martes, 12 de junio de 2012

Estranho-me


Eu colecto e colecciono. Também reciclo e reaproveito muito, mas sou sobretudo uma pessoa que guarda.
Há uns tempos, numa entrevista, que passou a conversa, a minha entrevistada disse-me para não guardar o que já não me faz falta, que isso atrasa a vida e acolhe más energias.
Eu disso, das energias, não entendo quase nada, não porque exija a lógica para me inteirar das coisas. Nem sempre. Mas um destes dias caiu-me a moedinha: dei-me conta da minha mortalidade, de que ia deixar de ser. E apeteceu-me livrar-me de muita coisa que já não me faz falta. Por enquanto, ando a arejar os armários e a reconquistar-lhes espaço. E isto seria facto corriqueiro e sem importância, se eu não tivesse sido apenas uma colectora até agora.

jueves, 31 de mayo de 2012

É contra a maré que se rema!*



Já se sabe: são difíceis estes tempos, mas também não conhecemos, nem conheceremos outros. Estes são difíceis. Há sempre alguém que não nos deixa esquecer disso, todos os dias. E também já se sabe, que tempos dificéis são o álibi mais que perfeito para espantar a ousadia, esquiva que é na natureza dos que se acham mais sensatos.

Haverá alguma coisa mais castrante do que a lucidez?

É tramado arrumar as asas, em vez de alar os sonhos. E quando digo tramado, quero dizer "tramante"!

*Assim aconselham os que ensinam a navegar! De proa feita para as ondas! Para alguma coisa ainda tem que servir, sermos um país de marinheiros!

lunes, 28 de mayo de 2012

Luanda

A conversa à hora de almoço girava sobre "e se pudesses escolher, onde estarias agora?"
Sem pensar, saíu: Luanda!
Até eu fiquei surpreendida com a minha resposta.
Não me mudaria para Luanda sem pestanejar, mas saíria de Lisboa agora, sem pestanejar. A cidade está ilibada de qualquer culpa. Sou mesmo eu que a quero abandonar.
A geografia desmente-me, mas eu acho que a meio caminho de uma e de outra está o Porto. O nosso.

martes, 8 de mayo de 2012

Isto vai acabar à paulada!

Não conheço suficientemente monsieur Hollande, mas parece-me bem correr com o timidamente (com pezinhos de lã) xenófobo monsieur Sarkosy!

Ainda assim, teme-se o pior, com os extremos a engrossarem fileiras, quer em França, quer na Grécia! E a culpa é da mediocridade dos representantes políticos do "centro".

Em França, estavam a ser expulsos cidadãos estrangeiros, sem registo criminal e com contrato de trabalho.
Mas que merda é esta do peso das nacionalidades!? Quando a nacionalidade restringe direitos de cidadania, em qualquer lugar do mundo, está, na realidade, a impôr o nacionalismo e a xenofobia!
Não pode ser por aí!
Se alguma coisa quero ensinar à minha filha é que o lugar onde nascemos é culturalmente importante, mas não corresponde a um valor hierárquico, não define o valor de um ser humano.
Mas quando gente que estudou na casa grande (para usar uma expressão do meu pai) não percebe o elementar que isto é, está o caldo entornado!

miércoles, 2 de mayo de 2012

Mercedes, Leica e biberões

No biberão da minha filha diz ao lado do desenho de um bebé: "Quality made in Germany".!
Não diz apenas "made in Germany"!

Há muitos anos que o meu pai ambiciona comprar um Mercedes porque vê a marca como a melhor garantia de qualidade num automóvel!

Hoje li aqui, o que por cá já se sabia: as carismáticas máquinas fotográficas Leica são feitas em Famalicão.
Nós já sabíamos, mas o resto do mundo não sabe porque a máquina exibe o "made in Germany" ou "quality made in Germany"! O artigo frisa isso mesmo, começando por citar um funcionário que diz: "aqui tudo funciona de maneira diferente do que no resto de Portugal". Mais à frente o director assinala: "A máquina é feita em Portugal, mas vivemos a mentalidade alemã"!

Por isso é que eu concordo com o primeiro-ministro, quando sugeriu aos jovens que emigrassem: para abrir horizontes e ver como fazem os outros, quando fazem melhor!
É outra forma de contornar a injustiça que lamentava Martin Schulz, o alemão que preside ao Parlamento Europeu. Numa visita a Espanha, reuniu-se com um grupo de jovens espanhóis. Um artigo escrito por uma dessas jovens puxava para título:"Schulz envergonhou-se de que os seus filhos tenham mais possibilidades do que eu". Aqui

Foi disto que tratou Fernando Alves hoje.

miércoles, 8 de febrero de 2012

Não, Sr. Ministro!

O que fazer com o feriado português que provavelmente mais receitas gera, conseguindo, em simultâneo, que muito boa gente descarregue a bilis usando o humor como disfarce para criticar o Governo?

É elminá-lo já.




Ora, eliminar o "feriado" do Carnaval não é um tiro no pé, é dar o peito às balas!




O que não vai faltar é gente a desautorizar legitimamente esta ordem!




A ideia de aumentar o horário de trabalho para insuflar a produtivdade é má e não vou bater mais no ceguinho!
Eliminar feriados com o mesmo objectivo também é mau e, quanto a mim, revelar-se-á ineficaz!

Passos, bem sei que andas todo "troikado", mas não vás por aí! (Alguém se dispõe a dar um workshop sobre como aumentar a produtividade a este senhor: os contribuintes pagá-lo-iam de bom grado!)

Como sugere o meu pai (que deveria candidatar-se a Primeiro-ministro) seria mais digno dizer: "Portugueses gozem bem o Carnaval e regressem ao trabalho com mais genica e prontos a produzir melhor, mais e mais depressa!"




Deste Governo, só absolvo a Assunção!