miércoles, 29 de julio de 2009

Sumo na vida!

Quando um desconhecido te oferece flores, isso é... um acontecimento mmmmmmmuuuuuuuuuuuito raro... Até um conhecido, quanto mais!

Por isso merece registo a cena que eu e os restantes passageiros do 726 testemunhámos hoje: um casal discutia no passeio... ela volta-lhe as costas... ele arranca atrás dela, apanha-a e fica a rodopiar com ela ao colo!
A coisa selou-se com um beijo e entretanto o semáforo ficou verde...

Apeteceu-me bater palmas!

martes, 28 de julio de 2009

A idade das trevas...

A escolher um período da História, o que mais me agrada em termos estéticos é a época medieval.
Gosto da imponência simples do gótico, sem grandes enfeites, mas harmonioso...
Gosto da penumbra das candeias e dos enigmas do fogo!
Gosto dos instrumentos artesanais e da música melódica e singela que ecoam! E dos passos coreografados que ensaiavam o amor cortês!
E das distâncias galgadas a cavalo! E da honra, quando ela valia a vida!
Gosto dos materiais ainda naturais: da madeira, do ferro, das peles, da lã, do linho e do algodão...
Gosto do corte cintado dos vestidos, das blusas de pano leve que se escapavam dos espartilhos apertados em cruz, das mangas largas, das túnicas de dormir brancas e longas até aos pés...

Gosto das capas com capuz!
Gosto do veludo e das cores ferrugentas dos tecidos, dos ocres... Das tiaras no cabelo, que crescia sempre sem freio...



Gosto dos espectáculos feitos para rir e da alma dos saltibancos!
E gosto desta mistura toda agora reinventada e recriada...



No último fim-de-semana foi Caminha que recuou até 1284, ano quem D. Dinis lhe concedeu foral...
No ano passado entrei a sério nesta história, e brinquei de pseudo-artesã-comerciante! Este ano fui apenas figurante, mas trajadinha a rigor!

lunes, 27 de julio de 2009

O cúmulo do egocentrismo é...

... fazer uma viagem de três horas a escutar a Antena 1 e achar que a maioria das músicas que passaram parecem ter sido escritas para mim!

miércoles, 22 de julio de 2009

Ahoy!!

Hoje conheci um verdadeiro marinheiro português.
Com ele tive uma daquelas conversas, que torna insuficiente a palavra entrevista! Daquelas que me impedem de desistir de ser jornalista.
Vivia há uns anos na África do Sul, quando decidiu construir o seu primeiro veleiro antes de o saber manejar… Com ele atravessou o Atlântico e conheceu quase o mundo inteiro.
Vendeu-o. Construiu um segundo, onde também velejou por meio mundo.
Vendeu-o. Construiu o terceiro, com que pescou atum à cana no mar da Namíbia.
Vendeu-o. Construiu o quarto para voltar a viver no mar alto.
Conheceu o “Adamastor” e dele teve medo: “Ondas de 15 metros!” Perguntei-lhe a certa altura: entre tantas voltas, tantas aventuras, que momento guardava naquele cantinho especial da memória? Pensei logo a seguir que era uma daquelas perguntas patetas, pois devem ter sido tantos esses momentos… Surpreendeu-me (ou não, se bem pensar): “Foi quando cheguei a Lisboa, quando avistei a costa portuguesa!”
Este marinheiro decidiu agora atracar… Sinto inveja dos marinheiros, dos verdadeiros, da liberdade e da força de vontade!
Em mim, marinheira diplomada, mas de água doce, há resquícios cobardes dessa vontade de largar amarras, fundear de vez em quando, atracar de vez em quando, mas nunca para sempre, para não me afundar de vez…

lunes, 20 de julio de 2009

Dolce, ma non troppo!

De dentro do helicóptero, ele (jornalista) pede-lhes (às dondocas estilosas que apanhavam sol na cobertura de um prédio) o número de telefone, que não chega a obter e nunca obteria tal é o barulho da hélice, tal é o barulho da vida, para quem não estaciona em quase nada, para quem opta pela sedução do imprevisto... E talvez não lhe interessasse genuinamente aquele número, pelo menos não tanto como lhe interessava pedi-lo!
Começa assim o "La Dolce Vita" de Frederico Fellini, um filme tão cheio de detalhes, de entrelinhas, que merece (carece de) ser visto mais do que uma vez...

A história começa com uma falha de comunicação e é com ela que acaba, já que a menina angélica da sequência final também grita qualquer coisa que o nosso protagonista não capta, mas ficamos com a impressão que é essa mensagem que ele vai agarrar, como trilho de vida...

Porque o filme, que se passa em Roma, a capital do catolicismo, também é sobre a busca de um sentido para a vida e sobre a dúvida do que ela possa ser: viver intensamente como se não houvesse amanhã será talvez evitar ou protelar esse amanhã porque não queremos ou não sabemos tomar decisões e com elas preterir a multiplicidade de opções que só quem se sujeita à espontaneidade conhece!

Vemos Jesus (em estátua) suspenso do helicóptero a sobrevoar Roma, a mesma Roma que engole o "milagre" encenado da aparição de Nossa Senhora a duas crianças! Porque na vida, buscamos os milagres e acreditar neles, para nos facilitar a opção, para não andarmos à deriva...

Talvez a deriva seja mais verdadeira do que as certezas que achamos que temos, sugere uma das personagens, aparentemente alinhada, quando decide matar os filhos e se suicidar!

Foi uma excelente ideia assistir na Alameda à sessão de cinema ao ar livre e rever o "La Dolce Vita"

jueves, 16 de julio de 2009

Dance with me!

Não vi o "Bande à Part" de Jean Luc Godard, mas este vídeo, com música dos Nouvelle Vague, deixa-me com água na boca para descobrir o filme...
E a fantástica saia às pregas presa com um alfinete?!! Era um "must" na minha infância!

Estive a pensar no assunto e conclui que "Dança comigo!" é a melhor frase de engate de sempre. Porquê? Porque denuncia o interesse por e a vontade de e ainda poupa o embaraço, e às vezes mau jeito, das primeiras palavras... E tanto o corpo pode dizer...

No fundo é uma fórmula intemporal... já nos serões medievais era assim que os cavalheiros abordavam as damas, na versão mais vassala de "Conceda-me o prazer desta dança?"

E depois, dançar é claramente o meu exercício físico preferido...