martes, 2 de octubre de 2012

Anonimato nas luzes da ribalta

No Abrupto, o que mais gosto é do nome. Ainda assim, de vez em quando, visito-o.

Cito o que escreve Pacheco Pereira  sobre a manipulação política, com a cumplicidade do que alguns chamam de jornalismo:

"ÍNDICE DO SITUACIONISMO: "RECADOS" ANÓNIMOS

A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

Há vários problemas no nosso jornalismo político que são endémicos e contribuem para a sua má qualidade, entre eles a fusão de "recados" com fontes anónimas. Os "recados" são uma pura manipulação da opinião pública, transmitindo um discurso sem edição, que diz o que quer, que antecipa o que quer e que não precisa de ser confrontado com a realidade, nem com o contraditório. É um tipo de discurso político "limpo", sem mediação jornalística, que agrada aos políticos e manipula o jornalismo e a opinião.

O Expresso publica um por semana, tendo como origem o governo, e os gabinetes do Primeiro-ministro e do ministro Relvas, mais a sua multidão de assessores. Têm para quem os emite a vantagem de fornecer uma versão das coisas que é favorável ao poder, que ocupa normalmente uma primeira página e o seu título principal de forma vantajosa. Evita outra primeira página eventualmente mais hostil e pretende condicionar a opinião, fazer uma ameaça velada, ou testar a reacção a uma determinada medida. Muitas vezes pouco mais é do que a descrição de um "estado de alma" qualquer do primeiro-ministro (PM), destinado a sugerir que ele "sente" as mesmas indignações que o "povo", mesmo que não faça nada em consequência.
Os "recados" de hoje são mais do que isso:
"É preciso dar uma pedrada no charco e neste momento ele está claramente a pensar nisso e tem tudo em aberto: pode ser antes, durante ou após a apresentação do OE em 15 de Outubro" ("fonte próxima do PM").
"Se o PM recuou na TSU, também tem a agilidade, sem tabus, de rever o que está mal no governo." ("fonte oficial") .
Não tenho dúvidas sobre a fonte, foi o PM, ou alguém por "ele", como é identificado, que disse isto ao Expresso, usando o anonimato para exprimir não apenas opiniões, mas pressupostas intenções pessoais do PM. Num país em que houvesse um mínimo de vergonha, o Ministro da Economia apresentava a demissão de imediato, e se o ministro Relvas não estivesse envolvido na combinação, faria o mesmo. Para contentar a opinião pública, o PM ataca o seu próprio governo, debaixo da cobertura do anonimato, para transmitir uma "imagem" de determinação e firmeza em dia de manifestações. Não há uma linha destes "recados", que atravessam toda a "notícia", que não seja pura manipulação. No fundo é mais um sinal alarmante do grau de decomposição e desorientação do governo e do PM."

lunes, 1 de octubre de 2012

Woody Allen, o caricaturista! Mi piace!


"Porca miséria!", diz o polícia romano, em jeito de auto-apresentação. Todo o filme é uma caricatura a Roma, no que tem de bom, e aos romanos, no que têm de... caricato! E claro, a habitual caricatura à relação do casal e dos candidatos a casal, no que têm de mais rotineiro... E à desalmada hipocondria/angústia das personagens interpretadas por Allen. E aos costumes: hilariante a ascenção e queda do "novo famoso, sem nada ter feito por isso", na mesma linha da sátira do Bruno Nogueira em "O último a sair".
Nada de novo, mas agradável. É como rever um filme de Woody Allen, sem que seja bem o mesmo filme.
O que anda a mudar é a cenografia e isso agrada-me, porque gosto de viajar pelas cidades, também através do cinema, como gosto de o fazer através de um livro.
E não vejo problema algum no facto de Allen ser pago para promover uma cidade, ao mesmo tempo que faz o que sempre fez: caricaturar. Viaja mais, conhece mais, com o aliciante desafio de ter que inventar uma história para a cidade. Ele já fazia o mesmo antes com Paris, Veneza e Manhatan e tinha que arranjar dinheiro à mesma para pagar o filme.
Paguem-me a mim para fazer o mesmo! António Costa e Rui Rio estou à Vossa inteira disposição... A desculpa de que eu não sou tão popular quanto o Allen torna o cachet bem mais negociável!

E apeteceu-me voltar a Roma: esperemos que a moedinha que atirei à Fontana coopere!
(Woody, prueba superada!)

martes, 25 de septiembre de 2012

Histórias aos quadradinhos - capítulo IV

"Wear a piece of History", incita a Átrio, que tem peças lindas de bijuteria, em homenagem aos fantásticos azulejos portugueses.

Portugal

Mais do que o "ouro" que este filme do Turismo de Portugal conquistou no Festival Internacional de Filmes de Turismo e Ecologia da Sérvia - SILAFEST 2012, na categoria de Melhor Filme de Turismo, e dos prémios que já havia arrecadado nos EUA, Letónia ou Cannes, o que importa é que este Portugal anda a circular e este Portugal existe.

lunes, 24 de septiembre de 2012

Bom senso

Ando a levar-me demasiado a sério e este paleio está a ficar uma grande seca...

... mas apetece-me registar que aprecio o bom senso com que a revista  The Economist aconselha o mundo:

Nesta edição, uma tartaruga faz o papel de editor ao responder "Sadly, yes" à pergunta da capa. No artigo ficamos a saber que a Ásia anda a brigar por uma pequena ilha (intencionalmente fotografada para ficar pequena na capa e assim ridicularizar a disputa), por uma questão de soberania. Oportunidade (escreve o jornalista) para a China mostrar que está mais empenhada em manter a paz, beneficiando do crescimento que protagoniza.

No site da revista, escreve-se sobre o eventual novo país europeu: o crescente apetite de alguns catalães (cada vez mais, aparentemente) pela independência, para que os impostos dos catalães permaneçam na Catalunha.
No fim do artigo, conclui-se: "The direct causes of Catalonia’s economic woes are recession and ruinous administration by previous regional governments. Independence does not change that."

Se a independência catalã se concretizar, fica dado pontapé de partida para o fim do Euro. Se isso é bom ou mau, não sei responder.

P.S. Também me pergunto quantos deputados e governantes deste país lerão esta revista?

miércoles, 19 de septiembre de 2012

Pois.

Merecem reflexão estas frases:

"A contradição entre o mundo rico e o mundo pobre marcará o século XXI e pode engendrar uma III Guerra Mundial."
Já não será a religião nem a posse territorial .

"Se daqui a 30 anos (a contar de 1994), não tivermos dois jovens a trabalhar para manter um reformado, terá ocorrido uma catástrofe ou estarão os robôs a desempenhar essa tarefa".

Quem o disse foi o Santigo Carrillo, dirigente comunista histórico espanhol, falecido ontem e hoje tema da crónica do Fernando Alves, que terminava com o alerta: "Resta uma década para evitarmos, pelo avanço tecnológico, o lado catastrófico da previsão de um homem cujos vaticínios foram quase sempre certeiros."

Ser ou não ser Jornalismo?

Lê-se na Monocolumn de ontem da fantástica Monocle: "Referring to a story the paper had recently run about allegations of voter fraud, national editor Sam Sifton said, “It’s not our job to litigate it in the paper. We need to state what each side says.” Fine, do that. But don’t call it journalism – that’s stenography.

O que acontece diariamente no jornais é mera estenografia: pouco se prova, pouco se questiona, apenas se denuncia - alegadamente, e a suspeita passou a protagonista de uma boa parte das histórias.

O desejável remata o mesmo artigo: “The more news organisations can state established truths and stand by them, the better off the readership – and the democracy – will be.”