmos publicações com uma cobertura expressiva (digna) do mundo lusófono. Faz sentido também do ponto de vista comercial, já que muitas empresas estão (finalmente) a levar as suas marcas para os países lusófonos e através de um só suporte poderiam chegar a estes mercados.
Enfim, contratem-me!
viernes, 22 de marzo de 2013
Rafael Bordalo Pinheiro
Como adoro todo o universo bordaliano, não poderia deixar de registar que o Google celebrou, ontem, a data de nascimento desse génio português, com um doodle do Zé Povinho, que infelizmente não perde actualidade.
A propósito, publico aqui um artigo que escrevi há alguns anos para a revista Actualidade - Economia Ibérica:
Bordalo intemporal
Caricatura, cerâmica e decoração de interiores ao serviço da crítica bem humorada e da beleza. Rafael Bordalo Pinheiro responde por tudo isso. No museu que o homenageia em Lisboa vai perceber que as obras deste artista poderiam muito bem reportar-se aos dias de hoje, apesar de ele já ter morrido há mais de um século…
Um ramo de bacalhaus presos pelo rabo enfeitam uma mísula. Mesmo ao lado, um móvel semelhante exibe uma cabeça de perú. São ambas peças de cerâmica aplicadas em madeira e ambas atestam a criatividade e o talento de Rafael Bordalo Pinheiro. Substantivos recorrentes para qualificar o mestre depois de visitar o Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa.
Por aqui é possível conhecer uma parte significativa das obras de cerâmica de Bordalo, fruto do seu interesse pela indústria do sector, das Caldas da Rainha, como recorda Pedro Bebiano Braga, o novo comissário científico e responsável pelo museu: “Em 1884 Bordalo funda a Sociedade Fabril das Caldas da Rainha. Bordalo pega na tradição e eleva-a, inova, actualizando vários moldes da cerâmica caldense. Além da louça que se vende um pouco por todo o mundo, criou várias peças únicas, de uma estética moderníssima.” Bordalo era dado aos revivalismos históricos e como tal homenageou através da cerâmica vários estilos: o mourisco, bastante presente em alguns dos seus azulejos, os anjinhos do barroco, as cordas e outros motivos que evocam o manuelino e a época de glória dos portugueses, a arte nova, as cópias da natureza representada através de reptéis, marisco,musgos, frutos, etc. Não é difícil surprendermo-nos com a riqueza dos detalhes como quando descobrimos que o que parece ser um cesto de verga é uma peça toda em cerâmica. “Bordalo deu-se ao trabalho de entrelaçar tiras de cerâmica para dar o efeito da cestaria”, garante Pedro Bebiano Braga.
Além da cerâmica, outra das facetas conhecidas e reconhecidas de Bordalo é a de caricaturista. Fundou vários jornais, onde publicava os seus desenhos. Ao jeito para desenhar aliava o poder de observação e sentido de humor, tornando-os instrumentos ao serviço da crítica política e social corrosiva e também do elogio, já que “Bordalo tinha um sentido ético notável”, comenta Pedro Bebiano Braga. “É um homem muito atento ao seu tempo e isso é quase diariamente plasmado nos seus desenhos e nas suas peças”, observa, acrescentando que “a partir dos anos 70 Bordalo entra em cena e vai dando notícia das transformações de Lisboa”, tornando impossível estudar o século XIX e início do século XX sem passar por este artista. As histórias das suas caricaturas aludem “à pequena anedota da Baixa, às grandes negociatas políticas”, dão-nos conta dos quiosques que se instalam na cidade, do banco novo da rua. E são histórias de Portugal e do mundo, frisa o historiador: “Bordalo era conhecido também fora de Portugal, já que às suas caricaturas respondiam outros caricaturistas europeus. Trocava farpas a nível internacional, numa altura em que comunicar à distância não era fácil. Chegou a ter caricaturas nas tabernas alemãs. Não se limitava a abordar a sociaedade portuguesa. Caricaturou Bismark, por exemplo.”
A dimensão internacional de Bordalo prende-se também com o facto de ter viajado bastante e ter trabalhado em Espanha, em França e no Brasil. Em Portugal era muito bem relacionado e o seu trabalho tinha tal impacto que muitas pessoas chegaram a pedir-lhe para ser caricaturado.
Bordalo não poupava políticos como o chefe do governo António Maria Fontes Pereira de Melo, através da personagem António Maria, mas o seu “boneco mais popular é o Zé Povinho. Criado a 12 de Junho de 1875, ainda hoje é evocado. Trata-se de “uma personagem ícone, que traduz o que é ser português”, explica Pedro Bebiano Braga. Na altura “iletrado, vítima, o Zé Povinho é muitas vezes representado como burro de carga do poder que o carrega”, recorda o historiador, ressalvando que “este povo resignado e adepto do deixa andar, porque sabe que as negociatas acabam por ser desmascaradas e que as coisas vão mudar, está muitas vezes a fazer o maguito, que é a sua forma de reagir”. À semelhança com os dias de hoje, na altura os tempos também eram de crise, pelo que este Zé Povinho tem algo de intemporal, ainda que já não seja iletrado. Aliás, a iliteracia permite perceber o sucesso das caricaturas: “As pessoas entendiam melhor a mensagem desenhada, já que havia muito analfabetismo. A imagem de um Zé Povinho a dar pontapés a um político, obrigando-o a sair da margem da página e a continuar a sair nas restantes páginas cria uma novela com o leitor. Apesar da mensagem ser facilmente perceptível, as caricaturas estão chegias de detalhes, que é preciso decifrar. Temos que estar atentos ao que desenham as sombras, por exemplo.”
Bordalo caricaturista e ceramista são as duas faces mais conhecidas do artista e preenchem a exposição permanente do museu. Pedro Bebiano Braga, em funções no museu desde Fevereiro quis mostrar uma nova dimensão de Bordalo, a de decorador de interiores, a descobrir na exposição temporária que o museu abriga até o dia 15 de Agosto: “Bordalo foi sempre recordado como exímio caricaturista, bem como pelas suas criações de cerâmica, mas as suas peças de mobiliário e o seu talento para a decoração estavam ainda por destacar. Trata-se de uma abordagem inédita.”
Nesta mostra temporária recorda-se que foi Bordalo que dirigiu a representação portuguesa na grande exposição universal de Paris de 1989. Podemos apreciar os cachos de uva de cerâmica que usou para decorar o espaço, onde havia um bar de provas de vinho português, conservas, artesanato… Pedro Bebiano Bordalo considera que “Bordalo teve a mestria de perceber que por cá havia valor e interessou-se pela cerâmica”, e lembra que “o nacionalismo estava em voga na altura”.
Bordalo teve também intervenções decorativas em espaços lisboetas como a famosa sala de jantar do Beau Séjour, actual gabinete de estudos olissiponenses, a Panificação Lisbonense, a tabacaria Mónaco, bem como um painel de azulejos que representa o ambiente tertuliano da cervejaria Leão de Ouro. Tudo isto é focado na exposição, onde estão várias peças de mobiliário, com aplicações de cerâmica, bem como peças de luminárias (candeiros e castiçais), molduras, caixas para relógios, cestos, etc.
Nascido numa família de artistas – o irmão Columbano era pintor, a irmã era bordadeira, fazia vitrais e empenhou-se no renascimento das rendas em Portugal - muitas vezes Bordalo trabalhava em equipa com os irmãos, cada um na sua arte.
Pedro Bebiano Braga está consciente de que sobre Bordalo ainda há muito o que explorar e pretende não só mostrar novas facetas do artista, como atraiar novos públicos: “As crianças e os séniores são os que mais visitam o museu. Temos oficinas para crianças, onde se trabalha cerâmica inspirada em Bordalo, muito frequentadas e com um enorme sucesso. A faixa etária entre os 17 e os 35 é a mais difícil de atrair, mas quando descobrem a obra de Bordalo ficam fascinados e divertem-se imenso. Também é importante dar a conhecer a dimensão internacional do trabalho de Bordalo, para atrair estrangeiros para o museu.”
Museu Bordalo Pinheiro
Campo Grande, 382 -1700-097 Lisboa
www.museubordalopinheiro.pt
lunes, 11 de marzo de 2013
Aos 104 anos!
Às vezes sentimos vergonha pelo que não se faz, pela falta de reconhecimento do país aos que elevam o seu nome. Como também acontece (muitas vezes) o contrário: "Momento marcante foi a sessão especial dedicada aos 70 anos de estreia do mítico “Aniki Bóbó” que serviu de pretexto para uma homenagem ao decano dos realizadores mundiais – Manoel de Oliveira – e da protagonista feminina, Fernanda Matos (a Teresinha) . Na altura (no passado dia 6) Manoel de Oliveira confessou: “Esta noite, para mim, foi como um sonho. É pena ter chegado um bocado tarde. Isto nem em Cannes”. Uma apoteótica recepção de um público muito jovem e uma impressionante cobertura mediática foram o merecido e sentido reconhecimento de um génio, pela sua cidade natal."
Fico feliz de saber que assim foi e gostava de lá ter estado!
Fico feliz de saber que assim foi e gostava de lá ter estado!
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