martes, 7 de abril de 2009

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"Percebi onde era o quarto, nas traseiras, num sítio de acesso proibido, empoleirei-me na vespa - que aquilo ainda era um primeiro andar - e estiquei o braço, por baixo da janela da enfermaria." Foi assim que durante cinco dias Helena adormeceu, de mão dada com o marido. Que, enfim, depois dela ter alta, foi ele próprio internado, com uma pneumonia.

Os protagonistas desta história, publicada no artigo "Borboletas na barriga", na revista Única, de 4 de Abril de 2009, têm mais de 70 anos.
A minha foto preferida do Robert Doisneau. Pode ter sido encenada (orquestrada), mas é uma bela metáfora de amor!

lunes, 6 de abril de 2009

É isso sem tirar nem pôr

"Continuamos a divertir-nos com o acto de criar. Não conseguiria viver sem aquele momento final, do 'está feito', criado. Conseguiria viver sem tudo o resto (inerente ao facto de pertencer aos U2), mas disto é muito difícil de prescindir."

Estas foram as palavrinhas do baterista dos U2, Larry Mullen, para tentar explicar a sensação de criar...

As profissões mais viciantes são as que envolvem doses generosas de criatividade...

sábado, 4 de abril de 2009

Sensação de viver

Depois de já ter apanhado o novo anúncio da Coca Cola linkado a umas dezenas de blogues, de perceber que só no You Tube já foi descarregado mais do que 156 mil vezes (a internet é um suporte barato e dá milhões) e de o ter visto agorinha mesmo pela primeira vez na televisão, concluo que não vou passar a beber Coca Cola (porque não gosto), mas vou passar a respeitar um bocadinho mais a marca.
Não me vou esquecer das acusações à Coca Cola de atropelos aos direitos humanos e éticos, mas tiro o chapéu aos responsáveis pela comunicação da marca. Porquê? Porque fizeram duas coisas que eu valorizo: passaram uma mensagem moralizadora de optimismo e simultaneamente de humanismo, de respeito pela vida e pelos que a viveram mais do que nós.
As crianças enternecem quase toda a gente. É fácil. Os animais também o conseguem facilmente. Agora os velhos, os que já cá andam há algum tempo, furam a carapaça de poucos. Algures no percurso deixam de ser respeitados e inspiram pouca ternura.
O filme da Coca Cola reabilita de forma lamechas (e ainda bem porque assim é mais eficiente) esse respeito e a ternura pelos que viveram mais...
A velhinha Coca Cola já não precisa de notoriedade, precisa de amor, de angariar simpatia... Eu mordi o isco direitinho!

martes, 31 de marzo de 2009

Tango

"O tango é o primeiro sorriso depois de atravessar um mar de lágrimas"
Escutei esta frase numa entrevista da TSF a Horácio Ferrer, poeta argentino e presidente da Academia do Tango de Buenos Aires, e escrevia-a no meu caderninho da época... entretanto o caderninho teve que ser substituído várias vezes, mas todos eles abrem com esta frase...
Também li ou ouvi algures que o tango é uma discussão de apaixonados sem palavras, ou talvez tenha sido eu a achar isso...

Gosto de tango porque sim.

Este tango ganhou um prémio no festival STOP Motion

lunes, 30 de marzo de 2009

Benfica

Verde. Verde por todo o lado.
Quase todos os verdes do mundo parecem ter marcado encontro por ali, àquela hora.
Escuta-se a água a cavar carreiros encosta abaixo e os pássaros que não identifico palrando indiferentes a mim.
Acordar assim deixa-me tonta... tanta pureza, tanta Natureza desordena-me o pensamento, como se tivesse bebido um balde de café.
Mesmo sem intenção, mesmo sem obedecer à ordem cerebral, começo a inspirar mais profundamente e dou-me conta disso e fico ainda mais tonta.
Como se perdesse o controlo... Tanta Natureza obriga-me a readaptar as minhas rotinas, mesmo as que não considero rotinas, e a questioná-las... a agir muito mais do que a pensar e eu sempre achei que preferia ao contrário, mas talvez assim seja mais libertador, mais compensador...

Fico desconfortavelmente comovida com o Benfica... persegue-me para todo o lado, pára quando paro e mira-me nos olhos, vence depressa a minha antipatia pelo nome que lhe deram, mendiga a minha companhia e agradece com um vagaroso movimento de pálpebras, se lhe afago o pêlo...
Conhecemo-nos há minutos e já somos cúmplices... Ele desconfia que não costumo estar muito à vontade com os da espécie dele, mas suspeita que eu não saberia resistir à meiguice de quem me segue sem se impor, de quem parece estar pronto a acompanhar-me só porque gosta de estar comigo...
Contaram-me a história deste Benfica: o dono, com quem dividia a casa, adoeceu de velhice e foi-se embora da aldeia. Foi para casa dos filhos em Lisboa e o Benfica não foi convidado... Ficou a guardar a casa na Malhada e vai comendo o que os poucos habitantes que como ele permanecem na aldeia lhe oferecem.
Parece triste o Benfica, ou sou eu que fico triste quando olho para ele. A Natureza já não o deixa tonto como me deixa a mim e parece importar-se pouco por estar rodeado de quase todos os verdes do mundo... Resiste numa aldeia camuflada pelo esquecimento dos que lá nasceram, dos que lá viveram e principalmente dos que, como eu, nunca a perceberam.

viernes, 27 de marzo de 2009

Depois da tempestade vem... o dia mundial do teatro


O Dia Mundial de Teatro é hoje, mas eu sou das que comemoro a véspera: fui ver a "Tempestade" do Shakespeare pela Cornucópia e saí de lá com vontade de ligar ao S. Pedro!!! (bem precisamos daqueles relâmpagos).
O texto é poético e filosófico, com passagens cheias de humor sobre as nossas fraquezas, sobre as falhas de carácter, sobre a redenção, sobre a capacidade de moralizar, sobre o poder, sobre o amor, sobre a amizade, sobre a vingança, sobre como libertar o espírito, sobre nós todos... e nós todos não éramos muito diferentes no início do século XVII, quando a peça foi escrita...
E amanhã é dia de ilusão