miércoles, 16 de febrero de 2011

Sobreviver ao sonho

Demorei tempo a perceber, mais até do que a aceitar, que não se pode viver intensamente sempre. Aborreciam-me os intervalos, até aprender a apreciá-los. Sei que serei para sempre hedonista e que isso nem sequer é uma opção, mas tive a sorte (não se trata de talento) de saber procurar sempre novos prazeres, mesmo que seja em coisas que são de sempre.
Não gostaria de escrever sobre economia se me resignasse com o desalento de não poder escrever sempre sobre cultura. E essa foi a grande lição (há sempre uma que é maior que todas as outras) que já aprendi: não desistir nunca de descobrir prazeres, novos, renovados...
E não se pode viver sempre intensamente porque "de tanto bater o coração pára", tem que parar!
O "Black swan" recambiou-me para o processo que me permitiu ir entendendo que não duram mais que minutos aqueles momentos em que o coração dispara, e que há que apaziaguá-lo também.
Não que o filme trate realmente disso, mas desistir da dança foi a minha primeira ferida, a primeira derrota que enfrentei, a primeira vez que percebi que acreditar na reencarnação me daria muito jeito, porque nesta vida eu já tinha um sonho a que dizer adeus. E dizer adeus a um sonho é o contrário de viver intensamente.

O filme roda precisamente sobre o duro que é viver o sonho. Aceitar o desafio de o concretizar é na realidade bem mais difícil do que ter que prescindir dele, porque é mais fácil o prazer dos intervalos ainda que menos intenso.

E na verdade, este filme do Darren Aronofsky poderia chamar-se outra vez "Requiem for a dream". E foi do trabalho do realizador e do argumento que eu mais gostei.

martes, 15 de febrero de 2011

A foto

Na altura eu questionava-me sobre a ética desta capa da Time.

A foto da fotógrafa sul-africana Jodi Bieber venceu o World Press Photo 2010 e vai correr mundo em exposições. A história da jovem afegã Bibi Aisha, que agora está fisicamente recuperada, após várias cirurgias plásticas, vai correr mundo. E isso pode ser bom para todas as outras jovens.

lunes, 14 de febrero de 2011

Junquilhos senhores! Junquilhos!

Não me lembro em que aniversário me ofereceu a minha mãe pela primeira vez junquilhos! Mas o junquilho tornou-se a partir daí a minha flor preferida e foi provavelmente a primeira que alguma vez me ofereceram.

Agora é já uma tradição a que se aliou também a minha tia Alice! Recebo quase sempre junquilhos em dose dupla pelos anos!

Diz-se que é a primeira flor que desabrocha, a anunciar a proximidade da Primavera! Diz-se que lhe chamam também narciso, o símbolo da vaidade!




Nisto dos junquilhos, há uma sequência obrigatória: esta, que inclui a cena que começa no minuto 3, 30!

miércoles, 9 de febrero de 2011

Jornalistas!

...e mais coisas a oferecer aos jornalistas!


e se o amor fosse promovido a editor...

Gonçalo!

Chama-se assim esta cadeira. Mas eu já gostava dela antes de conhecer o nome com que a batizaram.
O meu pai resgatou-a algures (talvez no lixo de obras). Na verdade, resgatou duas. Estavam bastante enferrujadas, até que a minha mãe as pôs como novas.
Andava há que tempos para a fotografar, depois de a ter redescoberto no blogue do Luís Royal, por onde costumo andar a bisbilhotar sobre design. Fiquei a saber que a cadeira que costumamos ver em tantas esplanadas deste país foi criada em 1954 por Gonçalo Rodrigues dos Santos.
É linda e confortável, no contexto esplanada.

martes, 8 de febrero de 2011

Orgulho e preconceito!

"Acontece que os crimes de violência doméstica são o resultado desta pureza de sangue; casamentos que não se discutem, filhos a quem se permite tudo, mulheres trucidadas por famílias funcionais e por ideias disfuncionais, álcool a rodos (ai, a Direcção-Geral de Saúde!), falta de dinheiro, desemprego, emprego a mais, telenovelas, sangue na estrada, miséria no lar, mau sexo e maus hábitos, machismo mariola, machismo filho da puta transmitido de pais para filhos e de mães para filhos."

Francisco José Viegas, numa reflexão que merece ser acompanhada aqui.

Não sou leitora do Correio da Manhã e julgo-o sem verdadeiramente o ler, mas concordo que o dito "jornalismo de referência" há muito que não merece esse título porque se demite de cobrir muito do Portugal real. Se o Correio da Manhã o faz bem ou mal, isso é outra conversa, mas pelo menos, ao que consta, não deixa de o fazer.

Fui à horta


Há mais verdade agora no meu frigorífico e eu tenho mais certeza (melhor substituir por ambição) de que um dia me dedicarei a isto de ter um quintal com legumes e árvores de fruto de verdade. Apesar das desanimadoras experiências com as plantações de hortelã e de salsa na minha varanda...