martes, 3 de mayo de 2011

Justo?

A pergunta que me faço para testar as minhas próprias teorias contra a pena de morte é: E se me tivesse morrido alguém nas torres gémeas? E se me tivesse morrido alguém na Atocha? E se me tivesse morrido alguém em King's Cross? ...

... e a coisa torna-se logo mais relativa! E logo me apetece apontar o polegar para baixo e dizer: Bin, já foste!

Agora, se isto resolve a questão do terrorismo? Não me parece, mas dá pistas sobre vias alternativas de chegar às "sete virgens"... Não é que o inimigo às vezes oferece o bilhete de ida!

Contra o cinema empipocado marchar, marchar!

Já aqui escrevi (ou devo ter escrito) que foi no Cinecentro da Covilhã que vi mais cinema. "Cinema de autor", graças à programação do Cineclube da Covilhã.
Agora, em Lisboa, sou menos assídua, mas ainda assim frequentadora do king, do Monumental, do Nimas, do City de Alvalade e do Saldanha Residence.
Além da programação ser melhor, o ambiente também é mais apetecível, pelo sossego, pela ausência de pipocas (à excepção do City)...
Precisamente o sossego, o demasiado sossego, ditou o encerramento das salas do Residence, ou melhor o fim com a assinatura da Medeia. Menos um espaço a lutar contra a corrente. Mais uma vitória do cinema empipocado!


No Facebook, a Medeia justificava assim: "A obrigatoriedade de investimento na digitalização, somada aos contratempos inerentes à concorrência dos grandes grupos de exibição, com a oferta desmedida de bilhetes de cinema, encaminhou-nos para esta decisão. Este desequilíbrio é pautado ainda pela falta de actuação da Autoridade da Concorrência bem como do próprio Instituto do Cinema e do Audiovisual."

viernes, 29 de abril de 2011

Pistas para que saibas escolher!

Eu nunca me dei bem com a Sociologia, como ciência, com essa coisa de estudar comportamentos em carneirada...
E talvez por isso me custe tanto a entender o fenómeno sociológico a que se chama de benfiquismo!
Não entendo a histeria mediática em torno do Benfica, as sempre renovadas expectativas ancoradas no "este ano é que é", o número de adeptos que o clube ainda consegue fidelizar (por ventura herdeiros do malfadado sebastianismo português, transmitido de avôs para netos, já que só um iato geracional autoriza perpetuar esse tempo em que "glorioso" não era um eufemismo retro e em que o bicharoco esvoaçante corava de orgulho e não de vergonha por se chamar "Vitória"!)...
Sobretudo o que não entendo agora é esta onda de contestação ao trabalho de Jesus, já que ele tem toda a razão quando insinua que o Benfica há muito que não estava tão bem! O treinador recorda, com legitimidade, que dos seis troféus ganhos pela equipa (e desta vez não estamos a falar de matrecos!) nos últimos 17 anos, três foram com ele! Ora, ganhar três troféus em duas épocas é coisa a que os benfiquistas já não estavam habituados! E ainda estão na corrida por um troféu europeu (que o FCP não o permita!), coisa que já não acontecia desde a final em que além de perderem as botas, também perderam o jogo para o PSV, no distante 1988... Enfim, é um injustiçado o Jesus!

Bom, bom, é o Radamel Falcão!
Sim porque para calar os retorcidos, há que vencer assim, por muitos! Os jogos e os campeonatos! Temos sempre que vencer por muitos pontos de avanço, para que não venham com a desculpa de que foi o árbitro comprado e tal... E ultimamente é a isso que estamos habituados: a vencer por muitos!

jueves, 28 de abril de 2011

A poesia está na rua!


Ah pois está: e se "não há machado que corte a raíz ao pensamento", há serrote que prive um país de acesso à Internet!

Assim foi na Geórgia, onde uma senhora, que diz jamais ter ouvido falar da web, está a ser processada por ter cortado um cabo de fibra óptica...
Frágil o império webiano!

lunes, 18 de abril de 2011

Muitos funerais e vários casamentos

"Fica a cinco minutos do centro do Cairo e é perfeitamente visitável por quem quiser", garantiu-me o assitente egípcio de Sérgio Tréfaut, numa conversa informal com o público no final da apresentação de "Cidade dos Mortos" e "Waiting for paradise", respectivamente, um documentário sobre o mega cemitério do Cairo, que se transformou em morada para muitos dos cairenses, com o êxodo rural iniciado na década de 60, e uma curta-metragem sobre os casamentos que os novos moradores vão fazendo, "quase semanalmente".
Ao Sérgio, o que o motivou a realizar o documentário foi "a relação leve que estes cidadãos do Cairo têm com a morte", com quem vivem. Vivem nas casas funerárias, visitadas pelas famílias dos mortos à sexta-feira, o mesmo dia em que se faz nas ruas do cemitério a maior feira da cidade...

Eu não achava, até ir a Paris, que os cemitérios pudessem valer uma visita. Vi algumas esculturas belíssimas nos cemitérios de Paris. Acho que vou seguir o conselho do jovem assitente de realização egipcio, cujo nome gostava de me recordar, e quando for ao Cairo, não falharei este cemitério tão vivo.

martes, 12 de abril de 2011

La Farruca, em Lisboa, sábado

Aqui há uns anos fui a Sevilha e em Sevilha fui a Triana e em Triana descobri um bar, onde se anunciava para a mesma noite um espectáculo de flamenco. Um bar de barra longa, bem povoada, e com um canto que se tranformaria em palco, onde uma cigana e um cigano dançaram com a alma, com os olhos em fogo, à frente dos músicos e dos cantantes, à nossa frente. Foi nessa noite que entendi o flamenco. Na vida de ninguém há acasos. Deixam de o ser assim que os autorizamos como vectores. Foi o que fiz com o flamenco.