jueves, 11 de febrero de 2010

Fora-de-jogo o que não é do jogo!

Foi bem lá atrás que eu quis ser jornalista de desporto, mais ou menos na mesma época em que baptizava gatos com os nomes de Victor Baía, Fernando Couto e Paulo Sousa (o campeão de Riade e nao o benfiquista em que se tornou depois) e fazia o meu pai andar às voltas para ver passar no mesmo dia três vezes (aconteceu) o pelotão da Volta a Portugal, por culpa, sobretudo, do sprinter e eterno camisola verde Paulo Pinto, que só não teve direito a homenagem porque a gata que pariu na minha garagem ficou-se pelas três crias. O mesmo se aplica ao Nuno Marques, que partilhava com o Stefan Edberg o pódio do meu personal ranking ATP. Um "Ás" para abusar da terminologia da modalidade...
Percebi a tempo que o jornalismo tinha outros argumentos, pelo que outras motivações, que não as hormonais, me empurraram para o ofício. Raramente o desporto foi tema que abordasse...
Por outro lado, tempos houve em que fui sócia do meu FCP, ia à bola em família, e comprava euzinha mesma "O Jogo"... Fascino-me menos com esse mundo, mas não é por isso que me esqueci do que é um "fora-de-jogo" e também não é por isso que fico insensível ao vómito que provoca o jornalismo desportivo...
Assumo que teria dificuldade em ser imparcial nesta matéria. A verdade é que acredito num jornalismo eticamente correcto, mas não acredito na imparcialidade engalanada. Somos parciais, desde logo, na escolha dos temas (e dessa escolha eu não abdico por dá cá aquela palha)... Outra coisa é a ética, a obrigação de pesquisar, de conhecer as diferentes versões da história, de trabalhar com dignidade, de respeitar o que deve ser respeitado... Mas isto é tema para outra conversa...
No jornalismo desportivo escandaliza-me especialmente a falta de imaginação e o desrespeito pelo que é de interesse público, bem como um certo "sebastianismo" reinante... As mesmas histórias insípidas com os protagonistas do costume.
Afinal quantos campeonatos o Benfica ganhou nos últimos 10 anos, nos últimos 20? Número desproporcionado face à mancha vermelha que continua a dominar o jornalismo desportivo com o mote mais ou menos explícito "este ano é que é" a repetir-se incessantemente... Eu bem sei que são muitos milhões de expectativas para gerir, mas o entretenimento não é propriamente a vocação máxima do jornalismo! E se é, mudemos-lhe o nome!
O Leixões brihou em 2008 e o Braga está desde o início do campeonato na liderança (agora nem por isso, mas tem menos um jogo), mas continuamos a ouvir e a ler a descabida expressão "três grandes" a torto e a direito... E suspeito que o número é escrito e dito por muitos a contragosto, porque os resultados do FCP, por cá e por lá, tornam impossível deixá-lo de fora...
Um enjoo é o que isto é...
(Talvez este texto esteja daqui a 10 anos obsoleto! Oxalá o FCP se mantenha na mó de cima!)

Acrescento: Tinha mesmo muita vontade de ser editora de um jornal desportivo durante uma semana! Tinha, não! Tenho!

miércoles, 10 de febrero de 2010

This is Ground control to major...

"- Who the fuck are you?
- Excelente pergunta." (também acho)

"Sou a mulher com quem nunca terás que te preocupar."

"Sou como a minha mãe, uso estereótipos. É mais rápido."

"Nas nuvens"! De um tal de Jason Reitman... Gostei!
Lembro-me só destas frases, porque a minha amnésia selectiva se esqueceu de outras que a minha memória aspirante gostaria de ter retido... Em vários momentos desejei não estar numa sala de cinema ou gritar para a salinha de projecção: "Congela esse frame, que eu quero reler a frase e pensar um bocadinho sobre ela, faxavor!"
Já não me acontecia gostar tanto do palavreado de um filme desde o "Vichy, Cristina, Barcelona"! (que me lembre...)
Escrita escorrida, diálogos enérgicos, ideias com sumo para despejar à desgarrada entre goles de vinho tinto! Porque: "Se pensarem nas vossas memórias favoritas, nos momentos importantes das vossas vidas, estavam sozinhos? A vida é melhor com companhia."

E eu que só escolhi este filme porque não cheguei a tempo do "Anticristo" do Lars Von Trier! Vá, e porque o George Clooney, como é consensualmente sabido, actua que é um consolo!

jueves, 4 de febrero de 2010

Helas!

aqui escrevi sobre o acaso... Como ignorar isso a que às vezes rotulamos de acaso, outras de coincidência, destino, sina...? Aqueles momentos que nos deixam à nora, à procura da razão, prestes a desistir dela, entre a fascinação e a ira por não entender!

O tal acaso fez esgotar no Amazon um livro de ciência, "Get a Grip on Physics" do físico John Gribbin, por estar entre os pertences de Tiger Woods, resgatados da sucata do carro em que ia o jogador quando se espetou contra uma árvore:


O golfe, o bilhar... Física!

miércoles, 3 de febrero de 2010

Na Grécia antiga é que era!

Quando me "matriculei" no Twitter há, talvez, um ano, achei estranho que o Gabriel Garcia Marquez, apenas o autor de um dos livros de que mais gostei, aparecesse na janelinha... Pensei que talvez a editora tivesse feito um perfil nessa rede para o escritor... Depois percebi que havia vários!

Hoje leio que Jürgen Habermas, de quem tive que ler alguns escritos no meu período ubiano, também é nome de uma personagem do mundo dos twits... Alguém decidiu chamar-se assim e toca a debitar, inofensivamente, passagens do filósofo em doses de 140 letrinhas.

Dizia o The Guardian, que o Twiter tem um problema para resolver: como assegurar a autenticidade/credibilidade de quem assina e da mensagem?

Habermas, que é dado a estas questões da comunicação, talvez não tenha previsto que a liberalização total da comunicação, instalaria a anarquia entre emissores e receptores e o descrédito da mensagem.
Mas lá que o Twitter multiplica exponencialmente o número de "filósofos", multiplica!
Porém, não me convence!

martes, 2 de febrero de 2010

Menina das sete (ou mais) saias!


Pergunta: Pode mais uma saia fazer uma mulher feliz?
Resposta: Pode!

Eu, fútil me confesso: voltei a pecar!
Tudo por uma causa maior: o museu das saias de SM. Deve andar perto da centena a minha criteriosa colecção, com o detalhe de que mais de metade está a uso... As restantes rejeitam desaforadamente as minhas ancas, mas eu não sou rancorosa e protelo pacientemente o adeus!

Desconfio que carrego sangue nazareno nas veias e sinto-me na obrigação de ampliar a expressão "menina das sete saias"!

E para compensar este excesso de progesterona no post, informo que o Falcão acaba de enfiar mais um golinho na baliza do Sporting, oportunidade para me vingar dos desabafos dos meus vizinhos de cada vez que o Benfica ou o Sporting marcam golo! Biba o meu FCP! (espero que amanhã não tenha que reescrever esta parte do post!)

E quase uma hora depois... o FCP goleou! 5-2!
Mas o realizador da TVI escusava de explorar tão pornograficamente a dor na carinha inconsolável do Hélder Postiga, no banco do Sporting! Amorteceu-me logo os festejos... que por alguma razão só há dois golos de que me lembro eternamente: o do calcanhar do Madjer, na vitoriosa final dos Campeões Europeus em 1987, e o do penalty, em câmara lenta, do Postiga, no Euro 2004!

jueves, 28 de enero de 2010

"Lisboa VIVA"

Já se sabe: andar de autocarro fora das horas de ponta é o mesmo que atalhar para a parvoeira (tecnicamente designada por introspecção). Pior só a auto-estrada, onde os estímulos externos são quase nulos e não há outro remédio senão remoer! Eu acumulo quilómetros de experiência nesta matéria e, a bem da verdade, não se pode dizer que daí tenha resultado alguma coisa de produtivo. Azar o meu, que já foi tempo em que os pensadores eram apreciados pelo mero exercício dessa actividade ociosa... Não admira que em Atenas não haja sinal histórico dos tempos posteriores à antiguidade clássica: pois se eles já tinham atingido a perfeição? Retroceder para quê?
Mas o que quero partilhar é a minha indignação, ou talvez curiosidade (que a indignação dá muito mais trabalho): fazia eu hoje o habitual percurso de cerca de 20 minutos do 726, quando o meu suave despertar é interrompido pela visão grotesca de uns quantos bloqueadores atracados a carros alegadamente mal estacionados, ou estacionados sem comprovativo de pagamento do parquímetro?
Já não os via há uns tempos... Achava até que já algum iluminado na EMEL tinha percebido a imbecilidade do princípio bloqueador e tinha finalmente sugerido a compra de mais uns quantos rebocadores (suspeitei disso sobretudo depois do meu popó ter sido rebocado há uns meses) muito mais eficientes, já que garantem o pagamento da multa e, o mais importante, retiram o infractor da via, que é como quem diz, permitem que um lugar ocupado por um caloteiro possa ser disponibilizado para usufruto de um cidadão potencialmente cumpridor. No caso da viatura estar mal estacionada, o reboque trata de a retirar do local! Lógico?
Ao contrário, o que os bloqueadores fazem é perpetuar, prolongar a situação de infracção... Juro que já queimei uns quantos neurónios a tentar justificar isto, mas não chego lá. Alguém me explica por que razão se insiste neste esquema?
Ultrapassado o primeiro momento enervante do dia, mais à frente, já picada pela vontade de usar os bloqueadores directamente na mão dos legisladores e governantes, precisamente antes de transformarem estes produtos da diarreia mental em lei, vejo outra prova da insanidade mental das pessoas que colocamos no poleiro (seja activamente, seja por inércia): passo no que foi e poderia ser um oásis em Lisboa (em cidades civilizadas é conhecido por jardim)... O dito estava gradeado com o carimbo repetido a cada 10 metros da CML, como que a dizer: estamos conscientes de que já faltou mais para que isto se transforme num labirinto de ervas daninhas onde os ratos brincam às escondidas, para desgastar a porcaria que engolem, graças ao patrocínio ali despejado pelos humanos em doses generosas, ou quando já estão cansados de fornicar para aumentar a espécie e colocar Lisboa no pódio, ao lado do convento de Mafra!
A coisa piorou quando a minha memória (que até nem é grande coisa) me devolveu as palavras do actual presidente da CML (na altura em plena campanha). O senhor disse qualquer coisa como isto: os nossos jardins estão ao abandono porque já não há empresa que aceite fazer a sua manutenção, tal é a dívida acumulada da CML a estes prestadores de serviços! Mas trataremos disso!
Calma, não se apresse senhor autarca! Há prioridades, como obrigar o trânsito a fazer um U no Terreiro (agora é mesmo o que aquilo é) do Paço só para que possamos todos caminhar sem interrupções entre a praça e o rio... Que importa o comércio local e a mais lógica ligação da praça à pedonal Rua Augusta? Que importa que os turistas e lisboetas mais ousados no Martinho da Arcádia levem com carradas de CO2 dos autocarros, carros e afins que ali vão fazer fila, graças a estre iluminado desvio estratégico que interrompe a (lógica) recta que ladeava o rio!?
Voltando ao jadinzito, deu-me para pensar o mesmo que penso sempre que alguém se lembra de dizer que haveria menos incêndios se as matas estivessem limpas... Então e os moços e moças que beneficiam do rendimento mínimo (alguns, justificadamente, mas tenho para mim que são as excepções!)? Já recebem o dinheirito? Têm saúde? Então e jardinagem? Manutenção florestal?
O centro de emprego certamente que poderia dar daqueles cursos de formação para transformar estes senhores em prendados profissionais? E voltaríamos a ter jardins públicos mantidos com dinheiros públicos para benefício do público (que é isso que somos: gente que assiste)!
Os ratos são criaturas empreendedoras e de espírito nómada... Não há que temer pela extinção dessa espécie!

PS: Espectáculos de igual calibre multiplicam-se ao longo da rede da Carris. Aconselha-se o livre passe "Lisboa Viva", disponível por menos de 30 euros mensais!

martes, 26 de enero de 2010

O verbo é relativizar

O barulho do café a moer, mais do que o cheiro, que já não sentia, oficializava que estava pronta para dar ordem de partida ao cérebro. Levou o café, cheio e sem açúcar, como se habituara a beber, para a secretária. Iniciou o Gmail, mas nenhum dos remetentes lhe despertou particular interesse. Seguiu viagem... Começava quase sempre pelo El Mundo, mesmo que gostasse de gostar mais do El País, mas fizera disso regra quando apenas os conteúdos de um eram gratuitos. Depois saltava para o Público, quase por dever de consciência... O mesmo princípio induzia-a a picar os económicos portugueses, espanhóis, os brasileiros (adorava o Isto é), às vezes o Finantial Times, outras o Wall Street Journal, ... Uma vez ou outra viajava até um argentino, um italiano... Gostava de espreitar os galegos: Faro de Vigo, La Voz de Galicia,... Visitava quando se lembrava La Estrella Digital, a que achava especial piada e que, há uns anos, tinha uma paginação (no caso paginação é o termo, porque era mesmo o que fazia lembrar) muito gira, antes de alinhar na carneirada :(
Constrastou o artigo sobre a economia "superaquecida" brasileira com outro sobre a desvalorização do bolívar venezuelano e a consequente corrida às lojas para comprar leite em pó e afins... Pasmou com "a senhora que tropeçou no "actor" de Picasso, rasgando um pedaço da tela (?) e pasmou, mas menos, na notícia da Louis Vuitton que quer contratar o "consultor" Tony Blair...


De regresso a imagem que me marcou no primeiro filme que vi este ano no cinema, o "Ágora" do Alejandro Amenábar... Filmezinho insípido sobre como os "segundos" cristãos rapidamente se esqueceram da intolerância que sofreram os "primeiros" e trataram de castrar qualquer tentativa de questionar o dogma... É também sobre outra intolerância, a que escondia o medo do conhecimento ou do "atrevimento" de querer saber mais (a filósofa Hipátia poderia ter-nos poupado uns séculos de atraso, caso a intolerância/preconceito/medo não falasse mais alto)...
A imagem de que me lembro era a da "pequena" Terra no Espaço, metáfora da insignificâncioa das nossas lutinhas e dos nossos probleminhas...
Mas, por outro lado, quando é que é legítimo começar a "relativizar"?