Não me lembro do templo de Zeus, mas ainda tenho na memória a vista do Partenon. Dali parece que Atenas rebenta pelas costuras.
E rebenta, pelo menos rebentava a meio da década de 90, em ziguezague, sem passadeiras ou linhas brancas a direccionar o asfalto, os atenienses e os outros que vão a Atenas à procura das raízes.
Depois de me passar uma birra quase inconfessada por não ter ido mais para Leste, consolei-me com a ideia de que se era para começar a descobrir a Europa, que fosse pelas origens da civilização ocidental. Grécia e Itália estavam assim justificadas enquanto destinos de interail.
Ontem voltei à Grécia, à boleia da SIC...
Kolonaki square, a praça do luxo e das vaidades, dizia o taxista, que se queixava dos maus políticos gregos e da preguiça do povo.
Tanto que temos em comum... O fardo da função pública, até o facto da ditadura grega ter caído um mês antes da nossa...
Andam agora os gregos atiçados nas ruas a lutar por melhores condições sociais, deserdados da crise que já não é financeira, nem meramente económica. Em países como Portugal e Grécia nunca deixou de ser social. Formigas na hora da revolta, cigarras a prevenir as causas que a inflamam.
"Somos a primeira geração que sabe que vai viver pior que os nossos pais", dizia a arqueóloga, disposta a ser sindicalista por um ano (curiosa esta ideia)!
Às vezes fico entalada entre o conhecer mais e o conhecer pela primeira vez, entre o que não conheço e o que quero compreender melhor...
Acho que entendi mal Atenas quando lá estive e não me contento por não ter gostado da cidade. Tem que ser muito mais do que eu absorvi... Quero lá voltar e quero dar-lhe uma segunda oportunidade.
miércoles, 7 de abril de 2010
miércoles, 31 de marzo de 2010
Viver é mais que preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa
e ainda outro poema...
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa
e ainda outro poema...
martes, 30 de marzo de 2010
Os cinco
A Maria quis pôr-nos a falar de livros, dos livros de que mais gostámos, dos que mexeram connosco...
A Anita começou por ser para mim "o livro do sapo"... Conheci-o em casa da minha Tia Alice, que frequentava quase todos os sábados, muito antes de saber que sons desenhavam as letras. Tanto a minha madrinha como a minha prima Paula tinham vários "sapos"... De cada vez que assaltava a estante da sala de estar e abria um desses livros encontrava o meu amigo sapo e outros animais que forravam o papelão duro interior da capa e da contracapa dos livros da Anita antigos... São os primeiros livros de que tenho memória e provavelmente por eles comecei a gostar da ideia de ler. A minha madrinha tratou de me saciar esse apetite pela leitura, ao ritmo de um livro por mês, assim que eu comecei a ler e que ela começou a trabalhar. Foi sem qualquer dúvida a pessoa que mais livros me ofereceu na vida: os livros da Anita, da Patrícia...
Destaco o "Anita no Ballet" por ter sido lido vezes sem conta, por ver repetidamente aquelas posições, por treinar a partir delas, por ter decidido que queria aprender ballet também por elas, por depois ter percebido o tanto que gostava de dança e por ser a dançar que passo dos melhores momentos da minha vida!
Voltas a ser tu a culpada deste madrinha ;) Foste tu que me emprestaste "O Diário de Annne Frank". Eu teria talvez uns 12, 13 anos... e era com esta capa velhinha das Edições Brasil... Adorei na altura. Acho que me marcou como nenhum outro livro me viria a marcar: porque era a história da descoberta da adolescência de uma menina mulher numa altura em que eu também estranhava essa passagem, que tanto me questionava sobre ela; porque foi um contacto tão real com a História, o meu primeiro relatado na primeira pessoa. Uma História tão recente, tão vergonhosa e tão elucidativa e desmitificadora do bom senso e da bondade humana. Fiz questão, quando estive em Amesterdão, de conhecer os cantos e contornos do espaço que serviu de esconderijo e casa a Anne, à sua família e ao amiguinho Peter, antes de ser apanhada pela polícia e acabar num campo de concentração. E faço questão de lá levar os filhos que eventualmente venha a ter. E isso é uma promessa, como prometo motivá-los para a leitura deste diário.
Uma vez escrevi que este era o livro que gostaria de ter escrito, de tal maneira a poesia se encontra com a prosa nesta história, mas é mentira! Na verdade não quereria tê-lo escrito. Não mais. Sobre a história de amor, esta, nem sou capaz de escrever. Seria sempre pouco e desajustado.
Por que nã0? A proposta deste livro faz-nos pensar até que ponto somos capazes de amar apenas uma pessoa de cada vez, se sentimos desejo por tantas outras ao longo da vida e muitas vezes em simultâneo. Somos todos capazes de ser sacanas se formos devidamente postos à prova? Estamos apenas presos por um código de conduta, que não discutimos, não aprovámos, nem reprovámos? Aceitámo-lo tacitamente, quase só porque sim.
Penso num livro português de que tivesse gostado particularmente e este sai quase sempre entre os primeiros na minha cabeça. Coloca problemas semelhantes aos colocados em "Três Sereias". Defende o amor. Atiça-se contra os preconceitos. Um grande livro é também aquele que nos coloca a torcer pelo que habitualmente não torceríamos. Troca-nos as voltas, rasga caminhos novos. Fechada a última página, somos mais pessoa.
A Anita começou por ser para mim "o livro do sapo"... Conheci-o em casa da minha Tia Alice, que frequentava quase todos os sábados, muito antes de saber que sons desenhavam as letras. Tanto a minha madrinha como a minha prima Paula tinham vários "sapos"... De cada vez que assaltava a estante da sala de estar e abria um desses livros encontrava o meu amigo sapo e outros animais que forravam o papelão duro interior da capa e da contracapa dos livros da Anita antigos... São os primeiros livros de que tenho memória e provavelmente por eles comecei a gostar da ideia de ler. A minha madrinha tratou de me saciar esse apetite pela leitura, ao ritmo de um livro por mês, assim que eu comecei a ler e que ela começou a trabalhar. Foi sem qualquer dúvida a pessoa que mais livros me ofereceu na vida: os livros da Anita, da Patrícia...Destaco o "Anita no Ballet" por ter sido lido vezes sem conta, por ver repetidamente aquelas posições, por treinar a partir delas, por ter decidido que queria aprender ballet também por elas, por depois ter percebido o tanto que gostava de dança e por ser a dançar que passo dos melhores momentos da minha vida!
Voltas a ser tu a culpada deste madrinha ;) Foste tu que me emprestaste "O Diário de Annne Frank". Eu teria talvez uns 12, 13 anos... e era com esta capa velhinha das Edições Brasil... Adorei na altura. Acho que me marcou como nenhum outro livro me viria a marcar: porque era a história da descoberta da adolescência de uma menina mulher numa altura em que eu também estranhava essa passagem, que tanto me questionava sobre ela; porque foi um contacto tão real com a História, o meu primeiro relatado na primeira pessoa. Uma História tão recente, tão vergonhosa e tão elucidativa e desmitificadora do bom senso e da bondade humana. Fiz questão, quando estive em Amesterdão, de conhecer os cantos e contornos do espaço que serviu de esconderijo e casa a Anne, à sua família e ao amiguinho Peter, antes de ser apanhada pela polícia e acabar num campo de concentração. E faço questão de lá levar os filhos que eventualmente venha a ter. E isso é uma promessa, como prometo motivá-los para a leitura deste diário.
Uma vez escrevi que este era o livro que gostaria de ter escrito, de tal maneira a poesia se encontra com a prosa nesta história, mas é mentira! Na verdade não quereria tê-lo escrito. Não mais. Sobre a história de amor, esta, nem sou capaz de escrever. Seria sempre pouco e desajustado.
Por que nã0? A proposta deste livro faz-nos pensar até que ponto somos capazes de amar apenas uma pessoa de cada vez, se sentimos desejo por tantas outras ao longo da vida e muitas vezes em simultâneo. Somos todos capazes de ser sacanas se formos devidamente postos à prova? Estamos apenas presos por um código de conduta, que não discutimos, não aprovámos, nem reprovámos? Aceitámo-lo tacitamente, quase só porque sim.
Penso num livro português de que tivesse gostado particularmente e este sai quase sempre entre os primeiros na minha cabeça. Coloca problemas semelhantes aos colocados em "Três Sereias". Defende o amor. Atiça-se contra os preconceitos. Um grande livro é também aquele que nos coloca a torcer pelo que habitualmente não torceríamos. Troca-nos as voltas, rasga caminhos novos. Fechada a última página, somos mais pessoa.lunes, 29 de marzo de 2010
Lx Factory
Empurrei a porta, rodei a maçaneta e nada! Não cedia! O vidro era meio espelhado, daqueles que nos obrigam a esbugalhar os olhos para descobrir o que está do outro lado... Desta, como de outras vezes, corei assim que descobri que do outro lado havia mesmo gente, que sem qualquer esforço viam a minha figura!
Um cavalheiro resistiu à graça e veio em meu socorro. Perguntei-lhe se a cafetaria estava a funcionar, visto que me parecia uma reunião de staf... Não era e ele já não resistiu à troça. "Não sei, só vim abrir a porta", disse enquanto me piscava o olho. Percebi que havia gente a pedir ao balcão e entrei, agradecendo a "gentileza"...
Do outro lado do vidro não se via a escadaria que dava, aparentemente, para a zona de refeições. No piso térreo só havia duas mesas. Uma estava ocupada com o que julgara ser o staf e a outra passou a ser minha. Também não se ouvia do outro lado do vidro a voz aconchegante do Chico Buarque, com quem apetecia fazer coro.
As paredes eram pretas e altas. De uma delas sobressaiam utensílios de cozinha do IKEA, vermelhos e metalizados, numa lógica propositadamente caótica, desmascarada por um olhar mais atento.
A cafetaria estava alinhada com o lugar, provocava, pelo insólito, pela estética pensada, a combinar com o dress code dos clientes, que pareciam dizer: trabalhamos em empresas criativas, não andamos aqui pela indiferença e comunicámo-lo activamente.
Era assim o lugar, um parque de empresas voltadas para a criação, que se juntam mais ou menos aleatoriamente, ou talvez não, talvez por contágio... Mas não somos todos criativos, seja lá qual for o papel que desempenhamos? Pois, mas refiro-me aos convencionalmente criativos, o que até soa paradoxal.
Sentei-me. Faltava ainda uma hora para a minha reunião. Alinhavei a agenda, os papéis, pensei na nova semana que começara, organizei-a e organizei-me. Pensei que deveria fazer este exercício mais vezes. Senti-me pronta.
Não serviam à mesa. Pedi um café cheio ao balcão. Da coluna, ao lado da caixa registadora, cantava Caetano. "... eu aqui e ele lá..." O empregado colocou um pacote de açúcar no pires, enquanto esperava pelo cair do café. Eu ia dizer-lhe que tomava sem açúcar, mas reparei que era um pacote Nicola e não resisti à curiosidade. No pacote que me saiu lia-se "Um dia chove, no outro dia faz sol". Deleguei a sorte: deixei lá o pacote!
Um cavalheiro resistiu à graça e veio em meu socorro. Perguntei-lhe se a cafetaria estava a funcionar, visto que me parecia uma reunião de staf... Não era e ele já não resistiu à troça. "Não sei, só vim abrir a porta", disse enquanto me piscava o olho. Percebi que havia gente a pedir ao balcão e entrei, agradecendo a "gentileza"...
Do outro lado do vidro não se via a escadaria que dava, aparentemente, para a zona de refeições. No piso térreo só havia duas mesas. Uma estava ocupada com o que julgara ser o staf e a outra passou a ser minha. Também não se ouvia do outro lado do vidro a voz aconchegante do Chico Buarque, com quem apetecia fazer coro.
As paredes eram pretas e altas. De uma delas sobressaiam utensílios de cozinha do IKEA, vermelhos e metalizados, numa lógica propositadamente caótica, desmascarada por um olhar mais atento.
A cafetaria estava alinhada com o lugar, provocava, pelo insólito, pela estética pensada, a combinar com o dress code dos clientes, que pareciam dizer: trabalhamos em empresas criativas, não andamos aqui pela indiferença e comunicámo-lo activamente.
Era assim o lugar, um parque de empresas voltadas para a criação, que se juntam mais ou menos aleatoriamente, ou talvez não, talvez por contágio... Mas não somos todos criativos, seja lá qual for o papel que desempenhamos? Pois, mas refiro-me aos convencionalmente criativos, o que até soa paradoxal.
Sentei-me. Faltava ainda uma hora para a minha reunião. Alinhavei a agenda, os papéis, pensei na nova semana que começara, organizei-a e organizei-me. Pensei que deveria fazer este exercício mais vezes. Senti-me pronta.
Não serviam à mesa. Pedi um café cheio ao balcão. Da coluna, ao lado da caixa registadora, cantava Caetano. "... eu aqui e ele lá..." O empregado colocou um pacote de açúcar no pires, enquanto esperava pelo cair do café. Eu ia dizer-lhe que tomava sem açúcar, mas reparei que era um pacote Nicola e não resisti à curiosidade. No pacote que me saiu lia-se "Um dia chove, no outro dia faz sol". Deleguei a sorte: deixei lá o pacote!
domingo, 21 de marzo de 2010
Déjà vu versus flash foward
... é só uma sensação, fragmentada, dura um segundo, pouco mais, ou talvez até menos... Já todos passámos por ela, inexplicavelmente já estivemos naquele sítio, dissemos ou ouvimos exactamente a mesma expressão, vivemos aquela situação, com aquelas pessoas, sentimos aquele olhar. A ciência, que não arranca sem especulação, sem imaginação, ocupa-se pouco destas "ocorrências", bem mais exploradas pelo menos espartilhado território do senso comum...
E se o que chamamos de déjà vu resultar do que antes foi um flash foward de que não nos lembramos até que se concretize?
Na série "Flash foward" de que virei fã, mexeu comigo o momento em que alguém derrota essa visão do futuro, colocando um ponto final no presente, provando que a força do que tem que ser é tão menos forte quanto a nossa vontade o deseje fortemente ou é tão mais forte, quanto a nossa vontade o deseje fortemente.
Como diz o Variações noutro contexto, a culpa (e o mérito, acrescento) é sempre da vontade!
Preferimos voltar atrás no tempo, ou antecipá-lo?
PS: A SIC anda engraçada: a seguir ao "Flash foward" está a passar o filme "Déjà Vu"!
E se o que chamamos de déjà vu resultar do que antes foi um flash foward de que não nos lembramos até que se concretize?
Na série "Flash foward" de que virei fã, mexeu comigo o momento em que alguém derrota essa visão do futuro, colocando um ponto final no presente, provando que a força do que tem que ser é tão menos forte quanto a nossa vontade o deseje fortemente ou é tão mais forte, quanto a nossa vontade o deseje fortemente.
Como diz o Variações noutro contexto, a culpa (e o mérito, acrescento) é sempre da vontade!
Preferimos voltar atrás no tempo, ou antecipá-lo?
PS: A SIC anda engraçada: a seguir ao "Flash foward" está a passar o filme "Déjà Vu"!
jueves, 18 de marzo de 2010
Special one, feminino, singular!
E não fui a única a babar: vi um bebé de meses a fazer o mesmo enquanto arregalava os olhos para os três corações independentes que cintilavam e rodopiavam ao som da "Estranha forma de vida", numa sala de paredes negras!!
Vieira da Silva, Paula Rego e Joana Vasconcelos!!! Eu organizava uma digressão mundial a triplicar destas senhoras!
miércoles, 17 de marzo de 2010
Who else?

Há um treinador literalmente de primeiro plano, já que tudo é relegado para segundo plano quando ele está em jogo. Esta manhã ao espreitar os jornais internacionais, o nome que li nos títulos das notícias sobre o Chelsea-Inter (0-1) era o de Mourinho e não o dos clubes em campo!
Ofusca ou desfoca tudo o resto!
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