lunes, 14 de noviembre de 2011

"Paris em Lisboa"

Se as estações do ano fizessem testes psicotécnicos para saber para o que têm jeito, ao Outono daria certamente “artes”… já as outras não sei e não vou agora reflectir sobre isso.
Mas agradeço ao Outono por esse talento, por tornar crepitantes todos os passeios calcetados que levam à Gulbenkian, por pintá-los com as cores, que, misturadas, se tornam nas minhas preferidas... Como pode esta Natureza morta ter tanta vida?


E serve este projecto de prólogo para introduzir o tema "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa", a exposição que visitei na Gulbenkian... As naturezas-mortas de Cézanne, Renoir, Monet, Vieira da Silva, Amadeo de Souza Cardoso, Picasso, Braque, Dalí, Magritte, Matisse, Gaugin, … e o que mais me comove e mais me espevita: Van Gogh! Companhias raramente disponíveis a um sábado à tarde, em Lisboa. E eu tinha saudades deles, do que me fizeram sentir repetidas vezes, em Paris, em Madrid, em Barcelona, em Amsterdão, em Antuérpia, em Londres...

... Sobretudo aos franceses, invejei-os, por terem abarbatado tanto talento naquele período mágico dos “ismos”… Mas no dia em que passei pelos mesmos "ismos" na Gulbenkian, o que senti foi gratidão pelo Sr. Calouste (o outro ministério da cultura). Em primeiro lugar, porque me destruiu um preconceito: é que achava que não gostava especialmente de naturezas-mortas na pintura. Achei uma seca ter que pintar pêssegos nas aulas de pintura, mas foi da trabalheira que me deu representar a pele aveludada e de mil cores desses pêssegos que me lembrei quando os vi num dos quadros em exposição (já não me lembro de que pintor). E também quando descobri o minúsculo quadro com meia dúzia de maças, de Cézanne. O Cézanne que me deixou KO, quando o conheci melhor na exposição "De Cézanne a Picasso", no Museu d' Orsay, que reunia várias obras de pintores representados pelo visionário marchand Ambroise Vollard (alguém que gostaria de ter entrevistado para indagar sobre o seu talento maior, o de descobrir génios)...


Voltando à Gulbenkian, além de descobrir que os girassóis também posaram para Monet, de me dar conta (com a ajuda do professor Rui Mário e do Câmara Clara) que Van Gogh pode ter estado deprimido, mas é de alegria e de Vida que falam as suas pinceladas enérgicas, descobri também um pintor novo (para mim): o Juan Gris. O quadro acima foi um dos que mais gostei. Gostei do brinde, da sugestão de olhar para fora do nosso casulo, aceitar o convite do vento, sem perder de vista o cume,... um cume.

E tudo isto é desarmante, porque em vez de inspirar, a mim desencoraja: para quê pintar, se eles já atinjiram o céu? Como chegar Lá? Como chegar-lhes sequer aos calcanhares? ...porque para Lá chegar é preciso mais do que talento, tem que haver uma pulsão, uma Pulsão Maior.

lunes, 7 de noviembre de 2011

"Química"

LÁGRIMA DE PRETA
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão (Rómulo de Carvalho, que para este poema não precisou do curso de Ciências Físico-Químicas, que tinha, para nada).

Isto porque gosto especialmente do fácil que é entender o quão estúpido é qualquer sentimento racista através deste poema, que troca as voltas ao preconceito, com uma prova científica... e porque hoje, no 144º aniversário da química Marie Curie, no Sociedade Civil, se aludiu "à química que há entre nós"...

lunes, 24 de octubre de 2011

Sim, Sr. Ministro

Hoje ouvi na RTP alguém cujo nome não registei a dizer que o mau momento da economia portuguesa pode obrigar-nos a fazer antes, o que todos deverão, obrigatoriamente, fazer depois: poupar, no que gastamos no que consumimos e sobretudo na forma como consumimos, pouco saudável, pouco ecológica...

E por isso, no meio de medidas absurdas, como aumentar mais meia hora diária ao horário de trabalho (em vez de aumentar a produtividade gastando menos horas de trabalho, e consequentemente menos energia... E os custos de produção como ficam???), há medidas que saúdo e que só pecam por tardias:

Aumentar de 6% para 23% o IVA aos refrigerantes e às batatas fritas e de 13% para 23% aos enlatados! Além de não serem bens de primeira necessidade, são nocivos para a saúde!

Manter o IVA baixo para os produtos da terra e do mar locais, o que além de estimular a economia, poupa o ambiente, já que a distância percorrida por esses bens é menor do que a dos importados, logo gastam-se menos combustíveis e produzem-se menos danos ambientais.

viernes, 7 de octubre de 2011

Carta aberta ao Sr. Ulrich

A Joana tem pouco mais de um mês e é cliente do BPI e gostaria de continuar a sê-lo. O balcão de que a Joana é cliente não possui rampa de acesso a clientes com mobilidade reduzida, coisa em que os pais da Joana não repararam no dia em que abriram a conta. Mas repararam hoje, pelo que reclamaram por escrito. Em função da resposta, decidirão se a Joana e se eles próprios se manterão clientes do banco. Estão optimistas, já que há uns dias, a fachada do banco foi vandalizada com spray e no mesmo dia foi limpa. Certamente que o Sr. Ulrich não se preocupará apenas com a fachada e resolverá esta questão com celeridade, neste e noutros balcões com a mesma limitação.

JOANA

Impossível não escrever aqui o teu nome.
Impossível escrever mais do que o teu nome, sem que me pareçam banalidades, desajustadas relativamente ao que és e ao que significas para mim...

lunes, 15 de agosto de 2011

Coisas só aparentemente simples




Companheiro - Maria Eugênia
Vai amigo
Não há perigo que hoje possa assustar
Não se iluda
Que nada muda se você não mudar

Ponha alguma coisa na sacola
Não esqueça a viola
Mas esqueça o que puder
E cante que é bom viver..

Rasgue as coisas velhas da lembrança
Seja um pouco de criança
Faça tudo o que quiser
E cante que é bom viver...