Um filme sobre o que mais importa:
Amizade
Ética
Dignidade
Justiça (acima da verdade)
Amor
Humor
Um filme que eu já não esperava ver no cinema porque adiei muito a ida. Surpreendentemente persiste no king e ontem ainda a sala estava bem composta, numa sessão de fim de tarde.
martes, 7 de septiembre de 2010
lunes, 6 de septiembre de 2010
Amor/Ódio ao mar
Logo me lembrei dos meus amigos mais atlânticos, que na serrana Covilhã penavam e faziam questão de anunciar o quanto penavam por ficarem semanas sem pôr a vista no"seu" mar.
Eu, insensível, nasci em Matosinhos e não renego o pedaço de mar a que tenho direito, mas não sou muito dada à saudade com cheiro de maresia. Pelo contrário, senti-me logo cúmplice destes pescadores, fartos do mar com quem contracenavam muito mais do que o contemplavam. Talvez por ter passado loooooooongas tardes de domingo enfiada no banco traseiro do carro, com os meus pais, a ouvir o relato de futebol e a olhar para o mar... Como me pesava ser filha única nesse tempo.
miércoles, 1 de septiembre de 2010
Cegos na cidade da luz
À falta de vontade para teclar em causa própria, toca a citar a vizinhança... O alfaiate costurou um interessante artigo sobre a ligação paradoxal que os lisboetas têm com a sua cidade e aproveitou para divulgar o festival Out Jazz...
Os dados que evoca (e tem o cuidado de explicar que são especulações suas) dizem respeito sobretudo a Lisboa, mas o registo comportamental (especulo eu também) é válido para o resto do país, um país de sol, muito sol. Estas considerações, que não devem afastar-se muito da realidade, deveriam fazer pensar autarcas, comerciantes, agentes culturais e, claro, os cidadãos!
E sinto-me com legitimidade para o sermão porque tento remar contra esta maré, fartando-me de ouvir negas! com desculpas tão esfarrapadas como "cansaço laboral", a mais frequente apesar de ser a que menos justifica legitimamente a vontade de ficar em casa... Já dizia uma antiga professora minha "descansar é mudar de actividade e não forçosamente fazer nada"...
De outra forma, como prega o alfaiate:
"Um londrino passa o dobro do tempo que um lisboeta nos parques da sua cidade.
Só no centro histórico de Tallin há mais 23 esplanadas que em Lisboa e toda a sua área metropolitana.
A percentagem de executivos suecos que usa fatos de linho é o dobro da dos executivos portugueses.
Os habitantes de Dublin sorriem, em média, mais 2,43 vezes por dia que os lisboetas.
Em média, um guarda-roupa duma madrilena tem mais 4 mini-saias que o de uma lisboeta
Em pleno Dezembro, há cerca de mais 5.000 ciclistas nas ruas de Riga que nas nossas avenidas.
Entre 21 de Dezembro 21 de Março um milanês, em média, junta-se 7 vezes mais com os seus amigos depois do trabalho que um lisboeta (essa mesma relação, entre 22 de Março e 20 de Junho, dispara para 11 para 1)
A probabilidade de um lisboeta experimentar, a partir das 17h de Domingo, um sensação de apatia aguda ou leve depressão por não conseguir tirar da cabeça a ideia de que terá que trabalhar no dia seguinte é 9 vezes superior à dum berlinense.
Por ano, realizam-se 3 vezes mais concertos ao ar livre em Bruxelas que em Lisboa.
Um adolescente moscovita tem 3,5 vezes mais lata para abordar a miúda que mora na rua da frente com quem se cruza diariamente enquanto ambos passeiam seus cães que um adolescente lisboeta (sabendo-se que este último, apesar de ter a jogar a seu favor uma probabilidade 7 vezes inferior de estar a chover e 23 de estar um frio de rachar, prefere tentar encontrá-la no Facebook)"
Os dados que evoca (e tem o cuidado de explicar que são especulações suas) dizem respeito sobretudo a Lisboa, mas o registo comportamental (especulo eu também) é válido para o resto do país, um país de sol, muito sol. Estas considerações, que não devem afastar-se muito da realidade, deveriam fazer pensar autarcas, comerciantes, agentes culturais e, claro, os cidadãos!
E sinto-me com legitimidade para o sermão porque tento remar contra esta maré, fartando-me de ouvir negas! com desculpas tão esfarrapadas como "cansaço laboral", a mais frequente apesar de ser a que menos justifica legitimamente a vontade de ficar em casa... Já dizia uma antiga professora minha "descansar é mudar de actividade e não forçosamente fazer nada"...
De outra forma, como prega o alfaiate:
"Um londrino passa o dobro do tempo que um lisboeta nos parques da sua cidade.
Só no centro histórico de Tallin há mais 23 esplanadas que em Lisboa e toda a sua área metropolitana.
A percentagem de executivos suecos que usa fatos de linho é o dobro da dos executivos portugueses.
Os habitantes de Dublin sorriem, em média, mais 2,43 vezes por dia que os lisboetas.
Em média, um guarda-roupa duma madrilena tem mais 4 mini-saias que o de uma lisboeta
Em pleno Dezembro, há cerca de mais 5.000 ciclistas nas ruas de Riga que nas nossas avenidas.
Entre 21 de Dezembro 21 de Março um milanês, em média, junta-se 7 vezes mais com os seus amigos depois do trabalho que um lisboeta (essa mesma relação, entre 22 de Março e 20 de Junho, dispara para 11 para 1)
A probabilidade de um lisboeta experimentar, a partir das 17h de Domingo, um sensação de apatia aguda ou leve depressão por não conseguir tirar da cabeça a ideia de que terá que trabalhar no dia seguinte é 9 vezes superior à dum berlinense.
Por ano, realizam-se 3 vezes mais concertos ao ar livre em Bruxelas que em Lisboa.
Um adolescente moscovita tem 3,5 vezes mais lata para abordar a miúda que mora na rua da frente com quem se cruza diariamente enquanto ambos passeiam seus cães que um adolescente lisboeta (sabendo-se que este último, apesar de ter a jogar a seu favor uma probabilidade 7 vezes inferior de estar a chover e 23 de estar um frio de rachar, prefere tentar encontrá-la no Facebook)"
martes, 31 de agosto de 2010
! e !
Cheguei há pouco da sorna e tenho andado a vasculhar o que se se disse, o que se escreveu e publicou na minha "ausência"...
Para a posteridade (a minha) gravo a entrevista de um português de que me orgulho ao El Pais: José Mourinho
e um artigo fantástico da Rita Ferro sobre os predicados e os delitos dúbios da fidelidade e da infidelidade.
Para a posteridade (a minha) gravo a entrevista de um português de que me orgulho ao El Pais: José Mourinho
e um artigo fantástico da Rita Ferro sobre os predicados e os delitos dúbios da fidelidade e da infidelidade.
martes, 10 de agosto de 2010
O pântano em que se movem as certezas absolutas
O problema é a multiplicidade de cinzentos que esticam o caminho entre o branco e o preto.Admito que quando olhei para esta capa da Time condenei-a imediatamente e condenei o jogo que faz com este título. Condenei o "nós" que adoptaram os responsáveis editoriais da revista. Indiscutivelmente eu teria optado pela terceira pessoa.
Mas depois li o artigo disponível na edição online e lá vieram os cinzentos minar o meu julgamento a preto e branco...
É fácil a comparação com a edição da National Geographic que também colocou uma mulher menina afegã na capa. Duas mulheres num país onde ser mulher é um risco acrescentado à dificuldade que representa lá viver por estes e naqueles dias.
Aisha, a menina da Time, ficou neste estado, alegadamente, à custa do marido. Fugiu a tempo de garantir a sobrevivência. Diz a Time que Aisha foi recolhida por uma organização humanitária e será submetida a uma cirurgia reconstrutiva nos EUA. A revista pega na história de Aisha para questionar o que vai acontecer se os EUA retirarem as suas tropas do Afeganistão.
No site há também um vídeo da sessão de fotografias que permitiu chegar a esta capa. Considero demasiada a exposição que solicitaram à Aisha. Por outro lado foi precisamente o vídeo que me esclareceu. Estava a ser difícil não pensar no vampiresco desejo de vender à custa da polémica imediatista que uma imagem assim sugere...
É uma foto estudada e só possível com a cumplicidade da jovem. Eu não conheço Aisha, mas também é credível que ela queira expor-se ao mundo para que o mundo, ou alguém intervenha a favor dela e a favor dos direitos da mulher no Afeganistão. Se os EUA ficam ou não pode não ser a chave para que estes direitos sejam acautelados, mas o alheamento internacional não o é certamente.
Imagino que talvez tenham tido dúvidas os editores da Time, como confessaram ter tido os editores do primeiro jornal que publicou a foto do homem que caiu (forçou-se a cair) de uma das torres gémeas a 11 de Setembro de 2001... Há quem tente até hoje descobrir a identidade do homem e há até hoje famílias doridas que não perdoam os que publicaram a imagem. Mas a questão é que ela impede mais que qualquer outra que nos esqueçamos.
Esse é também o argumento em defesa do Museu que no Ground Zero irá garantir a memória daqui a 100 anos, quando os contemporâneos do 11/set já cá não estiverem...
E é também um pouco isso que me faz escrever aqui: questionar no futuro até que ponto eram a preto e branco as minhas certezas absolutas...
Mesmo sem coreto...
Não me certifiquei, mas os ponteiros do relógio da recentemente restaurada Torre, que nos abre a porta para a folia nocturna das noites de Verão na Rua Direita, deveriam andar perto das 4 horas... e também não me certifiquei, mas qualquer termómetro que por ali andasse deveria marcar um valor não muito longe dos 40 graus, mesmo à sombra de todos os guarda-sóis de serviço na praça de Caminha. Estavam quase todas as mesas ocupadas, o que é frequente nas tardes soalheiras. Menos normal era que todas as cadeiras se voltassem para o mesmo lado, o do palco onde tocava a Sociedade Musical Banda Lanhelense.
E que bem nos soube escutar o que se esperava de uma banda quando chegámos... Desse repertório, mais convencional, já não tivemos tempo de ouvir muito... Logo fizeram um pequeno intervalo para trocar a folha de pauta, descolar a camisa das costas e sossegar a garganta, que a sede só poderia ser muita... E começa um novo bloco: um medley de Xutos e Pontapés que põe muitos a bater o pezinho e outros, mais aventureiros, a tentar cantarolar os temas. Terminou da melhor maneira, com a minha preferida dos Xutos: Contentores...
Reportório inteligente para seduzir novos fãs e provavelmente novos músicos, como que a dizer que as bandas já não são só o que eram porque "o passado foi lá trás"!
PS: O concerto integra a programação das Festas de Caminha! Mais uma bela ideia esta de pôr a banda a tocar, assim, ao ar livre, na praça, como se lá houvesse um coreto...
E que bem nos soube escutar o que se esperava de uma banda quando chegámos... Desse repertório, mais convencional, já não tivemos tempo de ouvir muito... Logo fizeram um pequeno intervalo para trocar a folha de pauta, descolar a camisa das costas e sossegar a garganta, que a sede só poderia ser muita... E começa um novo bloco: um medley de Xutos e Pontapés que põe muitos a bater o pezinho e outros, mais aventureiros, a tentar cantarolar os temas. Terminou da melhor maneira, com a minha preferida dos Xutos: Contentores...
Reportório inteligente para seduzir novos fãs e provavelmente novos músicos, como que a dizer que as bandas já não são só o que eram porque "o passado foi lá trás"!
PS: O concerto integra a programação das Festas de Caminha! Mais uma bela ideia esta de pôr a banda a tocar, assim, ao ar livre, na praça, como se lá houvesse um coreto...
jueves, 5 de agosto de 2010
"Taxi driver"
Os taxistas conhecem milhares de pessoas, o que por si só os torna pessoas potencialmente interessantes, já que podem assim sugar conhecimentos das "fontes" que vão transportando, observar comportamentos, às vezes, como se quase não estivessem ali, escutar conversas que são tidas como se eles fossem surdos...
Enfim, acho-lhes piada e muitas vezes sabe-me bem aquele paleio com fim anunciado.
Há uns tempos, um português foi para Nova Iorque conduzir um taxi e depois registou em livro algumas das conversas que teve... Não cheguei a lê-las, mas a ideia é bastante inspiradora...
Muitas das minhas conversas com taxistas começam pelo futebol, o que acontece geralmente quando joga um dos clubes portugueses nas competições europeias, e daí é um saltinho para o perspicaz "a menina é do Norte, nota-se" ou o desatento com pretensões de lisonja "já deve cá estar há muito tempo, que já perdeu a pronúncia" e daí desenrola a história da vida dele, de onde veio, que nem sempre foi taxista, que tem uma filha que também é jornalista, e que transportou já fulano e que "a Simone de Oliveira é assim mesmo, uma simpatia, uma mulheraça" e que "a Madonna andava de jipe com o marido e com os filhos, quando veio a Lisboa, a passear como qualquer pessoa"... E o fado, que muitos têm a rádio Amália sintonizada, um excelente piscar de olhos aos turistas, e gostam muito e percebem de fado... E outros que reclamam do estado desalmado em que Lisboa se pôs, com prédios seculares a gritar por socorro, como se desconfiassem que esse tema me dispõe para tagarelice tempo suficiente para fazer a volta a Portugal de taxi! Mais que ninguém, estão atentos às mudanças. O novo buraco na rua, a última inovação de desvio de trânsito! E são críticos. Muito. Candidato a presidente de CML com dois palmos de testa deveria conversar com taxistas, de preferência clandestinamente, para colher mais verdade do exercício...
Anteontem (desconfio que nunca tinha escrito esta palavra antes!)nem fui eu que comecei a conversa: "Já esteve em Porto Santo?" E eu respondi que lamentavelmente não, mas que iría um dia certamente. "Parece o deserto (no que ele afirma de calma e de infinitude, pensei eu), só tem praia e é linda", comentou, aconselhando-me a que fosse mesmo. E continuava para me dizer que tinha lido que já estavam a estudar a criação de cosméticos com base na areia e na água do Porto Santo, que alegadamante terá poderes curativos. "Que bom que aproveitem o que temos de bom", dizia e lembrou-me que "já se chegou a vender aquela água para os EUA", mas "era uma pequena empresa" e "razões políticas", as quais não teve tempo de precisar porque eu cheguei ao meu destino, "impediram que se continuasse a comercializar a água"...
Um manancial dans le taxi!
Enfim, acho-lhes piada e muitas vezes sabe-me bem aquele paleio com fim anunciado.
Há uns tempos, um português foi para Nova Iorque conduzir um taxi e depois registou em livro algumas das conversas que teve... Não cheguei a lê-las, mas a ideia é bastante inspiradora...
Muitas das minhas conversas com taxistas começam pelo futebol, o que acontece geralmente quando joga um dos clubes portugueses nas competições europeias, e daí é um saltinho para o perspicaz "a menina é do Norte, nota-se" ou o desatento com pretensões de lisonja "já deve cá estar há muito tempo, que já perdeu a pronúncia" e daí desenrola a história da vida dele, de onde veio, que nem sempre foi taxista, que tem uma filha que também é jornalista, e que transportou já fulano e que "a Simone de Oliveira é assim mesmo, uma simpatia, uma mulheraça" e que "a Madonna andava de jipe com o marido e com os filhos, quando veio a Lisboa, a passear como qualquer pessoa"... E o fado, que muitos têm a rádio Amália sintonizada, um excelente piscar de olhos aos turistas, e gostam muito e percebem de fado... E outros que reclamam do estado desalmado em que Lisboa se pôs, com prédios seculares a gritar por socorro, como se desconfiassem que esse tema me dispõe para tagarelice tempo suficiente para fazer a volta a Portugal de taxi! Mais que ninguém, estão atentos às mudanças. O novo buraco na rua, a última inovação de desvio de trânsito! E são críticos. Muito. Candidato a presidente de CML com dois palmos de testa deveria conversar com taxistas, de preferência clandestinamente, para colher mais verdade do exercício...
Anteontem (desconfio que nunca tinha escrito esta palavra antes!)nem fui eu que comecei a conversa: "Já esteve em Porto Santo?" E eu respondi que lamentavelmente não, mas que iría um dia certamente. "Parece o deserto (no que ele afirma de calma e de infinitude, pensei eu), só tem praia e é linda", comentou, aconselhando-me a que fosse mesmo. E continuava para me dizer que tinha lido que já estavam a estudar a criação de cosméticos com base na areia e na água do Porto Santo, que alegadamante terá poderes curativos. "Que bom que aproveitem o que temos de bom", dizia e lembrou-me que "já se chegou a vender aquela água para os EUA", mas "era uma pequena empresa" e "razões políticas", as quais não teve tempo de precisar porque eu cheguei ao meu destino, "impediram que se continuasse a comercializar a água"...
Um manancial dans le taxi!
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