viernes, 19 de junio de 2009

Uma odisseia na FCT

Ligo para a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) com o objectivo de falar com alguém ligado ao departamento de investigação no sector espacial. Atende-me um gravador: "Se quiser ser atendido em português, marque 1." Eu, obdiente, marquei. Recomeça a vozinha: "Bolsas, marque 1; programas e projectos de I&D, marque 2; unidades, marque 3..." Arrisquei unidades. Pedi para falar com alguém do sector espacial. "Não é aqui". Perguntei qual a extensão certa. "Não sei, mas aqui não é." Pedi para me passar à telefonista. Fiquei pendurada à espera que a telefonista encontrasse alguém da área... Niente!
Voltei a ligar e depois de ouvir uma longa lenga lenga, percebi que extensão 9 ligava directamente à telefonista! Pedi-lhe a extensão directa para os responsáveis do departamento espacial...

Na era dos callcenters, em que meio mundo está ao telefone, as telefonistas são substituídas por paleio só eficiente quando o interlocutor tem boa pontaria e acerta na extensão!

Não sou a primeira, nem serei a última a queixar-me deste processo de atendimento telefónico!
Porquê que se mantém a fórmula? Juro que não entendo.

martes, 16 de junio de 2009

Foi molhada a festa foi!

O "SIM" foi abafado pela tromba de água que São Pedro generosamente enviou para abençoar a boda, mas garantem fontes presentes no local que, efectivamente, eles se casaram nesse dia.
A cerimónia, pensada para o amplo jardim com vista para o mosteiro (a adivinhar um fim de tarde soalheiro, próprio das vésperas de Verão), foi reformulada e confinada à esplanada do restaurante, onde os convidados, artilhados de câmaras fotográficas, esperavam a noiva, também armada, mas de guarda-chuva. O espaço foi coberto de improviso por um toldo que se ia aproximando das cabeças dos noivos à medida que a chuva ia cavando uma poça de água. Houve quem fizesse apostas para o caso do toldo ceder ao peso do tal lago que se estava a formar. Por sorte, o "amável" oficial de notariado era profissional expedito e despachou a coisa em minutos!
Para quem não conseguiu escutar o "SIM", a banda de Goran Bregovic anunciou que os noivos já estavam casados, que já era possível alargar o nó da gravata, molhar a garganta, acalmar o estômago, …
Acondicionadas as entradas, foi tempo de, desordeiramente, passar ao jantar, servido intercaladamente entre um passo de dança e um cigarrito.
O acto de cortar o bolo da noiva e respectiva laçada de taças de champanhe (notou-se que os noivos não treinaram esta parte da cerimónia) foi antecipado pelos "obrigatórios" discursos (também mal ensaiados).
Depois de quase todos os sapatinhos terem puxado o lustro à pista de dança, eis que os noivos se lembraram de abrir "oficialmente" o baile, ao som de Rodrigo Leão, num tango arrebatador, mas pouco arrebatado (o ensaio foi na véspera e revelou-se insuficiente!).
A festa seguiu com os habituais picos de emoção: o ramo foi lançado uma boa meia dúzia de vezes e a noiva revelou total falta de tacto ao atirar a promessa de um novo casório para cima do telhado! As noivas em lista de espera não se digladiaram, nem houve luta na lama, apesar da chuva ter preparado o cenário ideal para que tal sucedesse…
De registar que nem só a chuva molhou este casamento, dada a quantidade de carpideiras(os) de serviço! A noiva integrou eficientemente esta fileira, não resistindo ao "Reviver o passado antes e depois do príncipe", um documentário carinhosamente construído por alguns dos amigos…
Amor e Amigos são, aliás, as palavras que ficam desse dia na memória dos noivos. A esses tesouros juntos chamamos Família!

Toca a pôr o CR7 a render

Não me passa pela cabeça que o Real Madrid va pagar o galáctico salário ao Cristiano Ronaldo, sem esperar um mais galáctico ainda retorno financeiro... Em merchandising, contratos publicitários, notoriedade... o que for...
Ora, se o CR joga e irá jogar (a menos que parta alguma pecinha ou mude de nacionalidade) na nossa Selecção, com a portuguesinha vestimenta, não vejo por que razão não estamos já a vender camisolinhas como o número 7 e o CR e a cara do CR estampadinhos aos pacotes, xuteiras, toalhas de banho, porta-chaves, lenços de papel, talheres, vinho,... tudo trajadinho com o equipamento luso do Cristianinho!
Estágios da selecção na China e na Índia (onde os fãs são mais do que as mães) já! (baratinho isso ficaria!)

E depois poderemos também "largar fogo"...! (Que a pirotecnia é coisa também muito portuguesinha!)

E o João Jardim que ainda não colou a Madeira ao CR?! Pedir a independência do "contenente" agora é que não viria nada a calhar!

Anda tudo distraído!

PS: Claro que o facto de estarmos ainda quase de fora do próximo mundial também não ajuda. O moço ainda casa com uma guapa e passa a jogar pela muy em forma España

lunes, 8 de junio de 2009

Desprezo ou apatia?

Destas europeias sobra-me uma dúvida: afinal foi o desprezo ou a apatia que ganhou estas eleições?

A mim parece-me que foi a apatia, o que é, julgo, bem mais grave do que o desprezo.
Os abstencionistas estão em grande forma e isso não está a dar que pensar!
Definitivamente ganha a apatia, até na fileira dos que participam.

À escuta...

Escutar as conversas dos outros é... por vezes inevitável e também por vezes bem agradável.

Adoptei uma esplanada perto da escola onde dou aulas e lá, um dia destes, tive eu direito a uma aula sobre bonecas. Na mesa ao lado da minha dois entusiasmados coleccionadores e recuperadores de bonecas antigas trocavam histórias sobre as suas vivências... Fiquei a saber que, no que toca a casinhas de bonecas, as vitorianas (inglesas) são as mais perfeitas. Por outro lado, ninguém ganha aos alemães nas reproduções em miniatura.
Também descobri que é português o dono da boneca miniatura mais minúscula e também é português o dono da miniatura mais valiosa...
E que há projectos para um museu de bonecas em Cascais...
E fiquei com vontade de saber mais deste mundo em formato XXXS: uma ideia a explorar, talvez...
Na minha parca, maas bem conservada colecção, destaco a mais antiga: um boneco bebé, com menos de 30 centímetros, que pertenceu à minha mãe e que posou ao meu lado no dia em que me fotografaram pela primeira vez... E a Carlota, que perdeu o triciclo e parte das pernas, mas mantém o que a tornava especial: o longo cabelo cor de laranja, onde eu ensaiei vários penteados.

domingo, 7 de junio de 2009

Lado lunar?

Descobri afinal para que serve este paleio todo. Serve para disfarçar a falta de memória. Serve para não me esquecer de mim... Serve para saber quem sou agora e para saber depois o que fui.
E serve para me mostrar ao mundo, da melhor maneira, por exclusão de todas as outras possibilidades...


É difícil encontrar uma letra do Carlos T de que não goste...

Lado Lunar
(Rui Veloso / Carlos T)

Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho
Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não é por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar
Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar
Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e runas de amores
Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo é tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso
Não é bem por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

domingo, 17 de mayo de 2009

Um poema de sempre

Sempre me pareceu que a poesia precisa da voz para melhor ser apreciada, com ou sem música...

Estrela da tarde, do Ary dos Santos (recordei-a hoje na TSF)

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!