miércoles, 8 de julio de 2009

Wako?

Pergunta: Em que pensa enquanto dança?
Resposta de Michael Jackson: "Não penso. Pensar estraga tudo. Dançar consiste apenas em sentir."

... e digo eu: se pensarmos enquanto dançamos, impomos uma censura aos nossos movimentos! Ou pior: imaginamos a censura dos outros aos nossos movimentos! E isso estraga tudo!
Claro que domesticar o pensamento já é difícil... anulá-lo totalmente é... impossível!

martes, 7 de julio de 2009

Dias que queremos chamar de vésperas

Há dias em que não me sinto em mim
Há dias assim
Há dias em que acordo com medo,
que mantenho em segredo
Dias em que o chão é quem se desvia dos pés
Dias ao invés
Há dias em que nada estava previsto,
mas nesses dias não gosto disso
Há dias Não
Há dias em vão

O progresso que não encomendámos...


Isabelle Huppert é um critério para eu escolher um filme, não só porque figura entre as actrizes que mais admiro, mas porque sabe escolher argumentos que também me agradam. Home confirma isso mesmo: gostei outra vez...

jueves, 2 de julio de 2009

Feras!


Vale a pena esta peça para nos vermos ao espelho! ... e para rir muito! ... e depois reflectir sobre até onde nos levam as banalidades...

miércoles, 1 de julio de 2009

Joana Vasconcelos e a fórmula de Frida Kahlo

Vi-o no Eleven, feito candeeiro, imponente! Um coração de Viana, sobredimensionado, e onde centenas de talheres de plástico teciam o rendilhado encantador da filigrana. Portugal assim representado e representando a grandeza de uma arte em que somos mestres: a ourivesaria em filigrana. Chama-se "Coração independente" também numa alusão ao Fado e é feito com talheres, relacionando a peça com os restaurantes onde o Fado é cantado, de acordo com a explicação da autora, Joana Vasconcelos.
Este cruzamento de ideias agradou a alguém ao ponto de pagar 192 mil euros pela peça, num leilão da Christie's, realizado ontem.
Joana Vasconcelos elegeu a escala, como quem grita... Talvez seja mesmo preciso gritar para sobressair na multiplicidade de propostas artísticas...
A autora de "Cinderela", um sapato de tacão gigante feito só com tachos e testos, grita pela cultura e pelas tradições portuguesas e grita sobre o papel da mulher na sociedade. Frida Kahlo também fez das tradições mexicanas o fio condutor da sua obra e também elegeu a mulher, ainda que numa perspectiva de introespecção mais do que sociológica.
Frida colocava-se ao espelho enquanto Joana é a observadora externa. Mesmo nas suas obras, é muitas vezes o terceiro elemento. Na colcha de renda gigante, que vestiu uma torre do castelo de Santa Maria da Feira e depois pendeu da varanda da Ponte D Luis, no Porto, foi a coordenadora de muitas mãos de fada, especialistas em crochet.

O nome de Joana é dos mais internacionais das artes plásticas portuguesas... A fórmula de Joana é brilhante: passa a mensagem da estética e das tradições de um povo e convoca a discussão sobre a condição feminina.
Não há fórmulas certas. Se há traço que caracteriza a arte contemporânea é a total ausência de espartilhos (Frida percebeu-o bem), mas a fórmula de Joana parece-me potencialmente mais certa do que a de muitos outros: faz sentido criar sobre o que melhor conhecemos, faz sentido criar sobre o que melhor nos define, faz sentido diferenciar-nos à boleia disso... Ela faz tudo isso, tal como Frida o fez.

A voz!

A fila de trânsito é bem mais tolerável, quando começo a escutar os Sinais do Fernando Alves, na TSF.
Hoje ouvi-o sobre Pina Bausch, "a mulher que pôs o medo a dançar". Assim a caracterizou, numa crónica excelente. São todas. As palavras que usa parecem insubstituíveis, o tom é inevitavelmente envolvente, o ritmo, os silêncios têm a medida certa.
Imagino que assim seja em quase tudo o que faz. Mesmo quando se propõe a mostrar a rádio a duas estudantes de comunicação social, substituindo um cicerone que se havia atrasado.
Ainda bem que se atrasou: tivemos sorte! Contagiante, a voz matutina da TSF fez-nos a visita guiada, em jeito romanceado, porém era a verdade que nos transmitia, a verdade dos dias da rádio, os dias dele na rádio!

Na altura estava certa de que a imprensa era o meu caminho e ainda não tinha percebido o encanto da escrita para rádio, do ditado para a voz. Não sabia que era precisamente por aí que o meu percurso profissional iria arrancar. (Tenho saudades da rádio...)

“Já corremos de mãos dadas a mais secreta noite do mundo.
Já subimos ao alto da montanha.
Sabemos todos os nomes do medo e da alegria.
Em ti me transcendo.
Podia morrer nos teus olhos se nestes dias de cigarras doidas perderes de vista o meu coração vagabundo.
Dá-me um sinal.
Abraçar-nos-emos de novoantes dos rigorosos frios.
De novo o grande sobressalto.
O formidável estremecimento dos instantes felizes.
Podia morrer nos teus olhos amada rádio”

Fernando Alves

martes, 30 de junio de 2009

dance me to the end of...


Há duas sequências do "Habla con ella" que dificultam qualquer tentativa de indiferença perante o trabalho de Pina Bauch. No ano passado assisti à dança final do filme no CCB. Esgotados todos os bilhetes, como esgotaram sempre em todos os espectáculos da Pina Bauch em Portugal, consegui o lugar mais rasca, nas galerias, o correspondente ao terceiro anel.

Eu sabia que ia gostar, mas não sabia que era tão fácil gostar de todo o espectáculo. E era fácil para qualquer pessoa, habitual apreciadora de dança contemporânea ou não.
Tudo atraía no espectáculo: a música (fado também), o mise en scène, a história, o humor, os movimentos!

Para educar novos públicos para a dança, o legado de Pina Bauch é um dos caminhos.