Ela diz-lhe:
- Sinto-me na corda bamba e desconfio que me desiquilibro só porque sei que estou a caminhar sem rede. Sabes? Temo inflamar o atrevimento e rejeito a toda a hora a injecção de coragem com que a tua presença me ameaça. Sabes? É como se a sanidade me aleijasse as dúvidas em que me embalo.
lunes, 21 de septiembre de 2009
miércoles, 16 de septiembre de 2009
O complexo de mariposa
Há palavras que se escondem em casulos.
Há palavras que gritam de tão seguras, isoladas como num estúdio de rádio com o microfone fechado.
Invioláveis essas palavras que procuramos, deambulando, de casulo em casulo, insensatos e enfeitiçados na inércia do sentido...
Arriscamos adivinhar, mas não arriscamos muito porque preferimos também nós construir casulos onde guardamos as palavras, outras palavras ou as mesmas, que não ousamos libertar...
E pronto: acabadinha de inventar a razão para eu gostar tanto de borboletas, como se não me bastassem aquelas cores vadias que repousam entre voos coreografados...
Efémeras, as palavras fora dos casulos também vivem pouco tempo, fazem sentido durante pouco tempo...
Há palavras que gritam de tão seguras, isoladas como num estúdio de rádio com o microfone fechado.
Invioláveis essas palavras que procuramos, deambulando, de casulo em casulo, insensatos e enfeitiçados na inércia do sentido...
Arriscamos adivinhar, mas não arriscamos muito porque preferimos também nós construir casulos onde guardamos as palavras, outras palavras ou as mesmas, que não ousamos libertar...
E pronto: acabadinha de inventar a razão para eu gostar tanto de borboletas, como se não me bastassem aquelas cores vadias que repousam entre voos coreografados...
Efémeras, as palavras fora dos casulos também vivem pouco tempo, fazem sentido durante pouco tempo...
miércoles, 9 de septiembre de 2009
What else!?
Qualquer coisa como isto:
"- Então o que pode ajudar a forjar o afecto?
- A dança, mesmo que o parceiro seja sofrível..."
De "Orgulho e preconceito" da Jane Austen
"- Então o que pode ajudar a forjar o afecto?
- A dança, mesmo que o parceiro seja sofrível..."
De "Orgulho e preconceito" da Jane Austen
miércoles, 2 de septiembre de 2009
Paula Rego

Gosto das pinceladas brutas da Paula Rego, das cores sem cerimónia, gosto do misto de força e fragilidade da figura feminina. E gosto muito deste baile ao luar, tão ambíguo. Gosto das "bebedeiras de azul" alugadas ao António Gedeão...
E não tarda abre em Cascais o museu Paula Rego. Que bom que não deixámos de prestigiar a pintora e de nos prestigiar através dela.
martes, 1 de septiembre de 2009
Sinal proíbido
"Queria ter vivido de outra forma, mas deixei-me invadir por coisas que me são estranhas... Tenho a impressão de que a vida que levo nao corresponde à minha verdadeira natureza... Sinto que não mudei, mas deixei de o conseguir provar aos outros..."
Do filme "Ma mère" de Christophe Honoré, numa adaptação de um livro de Georges Bataille. Uma aposta de Paulo Branco e de Isabelle Huppert, a tal.
Sobre os desejos que tememos, os que ultrapassam os princípios que nos habituamos a respeitar... Os do filme podem não ser os nossos (não são de quase ninguém, acredito), mas seguramente que todos temos vontades com as quais não queremos lidar.
"O desejo torna-nos fracos", diz-se no filme.
Do filme "Ma mère" de Christophe Honoré, numa adaptação de um livro de Georges Bataille. Uma aposta de Paulo Branco e de Isabelle Huppert, a tal.
Sobre os desejos que tememos, os que ultrapassam os princípios que nos habituamos a respeitar... Os do filme podem não ser os nossos (não são de quase ninguém, acredito), mas seguramente que todos temos vontades com as quais não queremos lidar.
"O desejo torna-nos fracos", diz-se no filme.
domingo, 30 de agosto de 2009
Caminha
Nasceu mais um potro na ilha dos Amores, mas a loura "Shakira" parideira já não anda por lá...
Continuam a saber melhor ali as sardinhas assadas a escorrer no pão, a massa com feijão feita na hora e o café que levamos na garrafa térmica...
Até mesmo o café em baldes como o que nos servem quando optamos pela escapadela a uma das esplanadas da margem espanhola, com segundas intenções: beber a fresquinha aguardente de hierbas!
Já a água daquela foz continua quente, teimosamente mais quente do que no mar ali ao lado...
Eu também teimo em não saber domar as correntes, nem o vento, mas sinto-me mais ao leme, mesmo que às vezes ainda me sinta a mais ao leme!
Cerveira terá sempre a melhor feira e a surpresa dos achados urbanos, legados da bienal.
Em Caminha elejo a praça, dos pequenos almoços preguiçosos, entre jornais e revistas,
e dos cafés digestivos nas noites amenas de Agosto...
A Rua Direita continua a mesma, mas eu sou menos a mesma.
No que continua, ainda bem que continuam os jantares em que todos nos reencontramos, ou quase todos... Este ano faltaram Alguns...
Mas é o reencontro o que mais gosto em Caminha: gosto desse conforto de vos ter por perto, gosto desse quentinho que sinto neste cantinho.
Continuam a saber melhor ali as sardinhas assadas a escorrer no pão, a massa com feijão feita na hora e o café que levamos na garrafa térmica...
Até mesmo o café em baldes como o que nos servem quando optamos pela escapadela a uma das esplanadas da margem espanhola, com segundas intenções: beber a fresquinha aguardente de hierbas!
Já a água daquela foz continua quente, teimosamente mais quente do que no mar ali ao lado...
Eu também teimo em não saber domar as correntes, nem o vento, mas sinto-me mais ao leme, mesmo que às vezes ainda me sinta a mais ao leme!
Cerveira terá sempre a melhor feira e a surpresa dos achados urbanos, legados da bienal.
Em Caminha elejo a praça, dos pequenos almoços preguiçosos, entre jornais e revistas,
e dos cafés digestivos nas noites amenas de Agosto...
A Rua Direita continua a mesma, mas eu sou menos a mesma.
No que continua, ainda bem que continuam os jantares em que todos nos reencontramos, ou quase todos... Este ano faltaram Alguns...
Mas é o reencontro o que mais gosto em Caminha: gosto desse conforto de vos ter por perto, gosto desse quentinho que sinto neste cantinho.
lunes, 24 de agosto de 2009
Par delá les nuages
Há uns anos vi no saudoso Cinecentro da Covilhã um filme (o último) do Antonioni, que tinha este título fantástico "Par-delá les nuages" - para além das nuvens... E é de nuvens que é feito o céu que observo sobre o Monte de Santa Tecla do outro lado do rio Minho. Algumas cortam mesmo o monte a meio e as mais atrevidas pousam no rio e confundem-se com ele, como se quisessem resgatar-lhe a água, que se escapa em vapor...
E as nuvens, em dias de férias, deixam-me melancólica e sonolenta, com vontade de evaporar. Fugiria bem para lá das nuvens.
E as nuvens, em dias de férias, deixam-me melancólica e sonolenta, com vontade de evaporar. Fugiria bem para lá das nuvens.
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