Torço sempre pelo artista!
Quando sinto mesmo à distância que treme, quando dá quase tudo e quando não consegue dar quase nada...
De cada vez que o malabarista deixou cair as massas (acho que se chamam assim) no chão, torci por ele. Estava, talvez, num dia menos bom... daqueles em que nem o suor faz render.
A penúltima vez que fui ao circo não tinha mais do que 10 anos. Desde essa altura as doses XXL de circo televisivo pelo Natal têm-me convencido de que não sou lá grande fã do "maior espectáculo do mundo"... Mas ontem alinhei no programa familiar e dei ao circo a três dimensões uma nova oportunidade...
A tenda era bem mais pequena do que a minha memória me deixava imaginar, mas estava quentinha!
O espectáculo abriu com as feras, demasiado amansadas, que se arrastavam pela arena como se contassem chicotadas para adormecer! Mais tarde apareceram uns elefantes igualmente molengões e com ar de quem está com muuuuuuuuitas saudades de África! Que era onde eles deveriam estar...
Do resto do espectáculo até gostei... mais do que esperava! Foi muito digno!
Enquanto torcia pelo malabarista, para que não voltasse a deixar cair as massas, pensava em quanto do tempo dele era passado com aqueles objectos mais ou menos traiçoeiros... e em como nos movem objectivos tão diferentes e formas de estar tão distantes... e lembrei-me de um menino que estudou comigo algumas semanas na Primária: estava de passagem (vivia de passagem) com a família circense de que fazia parte. Acho agora que ele era tímido, apesar de muito assediado por todos nós. Convidou-nos para o espectáculo em que fazia de palhaço pobre e onde já não parecia nada tímido... Foi talvez, até àquela altura, o artista mais jovem que eu vi actuar. E foi o primeiro por quem eu me lembro de ter torcido a sério.
A recordar: "Vamos ao circo" dos Sitiados
lunes, 13 de abril de 2009
martes, 7 de abril de 2009
!!!!!
"Percebi onde era o quarto, nas traseiras, num sítio de acesso proibido, empoleirei-me na vespa - que aquilo ainda era um primeiro andar - e estiquei o braço, por baixo da janela da enfermaria." Foi assim que durante cinco dias Helena adormeceu, de mão dada com o marido. Que, enfim, depois dela ter alta, foi ele próprio internado, com uma pneumonia.
Os protagonistas desta história, publicada no artigo "Borboletas na barriga", na revista Única, de 4 de Abril de 2009, têm mais de 70 anos.
A minha foto preferida do Robert Doisneau. Pode ter sido encenada (orquestrada), mas é uma bela metáfora de amor!
Os protagonistas desta história, publicada no artigo "Borboletas na barriga", na revista Única, de 4 de Abril de 2009, têm mais de 70 anos.

A minha foto preferida do Robert Doisneau. Pode ter sido encenada (orquestrada), mas é uma bela metáfora de amor!
lunes, 6 de abril de 2009
É isso sem tirar nem pôr
"Continuamos a divertir-nos com o acto de criar. Não conseguiria viver sem aquele momento final, do 'está feito', criado. Conseguiria viver sem tudo o resto (inerente ao facto de pertencer aos U2), mas disto é muito difícil de prescindir."
Estas foram as palavrinhas do baterista dos U2, Larry Mullen, para tentar explicar a sensação de criar...
As profissões mais viciantes são as que envolvem doses generosas de criatividade...
Estas foram as palavrinhas do baterista dos U2, Larry Mullen, para tentar explicar a sensação de criar...
As profissões mais viciantes são as que envolvem doses generosas de criatividade...
sábado, 4 de abril de 2009
Sensação de viver
Depois de já ter apanhado o novo anúncio da Coca Cola linkado a umas dezenas de blogues, de perceber que só no You Tube já foi descarregado mais do que 156 mil vezes (a internet é um suporte barato e dá milhões) e de o ter visto agorinha mesmo pela primeira vez na televisão, concluo que não vou passar a beber Coca Cola (porque não gosto), mas vou passar a respeitar um bocadinho mais a marca.
Não me vou esquecer das acusações à Coca Cola de atropelos aos direitos humanos e éticos, mas tiro o chapéu aos responsáveis pela comunicação da marca. Porquê? Porque fizeram duas coisas que eu valorizo: passaram uma mensagem moralizadora de optimismo e simultaneamente de humanismo, de respeito pela vida e pelos que a viveram mais do que nós.
As crianças enternecem quase toda a gente. É fácil. Os animais também o conseguem facilmente. Agora os velhos, os que já cá andam há algum tempo, furam a carapaça de poucos. Algures no percurso deixam de ser respeitados e inspiram pouca ternura.
O filme da Coca Cola reabilita de forma lamechas (e ainda bem porque assim é mais eficiente) esse respeito e a ternura pelos que viveram mais...
A velhinha Coca Cola já não precisa de notoriedade, precisa de amor, de angariar simpatia... Eu mordi o isco direitinho!
Não me vou esquecer das acusações à Coca Cola de atropelos aos direitos humanos e éticos, mas tiro o chapéu aos responsáveis pela comunicação da marca. Porquê? Porque fizeram duas coisas que eu valorizo: passaram uma mensagem moralizadora de optimismo e simultaneamente de humanismo, de respeito pela vida e pelos que a viveram mais do que nós.
As crianças enternecem quase toda a gente. É fácil. Os animais também o conseguem facilmente. Agora os velhos, os que já cá andam há algum tempo, furam a carapaça de poucos. Algures no percurso deixam de ser respeitados e inspiram pouca ternura.
O filme da Coca Cola reabilita de forma lamechas (e ainda bem porque assim é mais eficiente) esse respeito e a ternura pelos que viveram mais...
A velhinha Coca Cola já não precisa de notoriedade, precisa de amor, de angariar simpatia... Eu mordi o isco direitinho!
viernes, 3 de abril de 2009
martes, 31 de marzo de 2009
Tango
"O tango é o primeiro sorriso depois de atravessar um mar de lágrimas"
Escutei esta frase numa entrevista da TSF a Horácio Ferrer, poeta argentino e presidente da Academia do Tango de Buenos Aires, e escrevia-a no meu caderninho da época... entretanto o caderninho teve que ser substituído várias vezes, mas todos eles abrem com esta frase...
Também li ou ouvi algures que o tango é uma discussão de apaixonados sem palavras, ou talvez tenha sido eu a achar isso...
Gosto de tango porque sim.
Este tango ganhou um prémio no festival STOP Motion
Escutei esta frase numa entrevista da TSF a Horácio Ferrer, poeta argentino e presidente da Academia do Tango de Buenos Aires, e escrevia-a no meu caderninho da época... entretanto o caderninho teve que ser substituído várias vezes, mas todos eles abrem com esta frase...
Também li ou ouvi algures que o tango é uma discussão de apaixonados sem palavras, ou talvez tenha sido eu a achar isso...
Gosto de tango porque sim.
Este tango ganhou um prémio no festival STOP Motion
lunes, 30 de marzo de 2009
Benfica
Verde. Verde por todo o lado.
Quase todos os verdes do mundo parecem ter marcado encontro por ali, àquela hora.
Escuta-se a água a cavar carreiros encosta abaixo e os pássaros que não identifico palrando indiferentes a mim.
Acordar assim deixa-me tonta... tanta pureza, tanta Natureza desordena-me o pensamento, como se tivesse bebido um balde de café.
Mesmo sem intenção, mesmo sem obedecer à ordem cerebral, começo a inspirar mais profundamente e dou-me conta disso e fico ainda mais tonta.
Como se perdesse o controlo... Tanta Natureza obriga-me a readaptar as minhas rotinas, mesmo as que não considero rotinas, e a questioná-las... a agir muito mais do que a pensar e eu sempre achei que preferia ao contrário, mas talvez assim seja mais libertador, mais compensador...
Fico desconfortavelmente comovida com o Benfica... persegue-me para todo o lado, pára quando paro e mira-me nos olhos, vence depressa a minha antipatia pelo nome que lhe deram, mendiga a minha companhia e agradece com um vagaroso movimento de pálpebras, se lhe afago o pêlo...
Conhecemo-nos há minutos e já somos cúmplices... Ele desconfia que não costumo estar muito à vontade com os da espécie dele, mas suspeita que eu não saberia resistir à meiguice de quem me segue sem se impor, de quem parece estar pronto a acompanhar-me só porque gosta de estar comigo...
Contaram-me a história deste Benfica: o dono, com quem dividia a casa, adoeceu de velhice e foi-se embora da aldeia. Foi para casa dos filhos em Lisboa e o Benfica não foi convidado... Ficou a guardar a casa na Malhada e vai comendo o que os poucos habitantes que como ele permanecem na aldeia lhe oferecem.
Parece triste o Benfica, ou sou eu que fico triste quando olho para ele. A Natureza já não o deixa tonto como me deixa a mim e parece importar-se pouco por estar rodeado de quase todos os verdes do mundo... Resiste numa aldeia camuflada pelo esquecimento dos que lá nasceram, dos que lá viveram e principalmente dos que, como eu, nunca a perceberam.
Quase todos os verdes do mundo parecem ter marcado encontro por ali, àquela hora.
Escuta-se a água a cavar carreiros encosta abaixo e os pássaros que não identifico palrando indiferentes a mim.
Acordar assim deixa-me tonta... tanta pureza, tanta Natureza desordena-me o pensamento, como se tivesse bebido um balde de café.
Mesmo sem intenção, mesmo sem obedecer à ordem cerebral, começo a inspirar mais profundamente e dou-me conta disso e fico ainda mais tonta.
Como se perdesse o controlo... Tanta Natureza obriga-me a readaptar as minhas rotinas, mesmo as que não considero rotinas, e a questioná-las... a agir muito mais do que a pensar e eu sempre achei que preferia ao contrário, mas talvez assim seja mais libertador, mais compensador...
Fico desconfortavelmente comovida com o Benfica... persegue-me para todo o lado, pára quando paro e mira-me nos olhos, vence depressa a minha antipatia pelo nome que lhe deram, mendiga a minha companhia e agradece com um vagaroso movimento de pálpebras, se lhe afago o pêlo...
Conhecemo-nos há minutos e já somos cúmplices... Ele desconfia que não costumo estar muito à vontade com os da espécie dele, mas suspeita que eu não saberia resistir à meiguice de quem me segue sem se impor, de quem parece estar pronto a acompanhar-me só porque gosta de estar comigo...
Contaram-me a história deste Benfica: o dono, com quem dividia a casa, adoeceu de velhice e foi-se embora da aldeia. Foi para casa dos filhos em Lisboa e o Benfica não foi convidado... Ficou a guardar a casa na Malhada e vai comendo o que os poucos habitantes que como ele permanecem na aldeia lhe oferecem.
Parece triste o Benfica, ou sou eu que fico triste quando olho para ele. A Natureza já não o deixa tonto como me deixa a mim e parece importar-se pouco por estar rodeado de quase todos os verdes do mundo... Resiste numa aldeia camuflada pelo esquecimento dos que lá nasceram, dos que lá viveram e principalmente dos que, como eu, nunca a perceberam.
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