lunes, 24 de septiembre de 2012

Bom senso

Ando a levar-me demasiado a sério e este paleio está a ficar uma grande seca...

... mas apetece-me registar que aprecio o bom senso com que a revista  The Economist aconselha o mundo:

Nesta edição, uma tartaruga faz o papel de editor ao responder "Sadly, yes" à pergunta da capa. No artigo ficamos a saber que a Ásia anda a brigar por uma pequena ilha (intencionalmente fotografada para ficar pequena na capa e assim ridicularizar a disputa), por uma questão de soberania. Oportunidade (escreve o jornalista) para a China mostrar que está mais empenhada em manter a paz, beneficiando do crescimento que protagoniza.

No site da revista, escreve-se sobre o eventual novo país europeu: o crescente apetite de alguns catalães (cada vez mais, aparentemente) pela independência, para que os impostos dos catalães permaneçam na Catalunha.
No fim do artigo, conclui-se: "The direct causes of Catalonia’s economic woes are recession and ruinous administration by previous regional governments. Independence does not change that."

Se a independência catalã se concretizar, fica dado pontapé de partida para o fim do Euro. Se isso é bom ou mau, não sei responder.

P.S. Também me pergunto quantos deputados e governantes deste país lerão esta revista?

miércoles, 19 de septiembre de 2012

Pois.

Merecem reflexão estas frases:

"A contradição entre o mundo rico e o mundo pobre marcará o século XXI e pode engendrar uma III Guerra Mundial."
Já não será a religião nem a posse territorial .

"Se daqui a 30 anos (a contar de 1994), não tivermos dois jovens a trabalhar para manter um reformado, terá ocorrido uma catástrofe ou estarão os robôs a desempenhar essa tarefa".

Quem o disse foi o Santigo Carrillo, dirigente comunista histórico espanhol, falecido ontem e hoje tema da crónica do Fernando Alves, que terminava com o alerta: "Resta uma década para evitarmos, pelo avanço tecnológico, o lado catastrófico da previsão de um homem cujos vaticínios foram quase sempre certeiros."

Ser ou não ser Jornalismo?

Lê-se na Monocolumn de ontem da fantástica Monocle: "Referring to a story the paper had recently run about allegations of voter fraud, national editor Sam Sifton said, “It’s not our job to litigate it in the paper. We need to state what each side says.” Fine, do that. But don’t call it journalism – that’s stenography.

O que acontece diariamente no jornais é mera estenografia: pouco se prova, pouco se questiona, apenas se denuncia - alegadamente, e a suspeita passou a protagonista de uma boa parte das histórias.

O desejável remata o mesmo artigo: “The more news organisations can state established truths and stand by them, the better off the readership – and the democracy – will be.”

Lucho González*

Porque as pessoas também se medem pela forma como canalizam a dor.

Mais do que merecida a braçadeira de capitão.

*«Tinha-lhe dito que ia marcar um golo. Quando soube da notícia, o treinador e os dirigentes falaram comigo e deram-me todo o apoio», explicou o jogador do Futebol Clube do Porto, no fim do jogo (que fez questão de jogar, depois de saber da morte do pai), em que marcou um golo.

lunes, 17 de septiembre de 2012

Um rufo da multidão calará a arrogância?

Na Argentina, fizeram do bater em tachos, a banda sonora da manifestação, na semana passada. A maior, dizem, durante a "dinastia" Kirchner.
Quando lia sobre isso, pensava no embriagante que é sentir que estamos todos ou quase todos a torcer para o mesmo lado. Que o mundo está farto.
E que em Portugal, pela primeira vez (enquanto só se ia ao bolso de reformados e funcionários públicos era uma coisa, mas agora a ameaça paira sobre TODOS), o povo está todo a dizer NÃO. Por isso foi a maior maifestação de sempre.
Fico contente que tenha sido pacífica.
Não fui. Tinha um excelente álibi, mas não sei se teria ido,... de qualquer forma.
Espero, no entanto, que tenha servido para acordar quem de direito.

Mas parece que ainda não...

O meu Pai dizia-me, ontem, indignado, sobre o "Não tenho pressa para ser Governo (ou coisa assim)" de Seguro: Como tem o Seguro a lata de pôr a coisa desta maneira? Quem disse a esta alminha que ser eleito é uma inevitabilidade, caso houvesse eleições? Estamos mesmo entalados entre um PS que não deixa saudades e um PSD a quem queremos dizer basta!?

Quando é que se deixa de pensar nos partidos com a mesma parte do cérebro que sustenta o clubismo?


Cohen

 "I know what you look like in the morning" é um muito prometedor primeiro verso.
(Faz de conta que eu fui ao Lux verificar se filho - Adam Cohen - de Peixe - Leonard - sabe nadar! Parece-me que sim. E parece-me também que o Cohen filho está a garantir a continuidade do emprego ao coro do pai...)

viernes, 14 de septiembre de 2012

Maquiavélica, Eu.

Ontem escrevi isto no meu mural do Facebook: "Desconto de tempo: fosse eu editora/directora de um jornal (um qualquer) e fazia uma edição AVESTRUZ, sem qualquer referência ao estado do Estado, à classe política, às maleitas várias... só de coisas boas, bons exemplos, boa vida!
Contratem-me, vá, que a OPV não dura para sempre!"


Estava consciente dos riscos que corria, sendo jornalista (sempre achei que testar o limite dos que me conhecem é a única forma honesta de os conhecer), mas a minha proposta de alienação era e é perfeitamente consciente porque não há quem escute no meio de tanto barulho, nauseante e potencialmente inócuo. 
Acho que entrei numa espécie de greve pessoal, quando toda a gente decidiu acordar e desabafar.

(Há quem rejubile porque o PS já está à frente das intenções de voto: mas houve uma debandada geral do PS e entrou sangue novo e esclarecido sobre o que o socialismo significa e ninguém me avisou? Ou são os suspeitos do costume que alicerçam estas intenções de voto? Mas ainda há quem creia nesta alternância partidária?)

Estamos à beira da mudança, estamos a mudar já porque pensar nela é já um passo dela (perdoem-me, mas não estou a conseguir filosofar melhor do que isto)...
E eu acho, por não conceber outra posição que não a do optimismo (as discussões que Saramago teria comigo...), que mudaremos para melhor, para uma vida mais responsável e mais responsabilizante, em que progressivamente contaremos menos, cada vez menos com o Estado e mais connosco...
Eu não tenho lido o suficiente sobre o caso belga, sem governo durante meses, mas merece ser estudado. Inquieta-me.

E agora uma projeção absolutamente maquiavélica, que vai afastar a meia dúzia de leitores que ainda lêem este paleio (mas lá está, eu gosto de vos testar!), e que assenta no lado bom de Passos Coelho falhar:
1- Alguns iluminados do PSD vão contestar a actual liderança.
2- Cai o Governo e volta a haver eleições.
3- Novo congresso PSD empoleira Rui Rio (ainda estão a ler ou já estão a ligar para o 112???).
4- Rui Rio ganha as eleições.
5- Portugal recomeça!

Só Rui Rio mudaria a minha profunda convicção no voto em branco.