viernes, 9 de diciembre de 2011
A estibordo
lunes, 5 de diciembre de 2011
E nem é bem pelo mérito de D. João IV...
Portugal é um Estado laico, certo?
Então, por que razão teremos que negociar com a Igreja a eliminação de determinados feriados?
Já ameaçadoramente mais fácil parece ser abolir os feriados que celebram a Independência (o facto de Portugal existir como nação) e a passagem de monarquia a República (que é como quem diz, o direito que o povo conquistou de eleger o seu máximo representante, destronando o poder herdado em sede de ADN, que a mim ainda me custa que a monarquia seja assim uma questão de 'pedigree', que ainda se discuta se uma mulher pode ser rainha - atente-se à alegada azáfama espanhola para gerar herdeiro macho -, e que nem por sombras nada disto seja confundido com exclusão e discriminação social!)...
Então, por que razão teremos que negociar com a Igreja a eliminação de determinados feriados?
Já ameaçadoramente mais fácil parece ser abolir os feriados que celebram a Independência (o facto de Portugal existir como nação) e a passagem de monarquia a República (que é como quem diz, o direito que o povo conquistou de eleger o seu máximo representante, destronando o poder herdado em sede de ADN, que a mim ainda me custa que a monarquia seja assim uma questão de 'pedigree', que ainda se discuta se uma mulher pode ser rainha - atente-se à alegada azáfama espanhola para gerar herdeiro macho -, e que nem por sombras nada disto seja confundido com exclusão e discriminação social!)...
E mesmo não me importando que a Ibéria fosse um só país (porque acredito que entre portugueses e espanhóis é mais o que une do que aquilo que separa, porque me gusta España, me gustam los españoles, porque até compreendo que, dada a proximidade de alcovas das famílias reais portuguesa e espanhola era difícil resistir à tentação de unir os dois reinos), sou respeitadora da História, daquilo que nos fez o que somos e dos dias em que alguém lutou para que Portugal fosse nação e venceu, por estratégia mais do que por força bruta. Bem sei que começar um país à custa de uma desavença entre mãe e filho não é lá muito dignificante, porém Aljubarrota (tanto pela alegada táctica do quadrado de Nuno Álvares Pereira, como pelo alegado talento da padeira com a pá) é motivo de orgulho e três séculos depois foi reinventada em moldes mais diplomáticos para travar um iberismo, que, na altura, se vivia a duas velocidades. Festejar isso com um feriado não me parece mal.
Por último, mesmo podendo fazer feriados quando quero e posso (regalia do recibo verde), sou completamente a favor dos feriados por decreto, não só, mas também por razões económicas, já que acredito piamente que na base da produtividade está a motivação e na base da motivação estão coisas como o descanso, regalia de quem faz pela vida.
Esta proposta da supressão de feriados está em linha com a da meia hora diária a mais de trabalho: meus senhores, quem trabalha por gosto, até trabalha mais sem que lhe peçam, já quem o faz por decreto?... Pelo menos são coerentes em matéria de estupidez.
viernes, 18 de noviembre de 2011
O fado do nosso património
Diz-se que o restaurante, onde agora se escutam os poetas, as guitarras, as violas e os brindes a tudo isso, terá (quem sabe) escutado outrora as preces de uma certa Dona Rosa, alegada amante de D. José I. É que a porta que hoje se abre para o fado, abria antes para uma capela... E esta é a única porta que abre deste edifício quinhentista, o palácio da Dona Rosa... Decadente, esventrado (o gradeamento foi insuficiente para deter os caçadores de azulejos históricos)... Triste fado, o do património, em Lisboa.

Alfama é isto: FADO, Santos Populares e um património urbanistico fantástico, lamentavelmente, em decadência.
lunes, 14 de noviembre de 2011
"Paris em Lisboa"
Se as estações do ano fizessem testes psicotécnicos para saber para o que têm jeito, ao Outono daria certamente “artes”… já as outras não sei e não vou agora reflectir sobre isso.
Mas agradeço ao Outono por esse talento, por tornar crepitantes todos os passeios calcetados que levam à Gulbenkian, por pintá-los com as cores, que, misturadas, se tornam nas minhas preferidas... Como pode esta Natureza morta ter tanta vida?
E serve este projecto de prólogo para introduzir o tema "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa", a exposição que visitei na Gulbenkian... As naturezas-mortas de Cézanne, Renoir, Monet, Vieira da Silva, Amadeo de Souza Cardoso, Picasso, Braque, Dalí, Magritte, Matisse, Gaugin, … e o que mais me comove e mais me espevita: Van Gogh! Companhias raramente disponíveis a um sábado à tarde, em Lisboa. E eu tinha saudades deles, do que me fizeram sentir repetidas vezes, em Paris, em Madrid, em Barcelona, em Amsterdão, em Antuérpia, em Londres...
... Sobretudo aos franceses, invejei-os, por terem abarbatado tanto talento naquele período mágico dos “ismos”… Mas no dia em que passei pelos mesmos "ismos" na Gulbenkian, o que senti foi gratidão pelo Sr. Calouste (o outro ministério da cultura). Em primeiro lugar, porque me destruiu um preconceito: é que achava que não gostava especialmente de naturezas-mortas na pintura. Achei uma seca ter que pintar pêssegos nas aulas de pintura, mas foi da trabalheira que me deu representar a pele aveludada e de mil cores desses pêssegos que me lembrei quando os vi num dos quadros em exposição (já não me lembro de que pintor). E também quando descobri o minúsculo quadro com meia dúzia de maças, de Cézanne. O Cézanne que me deixou KO, quando o conheci melhor na exposição "De Cézanne a Picasso", no Museu d' Orsay, que reunia várias obras de pintores representados pelo visionário marchand Ambroise Vollard (alguém que gostaria de ter entrevistado para indagar sobre o seu talento maior, o de descobrir génios)...

Voltando à Gulbenkian, além de descobrir que os girassóis também posaram para Monet, de me dar conta (com a ajuda do professor Rui Mário e do Câmara Clara) que Van Gogh pode ter estado deprimido, mas é de alegria e de Vida que falam as suas pinceladas enérgicas, descobri também um pintor novo (para mim): o Juan Gris. O quadro acima foi um dos que mais gostei. Gostei do brinde, da sugestão de olhar para fora do nosso casulo, aceitar o convite do vento, sem perder de vista o cume,... um cume.
E tudo isto é desarmante, porque em vez de inspirar, a mim desencoraja: para quê pintar, se eles já atinjiram o céu? Como chegar Lá? Como chegar-lhes sequer aos calcanhares? ...porque para Lá chegar é preciso mais do que talento, tem que haver uma pulsão, uma Pulsão Maior.
Mas agradeço ao Outono por esse talento, por tornar crepitantes todos os passeios calcetados que levam à Gulbenkian, por pintá-los com as cores, que, misturadas, se tornam nas minhas preferidas... Como pode esta Natureza morta ter tanta vida?
E serve este projecto de prólogo para introduzir o tema "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa", a exposição que visitei na Gulbenkian... As naturezas-mortas de Cézanne, Renoir, Monet, Vieira da Silva, Amadeo de Souza Cardoso, Picasso, Braque, Dalí, Magritte, Matisse, Gaugin, … e o que mais me comove e mais me espevita: Van Gogh! Companhias raramente disponíveis a um sábado à tarde, em Lisboa. E eu tinha saudades deles, do que me fizeram sentir repetidas vezes, em Paris, em Madrid, em Barcelona, em Amsterdão, em Antuérpia, em Londres...
... Sobretudo aos franceses, invejei-os, por terem abarbatado tanto talento naquele período mágico dos “ismos”… Mas no dia em que passei pelos mesmos "ismos" na Gulbenkian, o que senti foi gratidão pelo Sr. Calouste (o outro ministério da cultura). Em primeiro lugar, porque me destruiu um preconceito: é que achava que não gostava especialmente de naturezas-mortas na pintura. Achei uma seca ter que pintar pêssegos nas aulas de pintura, mas foi da trabalheira que me deu representar a pele aveludada e de mil cores desses pêssegos que me lembrei quando os vi num dos quadros em exposição (já não me lembro de que pintor). E também quando descobri o minúsculo quadro com meia dúzia de maças, de Cézanne. O Cézanne que me deixou KO, quando o conheci melhor na exposição "De Cézanne a Picasso", no Museu d' Orsay, que reunia várias obras de pintores representados pelo visionário marchand Ambroise Vollard (alguém que gostaria de ter entrevistado para indagar sobre o seu talento maior, o de descobrir génios)...

Voltando à Gulbenkian, além de descobrir que os girassóis também posaram para Monet, de me dar conta (com a ajuda do professor Rui Mário e do Câmara Clara) que Van Gogh pode ter estado deprimido, mas é de alegria e de Vida que falam as suas pinceladas enérgicas, descobri também um pintor novo (para mim): o Juan Gris. O quadro acima foi um dos que mais gostei. Gostei do brinde, da sugestão de olhar para fora do nosso casulo, aceitar o convite do vento, sem perder de vista o cume,... um cume.
E tudo isto é desarmante, porque em vez de inspirar, a mim desencoraja: para quê pintar, se eles já atinjiram o céu? Como chegar Lá? Como chegar-lhes sequer aos calcanhares? ...porque para Lá chegar é preciso mais do que talento, tem que haver uma pulsão, uma Pulsão Maior.
lunes, 7 de noviembre de 2011
"Química"
LÁGRIMA DE PRETA
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão (Rómulo de Carvalho, que para este poema não precisou do curso de Ciências Físico-Químicas, que tinha, para nada).
Isto porque gosto especialmente do fácil que é entender o quão estúpido é qualquer sentimento racista através deste poema, que troca as voltas ao preconceito, com uma prova científica... e porque hoje, no 144º aniversário da química Marie Curie, no Sociedade Civil, se aludiu "à química que há entre nós"...
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão (Rómulo de Carvalho, que para este poema não precisou do curso de Ciências Físico-Químicas, que tinha, para nada).
Isto porque gosto especialmente do fácil que é entender o quão estúpido é qualquer sentimento racista através deste poema, que troca as voltas ao preconceito, com uma prova científica... e porque hoje, no 144º aniversário da química Marie Curie, no Sociedade Civil, se aludiu "à química que há entre nós"...
lunes, 24 de octubre de 2011
Sim, Sr. Ministro
Hoje ouvi na RTP alguém cujo nome não registei a dizer que o mau momento da economia portuguesa pode obrigar-nos a fazer antes, o que todos deverão, obrigatoriamente, fazer depois: poupar, no que gastamos no que consumimos e sobretudo na forma como consumimos, pouco saudável, pouco ecológica...
E por isso, no meio de medidas absurdas, como aumentar mais meia hora diária ao horário de trabalho (em vez de aumentar a produtividade gastando menos horas de trabalho, e consequentemente menos energia... E os custos de produção como ficam???), há medidas que saúdo e que só pecam por tardias:
Aumentar de 6% para 23% o IVA aos refrigerantes e às batatas fritas e de 13% para 23% aos enlatados! Além de não serem bens de primeira necessidade, são nocivos para a saúde!
Manter o IVA baixo para os produtos da terra e do mar locais, o que além de estimular a economia, poupa o ambiente, já que a distância percorrida por esses bens é menor do que a dos importados, logo gastam-se menos combustíveis e produzem-se menos danos ambientais.
E por isso, no meio de medidas absurdas, como aumentar mais meia hora diária ao horário de trabalho (em vez de aumentar a produtividade gastando menos horas de trabalho, e consequentemente menos energia... E os custos de produção como ficam???), há medidas que saúdo e que só pecam por tardias:
Aumentar de 6% para 23% o IVA aos refrigerantes e às batatas fritas e de 13% para 23% aos enlatados! Além de não serem bens de primeira necessidade, são nocivos para a saúde!
Manter o IVA baixo para os produtos da terra e do mar locais, o que além de estimular a economia, poupa o ambiente, já que a distância percorrida por esses bens é menor do que a dos importados, logo gastam-se menos combustíveis e produzem-se menos danos ambientais.
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