jueves, 4 de marzo de 2010

Saias!







Obrigada Marc Jacobs por teres feito uma colecçãozinha a pensar em mim... Saias, saias e mais saias e vestidos também. Tudo decente e abaixo do joelho, evasé, como eu gosto...




Já é o meu estilista preferido.









miércoles, 3 de marzo de 2010

O homem do leme (ahoy!)

Ignoro a identidade dos três pescadores mortos na barra de Caminha, nem sei como se chamam os dois que sobreviveram, mas quando ouvi a notícia esta manhã na TSF pensei no António.
O António é pescador e fazia uns biscates no Verão na doca de Seixas, que é como quem diz, transportava os turistas até aos barcos, ou levava-os à ilha no rio Minho.
Há e havia mais gente a fazer isso, mas suspeito que todos nós, sem combinar, simpatizámos mais com o António. É verdade que ele nos "subornava" com a banda sonora do FCP a bordo, apesar de ser sportinguista convicto, mas é mais do que isso... O António parece-se com um pescador ou com a ideia que eu construí dos pescadores. E nem é tanto pelo desembaraço, nem pelas rugas calejadas pelo sol... É mais pela dignidade, que nele é como um carimbo...

jueves, 25 de febrero de 2010

Espásmico

E o óscar para o melhor casting do ano vai para...


Macabro! Acabo de descobrir que foi por fatalidade que se juntaram no mesmo filme Heath Ledger, Jude Law e Johnny Depp... O primeiro morreu antes das filmagens terminarem e os outros foram chamados, juntamente com Colin Farrel (deveria ter sido o Gael Garcia), para o substituir, em inventadas transformações da personagem...

Dias de chuva

"Sou exactamente aquilo que pareço,... se olhares com cuidado."

A single man poderia ser um filme sobre a beleza, sobre como a beleza, por vezes, nada tem de relativo, não oxida e é consensual... Porque Tom Ford está provavelmente habituado a tratá-la por tu... Educou o olhar para a reconhecer e construir. Cada imagem deste filme de estreia do estilista parece ter sido pensada para ser beleza, a estética e a outra, a das coisas belas que a vida proporciona! E é aí que o filme deixa de ser apenas sobre a beleza para balizar o pessimismo e o optimismo, na justa medida de se perceber a beleza da vida.
Também poderia ser um filme sobre a perda, sobre a morte. E também é. "Acordar dói muito ultimamente"... "Só quero que o presente acabe depressa".

Porém, "A vida vale a pena por aqueles momentos em que conseguimos establecer uma conexão com alguém" ou pelos outros em que "o silêncio afoga o ruído e deixamos de pensar para apenas sentir"... e, de repente, tudo passa a fazer sentido.

E vale também por músicas assim como esta, que integra a fantástica banda sonora do filme:

lunes, 22 de febrero de 2010

A culpa é também nossa

Nunca pus os pés na Madeira, desconheço verdadeiramente como era a Madeira há uma semana.
Mas daqui a muitos anos, se voltar a este blogue e se reler o que estou a escrever, gostaria de pensar que os que sobraram da tragédia (nós), fizeram o que podiam para evitar a sua reedição.
Hoje ouvi um geólogo na TSF falar da vulnerabilidade das pessoas, de tal forma estavam mal preparadas para reagir e de tal forma se expuseram ao perigo... Falava da ausente cultura de prevenção, nas escolas, nas conversas entre amigos e de família... Se pensarmos no início da coisa, é de facto a falta de civismo o nosso calcanhar de Aquiles: somos deficientemente educados para exigir responsabilidades a quem de direito, para, na hora de comprar ou alugar casa, pensar até que ponto estamos a ser cúmplices de atentados urbanísticos...
Sempre que há uma tragédia, sempre que morrem pessoas, vítimas da irresponsabilidade, renasce a discussão sobre o desordenamento do território, sobre a irresponsabilização dos técnicos, dos autarcas, dos governantes e da sociedade civil (de tão passiva)...

Estamos a fazer bem menos do que podemos. Eu estou...

miércoles, 17 de febrero de 2010

Não

é mentira
é bem feito
é injusto, imerecido
é o contrário da vida
é morrer na praia
é desistir
é reescrever
é riscar em cruz
é sentir a abanar o arame
é falhar a rede
é o precipício
é monstruoso
é apagar a luz
é arranhar o vinil nessa faixa sem a gastar de tanto a ouvir
é o fim
é demais
é oficialmente indescritível

martes, 16 de febrero de 2010

"...o rumo verdadeiro"

Saímos com o pijama vestido e eu com as pantufas serranas, forradas a pêlo. A indumentária servia-nos o propósito: conduzir até ao primeiro café aberto para comprar cigarros. Foi o que fizemos. Paragem na Graça. Mantive-me ao volante com os quatro piscas a sinalizar os nossos objectivos de prazo curto. Poucas pessoas na rua, poucas pessoas nos cafés. A Lisboa, a quarta-feira de cinzas chegou adiantada.

O dia tinha sido para nós vazio, entre o sofá e as investidas ao frigorífico. Custou-nos quebrar esta dinâmica, mas a chuva era miudinha, a música da Radar sonorizava-nos a apatia e apeteceu-me protelar o regresso ao sofá... "Vamos ver o mar!" Fomos.
Estava brando o mar, mas a areia dura e molhada que pisávamos denunciava a fúria precedente. Ficámos a escutá-lo, assim, a acalmar-se...
"Sempre que olhamos para o mar, queremos mais do que ele nos pode dar..."
Lembrei-me da minha cena preferida do "Verão Azul": a Desi e a Julia sentadas na praia a ver o mar. A Desi passava por um mau bocado. A Julia convidou-a a entrar no mar. Entram as duas vestidas, com passos decididos contra as ondas. Mergulham!

Gosto destes momentos desalinhados.
As minhas pantufas estão a secar na varanda.