viernes, 28 de noviembre de 2008

O 54 pode estar de regresso!

Quando pesquisava imagens decentes para ilustrar o post sobre autocarros encontrei esta notícia.

Fico à espera...

Quero o meu 54 de volta!


Porquê? Por que razão Portugal dispensou os autocarros de dois pisos?
Ainda por cima transportam potencialmente mais gente, logo são mais ecológicos, penso eu de que...
E são inquestionavelmente mais charmosos e espaçosos e confortáveis.
Os actuais autocarros partem do princípio de que só lá entram top models... Mas o que acontece na verdade é as pessoas transbordarem da cadeira... e pior: se têm o azar de ficar à janela com um companheiro espaçoso do lado, quase que se vêem obrigados a sentar no colo do dito se precisarem sair antes dele...

Os ingleses não são estúpidos! Se eles conseguem rentabilizar os autocarros de dois pisos, nós também conseguimos!
Expliquem-me por que razão se inventaram os autocarros concertina (dois autocarros inesteticamente ligados por um fole)? Serão estes mais fáceis de conduzir? Mais económicos?
Quero 0 meu 54 de volta!

miércoles, 19 de noviembre de 2008

Advogados! Advogados! De que é que estais à espera?!

A advocacia nunca me atraiu particularmente... mas se eu tivesse seguido o conselho do meu pai e hoje fosse advogada, acho que me dedicaria a processar o Estado e as autarquias deste país. Acho aliás, que não haveria desempregados nesta área, se eles decidissem explorar este filão! É que motivos, que é como quem diz CAUSAS não faltam a precisar que alguém lhes acuda! Só atropelos urbanísticos daria que fazer a umas centenas de causídicos! Os atropelos ambientais, empregariam outros tantos! Já para não falar nos casos de corrupção e favorecimento!
Fica lançado o desafio: senhores advogados desempregados unam-se, constituam uma empresa! Precisam de gente para pesquisar quem pisa o risco (candidato-me desde já) e depois mãos à obra... O que se ganharia em indemnizações e em marketing para esta firma inovadora de advogados?!!!!!!!!!!!
Comecem pelo caso do alargamento do Porto de Lisboa! Milguel Sousa Tavares está na altura de voltares à barra do tribunal!

jueves, 6 de noviembre de 2008

Give me hope, Obama, give me hope!

A coincidência de Barack Obama ter sido eleito Presidente dos EUA e de Roxane Silberman vir a Portugal apresentar o seu estudo sobre as tendências migratórias no mesmo dia fez-me pensar que talvez a Europa ainda não estivesse preparada para eleger um Obama, apesar de maioritariamente apoiar a eleição de um Obama nos EUA...
A forma como se lida com os imigrantes na Europa, sejam eles apenas migrantes de outros países europeus ou oriundos de outros continentes ainda é lamentável. Não há propriamente uma política racional nesta matéria. E política nesta matéria deve ser profiláctica: tratar de integrar os imigrantes hoje para não ter problemas amanhã. Porquê? Porque fechar as fronteiras não é a solução. Porque haverá sempre imigrantes legais ou não. Porque precisamos dos emigrantes. Porque enriquecemos com a mistura, melhoramos no convívio com a diferença. Porque um país deixou de ser de quem lá nasceu para ser de quem o adoptou como morada. Porque todos queremos poder, em condições de igualdade, escolher uma morada e aí trabalhar... Porque se optarmos pela segregação social, se depositarmos os emigrantes em subúrbios, estamos a semear problemas sociais e económicos.
Tudo isto acontece na Europa e nos EUA, mas a eleição de Obama ainda me parece improvável por cá. Elegeria a França um descendente magrebino? Elegeria Portugal um descendente angolano?
Com a eleição de Obama atrevo-me de facto a ter esperança... Mas se calhar é a Bush que devemos esse atrevimento. Talvez os europeus precisem de um Bush para logo desejar um Obama.

viernes, 31 de octubre de 2008

They Find!


Um hotel flutuante, botões instantâneos para jeans, um anexo desdobrável, um sofá de papel... ideias que funcionam, negócios que prosperam... Tudo condensado num site português (http://www.wefind.pt/) que pesquisa tendências no mundo inteiro... Uma ideia de alguém que percebeu que os media nacionais têm vistas curtas!

Eu agradeço e algo me diz que os empresários portugueses também vão agradecer!!

A porta que dá para os dois lados

O protagonista da minha memória é um senhor de uma certa idade. Gosto de pensar que se trata de um octogenário, talvez por gostar da sonoridade do número oito e de o desenhar entrelaçado e redondinho, a provar que as histórias se interligam e que podem começar no mesmo ponto em que terminam. Na verdade a minha acontece assim: eu saía do lugar para onde o meu octogenário entrava, ou então entrava eu para o mundo de onde ele saía. Pouco importa por agora...Vi o meu octogenário contrariada, como quando se senta alguém ao meu lado no mesmo banco do autocarro e me obriga a partilhar, a ajustar-me no meu canto, a escapar da minha abstracção e a pedir licença para sair. Desagrada-me pedir licença para sair. Vi-o do outro lado da porta de vidro, daquelas que democraticamente abrem para os dois lados, bamboleiam dependendo, ora do desabafo dos que a empurram em fuga, ora da convicção dos que a puxam para si, determinados a entrar, muito mais do que a sair. O meu octogenário alcançou-a antes que eu pudesse decidir. Ele decidiu puxar a porta de vidro. Decidiu isso e decidiu sorrir-me com os olhos, com a face toda e com as mãos que me cediam a passagem, sem pressa nenhuma. A ausência de pressa de quem valoriza a vida, com a autoridade de a viver efectivamente. Se não fossem as convicções sociais, a vergonha, a estupidez, ou outra desculpa menos óbvia, o que teria feito era dar-lhe um beijo. Não me lembro de melhor forma de retribuir aquele momento quentinho que me impediu de continuar contrariada... Em vez disso, disse-lhe um vazio obrigada, mais ou menos desmaiado num sorriso, e adiei para depois os olhos humedecidos e a felicidade mais escancarada. Por essa altura ele já estava do outro lado da porta e ela já se tinha fechado. Não o voltei a ver. Mentira! Acho que o reencontrei porque poderia muito bem ser ele o octogenário que se mudou para o meu prédio e uma semana depois tocou à minha campainha. Abri a porta e lá estava ele com um cesto de molas de roupa de muitas cores diferentes. Ofereceu-mas a sorrir com os olhos e com a face toda. Talvez desconfiasse que eram molas coloridas os meus brinquedos preferidos quando ainda só gatinhava atrás deles e aprendia que as cores tinham nomes. Sempre que me cruzo com este meu octogenário no prédio ou na minha rua, sorrimos os dois. Eu regresso à recordação do meu outro octogenário e da porta de vidro. Imagino que afinal vou conseguir dar-lhe um beijo como quem termina o oito mesmo no ponto em que o iniciou. Penso depois que devo ter desenhado vários oitos imperfeitos, que não terminam de acontecer. Penso que um sorriso é quase um beijo por terminar, por acontecer.