lunes, 12 de julio de 2010
Sonho de uma noite de Verão
Foi a primeira vez em que cheguei a um espectáculo, percebi que já não havia lugar para mim, nem sentada, nem de pé, e ainda que triste, fiquei contente! Da rua por onde o eléctrico passa, sobranceira ao largo e ao teatro São Carlos, um muro de pessoas, só deixava ver nesgas da praça. Que espectáculo! Fico contente quando alguém (a organização do festival) consegue derrotar os preconceitos e os velhos do Restelo, que dizem que não há público para música clássica e canto lírico... Estavam lá (tem sido assim todos os dias) centenas de pessoas a atestar o contrário num frenesim que dava gosto! A orquestra a céu aberto, qual anfiteatro grego, o côro na varanda do São Carlos, demolidor. De estremecer!
Perante a impossibilidade de ver, contentámo-nos em escutar, mesmo ali ao lado, na esplanada do Café Haus, na companhia de um branco austríaco!
Imagino o turista ou o lisboeta mais desavisado que tenha passado pela rua de cima, de eléctrico! E também imagino o público aqui e ali distraídos pelo eléctrico num cenário improvável! Momentos mágicos! O nome do espectáculo não poderia ser mais apropriado!
viernes, 9 de julio de 2010
Os sonhos não se tabelam, nem carecem de hierarquia
“Hoje, se sentir medo, fique antes inspirada, porque a impossibilidade é altamente inspiradora”.
jueves, 8 de julio de 2010
Poesia entra em campo
Este senhor enche-me o coração de vontade.
martes, 29 de junio de 2010
Maradona e Kusturika
Maradona reconhece que é um actor, paradoxalmente não porque finja, mas porque vive. Responde assim a Kusturika no documentário que este realizador sérvio fez sobre o jogador argentino, que é também um documentário sobre ele próprio e sobre o seu olhar, sobre o seu cinema... Uma crítica que li na altura em que saíu o documentário mal dizia disso mesmo, de haver demasiado Kusturika no documentário sobre Maradona. A mim, pelo contrário, agrada-me. Nessa presença e identificação está a justificação do documentário: Kusturika admira o que é admirável em Maradona, a sua capacidade de renascer, de acreditar, de fazer os outros acreditarem, o seu sentido de justiça (ainda que possamos não estar de acordo com os pesos que ele coloca na balança) e o facto de pôr o coração e o sonho antes da razão, o facto de lhe importar mais do que o dinheiro... Não há como mostrar estas características sem as admirar.
Maradona é o jogador que perdeu para a cocaína, mas é também o homem que optou pelo Boca em detrimento de uma proposta mais choruda do Riverplat, para cumprir um sonho, é o homem que se recusou a conhecer Carlos de Inglaterra porque não tem memória curta, que marcou um golo (validado) com a mão à mesma Inglaterra no mundial de 86, no México, e chamou-lhe justiça (la mano de Dio), para vingar as Malvinas, que a Argentina perdeu para Inglaterra numa guerra quatro anos antes.
Por ter perdido a guerra, caíu a ditadura na Argentina e restaurou-se a democracia, mas isso parece não importar a Maradona, que se diz capaz de morrer por Fidel e revela ancorar nos escritos de Che Guevara as suas convicções políticas. Aqui também se deduz a cumplicidade existente entre o realizador e o jogador. E é aqui que eu deixo de entender a América do Sul, esta América do Sul que venera o comunismo... talvez quando a visitar perceba mesmo sem concordar... Talvez se eu fora Maradona
É estranho que da primeira vez que aqui coloque um trailer de um filme de Emir Kusturika seja sobre Maradona. É estranho porque deveria ser antes sobre o Underground, que é um dos filmes de que mais gostei na vida (e o na vida aqui fica bem) e o meu preferido deste realizador.
Mas foi ontem que vi o documentário e apeteceu-me este assunto de paleio, antes que me esqueça do que vi e do que senti...
lunes, 28 de junio de 2010
A origem do Roquefort
Gostei do jeito como se despe o pretensiosismo gourmet em Estômago. Eu que salivo com Roquefort e não sabia que se trata de uma "imitação francesa foleira do Gorgonzola", foi sobretudo disso que gostei. (O facto de o filme ter sido co-produzido pelo Brasil e pela itália pode ajudar a explicar o "esclarecimento!)
Também gostei da forma como entrámos nas "famigeradas" prisões brasileiras, mas sem cair na tentação da comiseração. Neste filme não se lambem feridas, só pratos :)
China?
Um dia foram todos chamados à cantina e um superior explicou-lhes que o rapaz da foto tinha vinte e poucos anos, pilotava aviões e perdeu a vida em serviço porque uma das peças falhara. Uma das peças que saíra daquela fábrica de aviões, porque alguém falhara... "Pensem nisso", ter-lhes-á dito o chefe!
Esta é uma das histórias que o filme - documentário 24 City conta. O realizador Jia Zhang Ke entrevistou antigos empregados de uma ex-fábrica de aviões chinesa, bem como alguns descendentes de antigos empregados, para nos mostrar um bocadinho da antiga China da segunda metade do século XX e da actual China. O filme é construído a partir das suas respostas. Um filme que nos deixa cheio de perguntas e com a suspeita de que a China está mais perto do que parece.
O pé esquerdo dele
Trabalha com as mãos e com os olhos, mas eu talvez não tivesse dado por ele se não fosse o que deixou de ser o seu pé esquerdo. Perdeu-o no ano passado numa explosão no Afeganistão, onde estava a trabalhar. Chama-se Emilio Morenatti, é espanhol e é fotojornalista da Associated Press.Não sei se desistiu de nos contar como vivem os que vivem nos territórios em guerra, mas agora está a cobrir o Mundial, na África do Sul...
Esta foto soberba foi captada num momento em que estes sul-africanos assitiam ao Portugal - Brasil, na sexta-feira.
Na África do Sul como no Afeganistão, este fotojornalista interessa-se (parece-me) mais pelos efeitos colaterais, do que pela batalha em si... O que me agrada.